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Resolução que torna obrigatória a instalação de equipamento de rastreamento em carros, motos, ônibus e caminhões cria um mercado potencial de 6 milhões de veículos, mas gera polêmica quanto à invasão de privacidade

por Fábio Doyle 28/08/2013 14:27

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(foto: Divulgação)

Queremos ou não ser vigiados 24 horas por dia? O advento da internet e da tecnologia digital permite hoje a comunicação instantânea de tudo e de todos. No rastro dessa estrada digital, surgiram também os sistemas de rastreamento de veículos, permitindo o aumento da proteção contra furtos de automóveis, caminhões e cargas, e sequestros. Isso é ótimo para as grandes empresas de transporte, que podem monitorar seus veículos e protegê-los das ações de vândalos e ladrões. O consumidor final fica mais tranquilo e poderá pagar um seguro menor. E as empresas de rastreamento vão faturar bastante. Bom para todo mundo? Nem tanto.

Na verdade, a polêmica em torno do assunto gira em torno da Resolução 247 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que torna obrigatória a instalação do rastreador em todos os veículos vendidos no Brasil. A resolução já deveria estar em vigor, mas sucessivos adiamentos vêm atrasando sua implantação. Segundo Eduardo Meirelles, gerente de pesquisa e desenvolvimento da 3T Systems, empresa de rastreamento e monitoramento de cargas e veículos, a instalação obrigatória de rastreadores antifurto em veículos vendidos no Brasil foi adiada pela nona vez. Os motivos, segundo ele, foram prazos de adequação das empresas, período de testes e até mesmo atrasos no desenvolvimento do sistema de telecomunicações do governo, que vai monitorar e ativar os equipamentos. Se sair do papel, a obrigatoriedade da instalação de rastreadores valerá para todos os veículos, desde motocicletas a caminhões e ônibus, passando por automóveis de passeio – o que cria, de cara, um mercado potencial de quase 6 milhões de veículos, tamanho estimado da frota brasileira que chega ao mercado todos os anos.
 
Resta saber se essa obrigatoriedade é um desejo de todos que compram um veículo. Há quem goste dos rastreadores e, inclusive, dispense os seguros automotivos. É o caso, por exemplo, de Fernando Bretas (nome fictício), um apaixonado por carros que tem nada menos que 10 automóveis na garagem – todos caros, potentes e sofisticados, mas nenhum segurado. Com uma pequena fortuna em carros na sua garagem, ele tem dois sistemas de rastreamento de carros que podem ser alternados entre os veículos. "Dessa forma, me sinto protegido sem ter de gastar uma fortuna com seguro", diz.

Bretas, contudo, não concorda com a obrigatoriedade de que o equipamento venha de fábrica. Segundo ele, se a instalação for obrigatória, mesmo os que não quiserem contratar o serviço da prestadora (sim, além do equipamento, é necessário contratar uma empresa para mantê-lo ativo) terão de arcar com o custo do rastreador. 'Ou alguém acredita que os fabricantes vão instalar o rastreador sem custo algum?", questiona. Bretas ressalta que não é contra os investimentos no setor de rastreamento de veículos. O que ele não concorda é que a instalação seja uma imposição. Rastreadores não são itens de segurança como airbags e ABS, lembra. "A obrigatoriedade vai beneficiar principalmente os fornecedores de equipamentos", diz.

Produtor do sistema, Meirelles defende a obrigatoriedade da instalação do equipamento como item de série em todos os veículos e tenta rebater um dos argumentos contra a medida – o de que o motorista perderá sua privacidade. O executivo diz que a obrigatoriedade da instalação do equipamento em todos os veículos não tem a finalidade de vigiar o motorista. "Muito pelo contrário, é uma forma de ele zelar por seu patrimônio e sua segurança." Hoje, existem equipamentos no mercado que, além de rastrear e monitorar o veículo, trazem um serviço de avaliação comportamental do motorista ao volante. Com esses aparelhos, é possível minimizar riscos de acidentes e reduzir os custos com combustível e manutenção dos veículos, uma vez que eles medem a intensidade e frequência das manobras, freadas, acelerações e curvas, além de analisar o tempo de permanência nas diversas faixas de velocidade e mensurar quais são seus gastos reais e os riscos de acidentes. "A avaliação do perfil do condutor é baseada em estatística das suas manobras. A performance é comparada, de forma simples e objetiva, ao perfil de um condutor padrão", diz.

Sobre o livre-arbítrio de ter ou não seus caminhos rastreados e expostos, Meirelles argumenta que o projeto de obrigatoriedade prevê que "os veículos sairão da fábrica com o equipamento antifurto instalado, mas o proprietário só terá seu carro rastreado se contratar uma prestadora desse tipo de serviço". Ou seja, se a resolução for aprovada e entrar em vigor, a instalação será obrigatória – mas o uso, opcional.

O mercado de sistemas de rastreamento de veículos cresce de forma exponencial no Brasil e no mundo. Quem pesquisar a oferta de sistemas à venda no país vai encontrar centenas de marcas, com preços que variam de R$ 300 a R$ 3 mil, fora as mensalidades pagas à prestadora do serviço. E já existem equipamentos que são monitorados pelo smartphone, sem a necessidade de uma prestadora. 

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