Estilo na cabeça

O chapeu já foi um dos principais acessórios do armário dos homens. Hoje, compõe tanto produções despojadas quanto sofisticadas. Estiloso e versátil, está na cabeça de quem sabe se vestir

por Marina Dias 28/08/2013 16:37

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Paulo Márcio
O cineasta Ernane Alves, de 36 anos, é fã de chapéus e usa até cartola com roupas do dia a dia: "O importante é se sentir bem" (foto: Paulo Márcio)
Faça chuva ou faça sol, ele está nas ruas. E não apenas por sua função de proteger a cabeça dos raios solares, do vento ou do frio. Com muitas possibilidades de uso, o chapéu superou a utilidade prática e tem se tornado peça importante para compor produções masculinas, que são carentes de acessórios, quando comparadas às femininas.
 
Apesar de não ser tão tradicional em terras tupiniquins — onde concorre fortemente com o boné -, a peça tem ganhado espaço no armário dos brasileiros. "Ao contrário de outros países, como a Inglaterra, onde o chapéu é uma peça histórica e muito comum no dia a dia, no Brasil, as pessoas têm mais hábito de usar boné. Só de alguns anos para cá, o chapéu começou a ser mais usado, por influência de artistas pop, como Justin Timberlake, um dos primeiros a usá-lo de forma a complementar o look, como acessório de estilo", diz o estilista mineiro Rodrigo Fraga, especialista em moda masculina.
 
Para Rodrigo, o chapéu masculino, nos dias de hoje, é pensado como extensão do estilo e da personalidade. "Acho que o chapéu está para o homem como uma bolsa está para uma mulher", diz ele, que já sugeriu a peça até para roupas de noivos na festa de casamento. "Depende muito do estilo do chapéu, mas eles podem ser usados tanto em situações informais como em ocasiões mais chiques", explica.
 
Amanda Mol
O publicitário Thales Figueiredo, de 24 anos, tem 13 modelos, que usa da balada à padaria: "É positivo fazer a mescla do clássico com despojado" (foto: Amanda Mol)
 

O publicitário Thales Figueiredo, de 24 anos, é um dos fãs da peça e acumula 13 chapéus no guarda-roupa, entre modelos de palha, xadrez, de risca de giz, lisos e boinas, que usa nas mais variadas ocasiões. "Chapéu, para mim, é igual a camiseta. Uso para ir à padaria, balada, e até para o trabalho", conta ele, que monta os looks de forma despretensiosa, sem seguir regras rígidas. "Quando era mais novo, tinha medo de ficar antiquado. Hoje, não me importo e uso, por exemplo, chapéu coco com bermuda. Com a moda hipster tão forte, é até positivo fazer a mescla do clássico com despojado", diz.

Iniciado na onda dos chapéus quando começou a perder cabelo, o estudante de medicina Pedro Martins Jardim, de 24 anos, usava a peça para se proteger do sol e acabou gostando do estilo, do qual nunca mais abriu mão. E não só ele: a banda de jazz da qual é tecladista adotou o acessório como uniforme e não se apresenta sem. "Eles achavam legal, e resolvemos adotar a ideia para o grupo", diz. Ele escolhe um modelo ou outro pela temperatura do dia. "No inverno, uso os de feltro e de lã, que são mais quentinhos. No verão, opto pelos de palha", diz. Pedro comenta que muitos de seus amigos gostam de chapéus, mas não têm coragem de usar ou não acham algum que combine.
 
A empresária Raquel Fernandes, da loja Brechó Brilhantina, diz que há modelos e estampas para diferentes estilos, e eles podem ser encontrados até em lojas de departamento — o que significa que qualquer homem pode encontrar o seu tipo de chapéu. "O fedora, que é o modelo gangster, é um dos mais procurados. O chapéu coco, o panamá e as boinas também são muito populares", explica ela, para quem o acessório traz um charme a qualquer look. "Principalmente os de aba curta, que proporcionam desenvoltura, podem ser usados à noite e durante o dia, em ambientes fechados ou abertos. Com a peça, o visual vira outro", diz.
 
Ana Martins Jardim
O estudante de medicina Pedro Martins Jardim, de 24 anos, e sua banda de jazz: por influência sua, todos os integrantes passaram a usar chapéu nos shows (foto: Ana Martins Jardim)
 
 
O dono da tradicional chapelaria Casa Cabana, Daniel Elias Joukhadar, confirma que a maior procura entre o público urbano, principalmente jovem, é o fedora de aba curta e sua versão de feltro, que tem um estilo mais street wear. "Há alguns anos, apenas homens de 40 anos para cima usavam chapéus. Hoje, o público de 20 e poucos anos também é assíduo, pois a peça tem retomado o posto de item de moda e de elegância", diz.

O cineasta e ator Ernane Alves, de 36 anos, tem verdadeiro xodó por seus chapéus e, sempre que viaja, vai com a peça escolhida na cabeça, para não amassar. "Esqueço a mala, mas não o chapéu", diz ele, que opta por modelos de cores sóbrias, como branco, cinza e preto, por serem curingas na produção de qualquer look. Ousado, ele anda até de cartola por aí: "Independentemente da roupa, o importante é sentir-se bem, se sentir confortável". 
 
Pedro Nicoli
(foto: Pedro Nicoli)
 

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