O incentivo vem em boa hora

Projetos estimulam estudantes dos ensinos fundamental e médio a desenvolver, em casa ou nos horários livres, atividades como leitura, escrita e música, e ajudam a melhorar o desempenho nos estudos

11/09/2013 13:45

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Elionice Silva

 

Eugênio Gurgel
Patrícia Nogueira (sentada), com Juliana Fonseca (à frente) e outros estudantes atendidos pelo Instituto Gil Nogueira: ela mobiliza empresários e pessoas físicas para manter o projeto Ler é Viver (foto: Eugênio Gurgel)


A leitura abre fronteiras para o pensamento, criando mais condições para as crianças explorarem a realidade e as próprias fantasias. A força desse hábito é visível em crianças campeãs de leitura no projeto Ler é Viver, mantido pelo Instituto Gil Nogueira. Juliana Ribeiro Fonseca, de 13 anos, acaba de escrever um roteiro para um curta- -metragem. Passou a ser leitora ávida a partir de 2010, quando ainda estava no 4º ano do ensino fundamental. "Antes, eu tinha preguiça de ler. Depois passei a ler pelo prêmio e comecei a ler de verdade, sem me preocupar com o prêmio", conta. O futuro para a menina se reconfigurou no contato com o mundo das letras: quer estudar música, cinema e literatura. Tiago Luiz Martins Oliveira, de 10 anos, ainda se lembra da mochila com o nome do Instituto Gil Nogueira gravado, quando se consagrou campeão de leitura. "Pouca gente tem uma, igual”, brinca. Ele conta que lê muito. Mas história em quadrinhos não é mais divertido? “Desenho repete muito, cada história que leio é diferente e ainda posso imaginar outras coisas", diz.

 

Divulgação
Alunos de escolas de Ipatinga participam de ação educativa promovida pelo Instituto Cultural Usiminas: cursos de formação em arte-educação para professores, artistas e estudantes em 26 municípios do Vale do Aço (foto: Divulgação)
 

 

Satisfeita com os resultados, a empresária Patrícia Nogueira, presidente do Instituto Gil Nogueira, acompanha de perto as crianças que apoia com o projeto Ler é Viver. Psicóloga de formação, ela optou por se dedicar à administração do instituto e sabe que sua visão empreendedora é fundamental para a vitalidade do projeto. Patrícia mobiliza empresários e pessoas físicas que apoiam o projeto financeiramente e que, neste ano, custará R$ 900 mil para ser mantido. "Sempre trabalhamos com os recursos em caixa assegurados para o ano seguinte", conta.

 

Em 2013, o Ler é Viver incentiva o hábito da leitura em salas de aulas de 16 escolas da capital mineira, num total de 5.300 de estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A cada semestre, 50 livros são entregues aos alunos de cada escola, que os leem monitorados pelas professoras.  Por ter metas e critérios pedagógicos definidos e respeitados, o projeto é parceiro da Secretaria de Estado de Educação e começa a sair das fronteiras de BH com a entrada, neste ano, em cinco escolas de Montes Claros por meio de patrocínio da Petrobras. A gerente de marketing do ViaShopping Barreiro, Ana Flávia Salles, um dos parceiros do Ler é Viver, que adotou duas escolas no bairro da região Oeste da capital, diz que é preciso investir em projetos que valorizem a comunidade.

 

Samuel Gê
Zulmar Wernke, presidente da Câmara Mineira do Livro: pesquisa encomendada pela instituição serve de orientação para investimentos no setor (foto: Samuel Gê)
 

 

É exemplo disso a atuação da empresa de logística VLI, que patrocina a mostra Encontro Marcado com Fernando Sabino, em cartaz no Boulevard Shopping. Do cardápio de atividades constam cinema, literatura, grafite e história da ferrovia, além de instruções sobre segurança ligada às linhas férreas. A mostra itinerante já passou por 40 cidades em Minas e foi visitada por cerca de 400 mil crianças e jovens. "Como toda ação social, o projeto foi ganhando maior aderência à medida que os resultados foram aparecendo e mais escolas puderam conhecer e participar", explica Silvana Alcântara, gerente de relações institucionais e com comunidades da VLI.  

 

Há 10 anos, a Usiminas oferece cursos de formação em arte-educação para professores, artistas e estudantes em 26 municípios do chamado Colar Metropolitano do Vale do Aço. Mas que ninguém considere simples a tarefa de facilitar o acesso aos bens culturais: "Nosso maior desafio continua sendo tirar os jovens e suas famílias de dentro de casa para esse mundo da cultura. Depois de conhecê-lo, eles não querem mais largar", afirma Mariana Martins, diretora da área de desenvolvimento social da Usiminas, responsável pelo Instituto Cultural.

 

Samuel Gê
Morgana Brandão, professora de canto, ensaia um coral da rede municipal de ensino: autora do livro Ler e Cantar, ela incentiva as crianças com canções que tratam do cotidiano escolar (foto: Samuel Gê)
 

 

A secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazolla, considera positivo o movimento pela educação e pela cultura. "O que essas entidades fazem é fundamental, porque estão formando público e criando condições para o bom consumo cultural", aponta. Segundo ela, é o Estado o responsável pelo letramento – a aquisição da capacidade de leitura objetivamente mensurada. Ou seja, a criança precisa entender o que leu, responder sobre o que leu, fazer interpretação da mensagem e identificar o tipo de texto lido. "O letramento é o treinamento que desenvolve essas capacidades e que deve ser realizado entre os 6 e os 8 anos de idade. É o que estamos fazendo, por meio de política pública, com o Programa de Intervenção Pedagógica nas mais de 20 mil escolas públicas de Minas Gerais", explica.

 

A onda que leva empresas a investirem na aquisição do hábito de leitura também faz adeptos entre pessoas físicas, como a professora Morgana Brandão, da rede municipal de ensino de Belo Horizonte. Professora de canto-coral desde 2007, ela ficou fascinada com o interesse das crianças em aprender suas composições, que falam do cotidiano escolar. As letras musicadas passaram a ser trabalhadas em sessões de leitura, contribuindo para a evolução dos alunos. "Percebi que eles se envolviam e os que tinham dificuldade em ler ficaram mais seguros por causa da música", conta. 

Diante da constatação, Morgana não teve mais dúvida: lançou mão de recursos próprios, cerca de R$ 15 mil, para publicar o livro Ler e Cantar. A obra teve apoio da Fundação Municipal de Cultura de BH na divulgação e vem com partituras e CDs de áudio. 

 

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