Bem no alvo

Apesar de caro, o tiro esportivo está conquistando muitos praticantes em BH - e as mulheres não ficam de fora

por Daniela Costa 30/08/2013 17:37

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Samuel Gê
Desde adolescente, Vany Silveira gosta de armas de fogo. "A sensação de liberdade e poder que o esporte traz é indescritível" (foto: Samuel Gê)

Ela é jovem, bonita e ousada. Mas o que diferencia Vany Silveira, de 25 anos, da maioria das mulheres da sua idade é o gosto pelas armas de fogo. Desde os 14 anos, ela já tinha um tiro certeiro. "A sensação de liberdade e poder que o esporte traz é indescritível", diz.  Formada em relações internacionais, é uma das poucas mineiras que encaram o desafio de se entregar a um universo masculino, que exige acima de tudo precisão, velocidade, agilidade e, é claro, altas doses de adrenalina.
 
Apesar de ser uma das modalidades olímpicas mais antigas da história mundial, o tiro esportivo ainda é um tabu - e quem pratica sofre preconceito. "O atleta do tiro tem plena consciência da responsabilidade que é portar uma arma de fogo. E, consequentemente, tem muito mais autocontrole e equilíbrio em casos de risco do que qualquer outro cidadão comum", explica Clóvis Campos, instrutor de armamento e tiro.

Samuel Gê
O médico Herbert Cardoso Mendonça chega a dar 1.200 tiros por mês: "É a maneira que encontrei para fugir do estresse do dia a dia" (foto: Samuel Gê)
 
A fama de esporte violento também é contestada: "Acredito que o tiro seja um dos esportes mais seguros, pois, para praticá-lo, várias normas de segurança têm de ser rigorosamente seguidas. Pratico o esporte há 17 anos e nunca soube de qualquer acidente ou conduta irresponsável de qualquer praticante", diz Leandro Boa Ventura, presidente da Federação Mineira de Tiro Prático (FMTP). Não por acaso, Leandro é referência no esporte e já trouxe para Minas os títulos de campeão mineiro, brasileiro, pan-americano e sul-americano.
 
O esporte é praticado em alvos de papel e metal, com armas divididas em cinco categorias: pistola open, pistola standard, production, classic e revólver.  Quem for mais rápido e preciso ganha o campeonato. Já o tiro esportivo ou tiro olímpico tem 15 provas em que são usados três tipos de calibre: chumbinho, bala calibre 22 e cartucho calibre 12. Para as provas de carabina e pistola são usados alvos de papel, e as provas de tiro ao prato são feitas com a ajuda de uma máquina que lança os objetos ao ar. "Ao contrário do que muitos pensam, em nenhuma prova olímpica é permitida a utilização de pombos como alvos", afirma Ricardo Brenck, diretor técnico da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE). Segundo Alcimir Vilela, presidente da Confederação Mineira de Tiro Esportivo (FMGTE), Minas Gerais conta com mais de 350 atletas cadastrados e é destaque no ranking nacional. “Estamos entre os 10 primeiros colocados em modalidades olímpicas. Somos muito bem representados”, diz Vilela.

Samuel Gê
Aos 32 anos, Cheila Ribeiro já conquistou vários troféus em competições de tiro: "No ano passado, fiquei em primeiro lugar no campeonato mineiro. Agora já estou me preparando para o campeonato brasileiro" (foto: Samuel Gê)
 
Para entrar nesse seleto grupo de atletas, é preciso dominar algumas técnicas e percorrer um longo caminho burocrático. O esporte não é mesmo para quem quer, mas sim para quem pode praticá-lo e pagar pelo seu alto custo - a começar pelo processo de inclusão na categoria esportiva. Após comprovar que não tem antecedentes criminais, o candidato deve procurar um clube de tiro para fazer o curso de normas de segurança e manejo de arma de fogo. Na sequência, deve se inscrever em uma federação da categoria na qual foi qualificado. Só então estará apto a se cadastrar como atirador junto ao Exército Brasileiro, obtendo o Certificado de Registro (CR), que lhe dará o aval para adquirir o equipamento e praticar o esporte.
 
O custo do investimento varia de acordo com a categoria em que o atleta participa. Para o tiro prático, o investimento inicial é de R$ 5 mil. A manutenção será de acordo com a quantidade de disparos que o atleta faz e o número de torneios que participa. O médico cirurgião Herbert Cardoso Mendonça, de 48 anos, chega a dar 1.200 tiros por mês. "Se eu fosse pagar o preço de mercado, que é de R$ 5 a bala, não daria para bancar esse meu hobby. Por isso, faço minha própria bala em máquina específica, reaproveitando os insumos". Para ele, o esporte é uma válvula de escape como outra qualquer. “É a maneira que encontrei para fugir do estresse do dia a dia”, diz.

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A estudante Débora Werneck, 20 anos, sempre acompanhou o pai, o empresário Mauro Werneck: "Já sofri preconceito de colegas, mas nunca me importei. Me sinto muito segura" (foto: Samuel Gê)

A paixão pelo tiro é tanta que passa de geração para geração. Desde os nove anos de idade, a estudante Débora Werneck, de 20 anos, acompanha o pai, o empresário Mauro Werneck, no esporte. "Já sofri preconceito de colegas que achavam estranho uma menina atirar, mas nunca me importei. Sinto-me muito segura", diz Débora. Quem continua achando que arma de fogo não é coisa para mulher, basta dar uma olhada na quantidade de troféus que a administradora de empresas Cheila Ribeiro, de 32 anos, já conquistou em competições. Do manuseio das armas de ar comprimido para a pistola de cano curto, e a categoria production com o calibre 38, passaram-se apenas quatro anos. "Comecei em 2009 e, já no ano passado, fiquei em primeiro lugar no campeonato mineiro, competindo na categoria de damas", diz Cheila. Alguém ainda duvida do poder de fogo dessas mulheres? Se duvidar, é melhor sair logo da linha de tiro. Elas não costumam errar o alvo. 

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