Chique mesmo é adotar

Modismo ou tendência? Não importa. O fato é que cada vez mais pessoas que teriam dinheiro para comprar cães e gatos de raça estão optando por recolher e abrigar animais abandonados nas ruas

por Daniela Costa 13/08/2013 14:21

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Samuel Gê/Encontro
A engenheira Juliana Ladeira não resistiu aos encantos do mestiço Billy: "É é a alegria da casa. Ele nos faz rir e adora passear de carro" (foto: Samuel Gê/Encontro)
“Jamais vou esquecer o olhar de gratidão que o Sadan me deu, mesmo em seu último dia de vida. Senti que ele me agradecia por tê-lo adotado.” A frase é da corretora de imóveis Vanessa Villela de Castro, de 50 anos, e Sadan é um cachorro vira-lata. A história de amor entre ela e o cachorro começou há três anos, a caminho do seu sítio em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), quando encontrou um filhote abandonado na beira da estrada e decidiu adotá-lo, mesmo tendo condições financeiras para adquirir um animal de raça. Há um mês, Sadan morreu, vítima de ataque de onça na região. Para superar a dor, Vanessa optou mais uma vez pela adoção. “Mesmo com o coração doendo de saudade, não consegui resisti ao Beto, mestiço de 3 meses. Foi amor à primeira vista”, diz. Resultado: adotado (tal como Sadan), o novo membro da família faz companhia para Tody, outro cãozinho sem raça definida (SRD) – também fruto de adoção. Hoje, ambos correm felizes pelos gramados do sítio da corretora. Vanessa pode até não saber, mas o que ela fez com Sadan, Beto e Tody (adoção) está virando coisa chique na sociedade.

Geraldo Goulart
A corretora Vanessa Villela e os sobrinhos Isadora e Thiago se apaixonaram pelo vira-lata Beto (cão menor). "Foi amor à primeira vista. É o mais novo membro da família e adora correr pelo sítio junto com o Tody" (foto: Geraldo Goulart)


Assim como Vanessa, muitas são as pessoas que, mesmo tendo recursos para comprar um animal de estimação, abrem mão da raça para acolher pets resgatados das ruas. No entanto, o número de cães abandonados ainda é assustador. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente na capital mineira são mais de 30 mil. Isso sem falar na população felina, que, por ter um alto índice de reprodução e possuir hábitos noturnos, é difícil de ser mensurada. “Por isso, as campanhas de adoção e castração são fundamentais. Quanto menos animais nascerem, menor será o número de abandonos”, diz Denise Menin, da ONG Cão Viver.  Para Helenice Machado Mendes Rutkowski, da ONG Bichos Gerais, o abandono ocorre de forma indiscriminada  e não escolhe raça, idade nem classe social. “Infelizmente muitas pessoas compram ou adotam um animal por impulso e desistem deles na primeira dificuldade. É muito comum eles serem abandonados no momento em que mais precisam de cuidados quando estão velhos e doentes.”

Pedro Nicoli/Encontro
O mestiço Piloto (o primeiro da esquerda para a direita) tirou a sorte grande: "Quando o encontrei, estava magro e desnutrido. Hoje está lindo e sua maior alegria é brincar com os outros cães na piscina", conta a professora Raquel Nogueira Rainoni (foto: Pedro Nicoli/Encontro)


Poucos deles têm a sorte do Piloto, mestiço acolhido pela professora de alemão Raquel Nogueira Rainoni, de 51 anos. Há dois anos, quando o encontrou perambulando pela rua onde mora, ela já possuía cinco cães – dois de raça e três vira-latas, e não hesitou em ter mais um. “Ele estava muito debilitado, magro e desnutrido. É um cachorro de porte grande e, por isso, muitas pessoas têm medo de ajudar. Além disso, corria o risco de ser atropelado e sofrer maus-tratos. Hoje, ele está lindo e adora brincar com os irmãos na piscina.” Em 2007, quando ainda morava na Argentina, a engenheira química Juliana França Menezes Ladeira, de 41 anos, resgatou pela primeira vez duas cadelas mestiças. De volta ao Brasil, não resistiu aos encantos de Billy, mestiço de 1 ano. “Eu estava apenas com a Cuka (SRD) e a Talita (bordecollie), pois tínhamos perdido a Nina (SRD). E, como não faço distinção de raça, adotei o Billy, que nos faz chorar de tanto rir. É realmente a alegria da casa.”

Como um legítimo vira-lata, Billy adora fazer bagunça e, é claro, passear de carro. Ele foi adotado na Bom Garoto! Pet Shop, que resgata mensalmente quatro animais da Sociedade Mineira Protetora dos Animais (SMPA) com a missão de dar-lhes um novo lar. “Foi a forma que encontramos para fazer a nossa parte e ajudar a salvar algumas vidas”, diz o veterinário e proprietário da loja, José Lasmar. A representante comercial Luciana Barros Bárbara, de 43 anos, também encontrou uma maneira de fazer a diferença. Quando decidiu ter um bichinho, optou pela adoção. Hoje, suas grandes companheiras são as gatas Victoria Maria e a Onçinha. “Foi através delas que descobri a importância de abrir os braços e o coração para os animais de rua. Eles são tão gratos e fiéis que nem parecem ser tão sofridos.”

Júnia Garrido/Encontro
A representante comercial Luciana Barros Bárbara não mede esforço para agradar a sua gata, Victoria Maria: "Descobri a importância de abrir os braços e o coração para os animais de rua" (foto: Júnia Garrido/Encontro)
Cada um, a seu modo, tenta fazer sua parte  da melhor forma possível. O projeto O Lobo Alfa, fundado em 2009 pelo advogado Crispim Zuim Neto, tem o objetivo de sensibilizar a população sobre a realidade dos animais abandonados através de histórias contadas pelo próprio Neto. “Descobri que uma história bem contada e ilustrada desperta a consciência de possíveis adotantes e atrai novos protetores. Então me tornei um contador de histórias reais, em sua maioria tristes, mas com possíveis finais felizes.”

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