Abaixo a TPM

O uso de hormônios para interromper de vez a menstruação é indicado para mulheres que não suportam mais as dores e a oscilação de humor no período menstrual. A decisão, segundo especialistas, não afeta em nada a saúde delas

por Daniela Costa 29/08/2013 12:00

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Eugênio Gurgel
A consultora imobiliária Ângela Almeida optou pelo uso contínuo da pílula: "Depois que comecei a praticar corrida, ficou inviável menstruar. Hoje me sinto bem melhor" (foto: Eugênio Gurgel)

Dizem que a primeira menstruação ninguém esquece. E, com certeza, as posteriores também não. Afinal, qual mulher não sofre com os sintomas da lendária tensão pré-menstrual (TPM)? No período, os hormônios ficam em ebulição e, além das cólicas, os sintomas incluem dores de cabeça, musculares, inchaço e, principalmente, as famosas alterações de humor. O ciclo tem início na puberdade, período em que as adolescentes entram na fase reprodutiva e começam a produzir os hormônios sexuais, passando a ovular a cada mês. Daí para frente, os dias de tensão são certeiros e atingem mais de 18 milhões de brasileiras com idade entre 10 e 49 anos, segundo estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).  

Com tantos efeitos colaterais, a necessidade de a mulher menstruar a cada mês começou a ser questionada por médicos e pacientes. A consultora imobiliária Ângela Almeida, de 39 anos, fez sua escolha. "Em 2009, comecei a praticar corrida e a participar de muitos torneios, por isso ficou inviável menstruar. Foi quando, sob a orientação da minha ginecologista, optei por fazer uso contínuo da pílula, dando intervalos a cada quatro meses. Me sinto bem melhor", diz. Apesar de incomum, a chamada contracepção contínua é mesmo a melhor opção para algumas mulheres, especialmente aquelas que praticam esportes, possuem profissões incompatíveis com o ciclo menstrual ou ainda têm diagnósticos complicados como a endometriose. "Várias pacientes têm se beneficiado desse processo que, para ser adotado, deve estar de acordo com a necessidade de cada mulher e, claro, com a indicação médica", diz a ginecologista Cláudia Lúcia Barbosa Salomão.
  
Especialistas explicam que o uso da pílula anticoncepcional ou de outros métodos contraceptivos inibem a ovulação e podem ser utilizados tanto de forma intercalada quanto ininterrupta, sem trazer prejuízos à saúde da mulher. No entanto, mesmo na contracepção contínua podem ocorrer pequenos sangramentos. "Trata-se apenas de uma reação às alterações hormonais relacionadas ao uso contínuo do método contraceptivo que não implicam sintomas da TPM", explica a ginecologista Márcia Mendonça Carneiro, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma das principais vantagens de não mestruar é exatamente evitar os sintomas da TPM, sem que haja qualquer prejuízo à saúde da mulher. Claro que, se deseja engravidar, ela não deve usar nenhum tipo de contraceptivo. E mesmo que tenha utilizado por longo período, e de forma contínua, não há risco de afetar a fertilidade. "O método não interfere na fertilidade feminina. Para engravidar a mulher precisa apenas de estar menstruando", diz Márcia.

Segundo o ginecologista João Tadeu Leite dos Reis, da Associação Mineira de Ginecologia e Obstetrícia de Minas Gerais (Sogimig), a contracepção contínua também não interfere no climatério da mulher. "A menopausa é determinada geneticamente e vai acontecer independentemente do procedimento", diz. O método também não provoca alterações significativas no desejo sexual feminino. "Toda inibição de ovulação pode estar associada à redução de hormônios, e teoricamente ter relação com a diminuição da libido. Mas não existe nada que comprove essa interferência, já que o desejo sexual está ligado a diversos fatores externos", diz João Tadeu.
 
 

A tradutora Manoela Sampaio, de 34 anos, optou pela utilização do DIU Hormonal (Mirena) para não menstruar, mas acabou mudando de ideia. "Senti alteração de humor e aumento de peso, por isso voltei ao ciclo normal”, conta. Mas, segundo o médico Geraldo Santana, do Instituto Mineiro de Endocrinologia, o mito de que a supressão da menstruação provoca sobrepeso ou obesidade não é verdadeiro. “O que pode acontecer é alguma retenção de líquido na fase de adaptação, mas o aumento da gordura corporal só ocorrerá se houver uma mudança nos hábitos alimentares ou na atividade física", explica Santana. De qualquer forma, a medida só deve ser adotada mediante avaliação médica.

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