Coisa de cinema!

Encrustrado no centro de Belo Horizonte, na praça Sete, o Cine Brasil será entregue no dia 8 de outubro; mostra de Portinari abre intensa programação cultural

por Augusto Franco 12/09/2013 16:54

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Samuel Gê
Palco do Cine Brasil, em fase final de acabamento: espaço terá dois salões e um grande teatro, onde antes ficava a tela (foto: Samuel Gê)
 
 
O roteiro é de um filme de suspense. O orçamento, de blockbuster. E o final ainda está em aberto, mas tende para o romance. Essa é a história do Cine Brasil, prédio em estilo art déco localizado na praça Sete, no centro de Belo Horizonte, onde funcionou entre 1932 e 1999 o mais charmoso e famoso cinema da capital. Depois de 14 anos fechado –, dos quais sete em reforma – o agora Cine Theatro Brasil reabre as portas no dia 8 de outubro sob nova administração: a Fundação Sindertube, do Grupo Vallourec do Brasil, que administra o espaço.

No evento, para convidados, será inaugurada a exposição Guerra e Paz, de Candido Portinari. Trata-se de uma série de obras do autor, que criou, entre outros, os painéis que decoram a igrejinha da Pampulha. Sua maior obra, que dá nome à mostra, é composta por dois murais que, juntos, ocupam desde 1957 o salão do edifício-sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. Ficará exposta no palco principal de 8 de outubro a 24 de novembro. Encomendado em 1952, o trabalho tem ao todo 280 m², área superior ao afresco O Juízo Final, de Michelangelo, que recobre a Capela Sistina, no Vaticano.
 
Samuel Gê
Alberto Camisassa, presidente da Fundação Sindertube (Grupo Vallourec do Brasil) e Sandra Campos, gestora de planejamento e ação cultural do espaço: um dos objetivos é popularizar e democratizar a arte (foto: Samuel Gê)
 

Quando o Cine Brasil foi construído, entre 1928 e 1932, Belo Horizonte ainda era a cidade jardim, primeira e única capital brasileira a ser construída de acordo com um planejamento. A população não chegava aos 100 mil habitantes e quase ninguém tinha casa fora da avenida do Contorno. Foi nesse contexto que se inaugurou um cinema com 1.600 lugares, projeto da dupla Angelo Murgel e Emilio Baugmat, que criaram o viaduto Santa Tereza e inspiraram, mais tarde, Oscar Niemeyer. O prédio, da altura de um edifício de 11 andares, contava também com dois conjuntos de escritórios, ocupados por dentistas, advogados e médicos, entre eles Juscelino Kubitschek.

"Para entender a importância do que foi o Cine Brasil, teríamos de imaginar, hoje, um cinema com capacidade para 40 mil pessoas em uma única sessão", compara o arquiteto, urbanista e professor da Escola de Arquitetura da UFMG Carlos Alberto Maciel. Segundo ele, a restauração do prédio faz parte de um processo de revalorização do centro. "É uma área que nunca ficou abandonada, mas passou por uma época de desvalorização, que felizmente está mudando. O Cine Brasil representa uma parte importante da história de BH", destaca.

"Nosso objetivo é popularizar e democratizar a arte, levando-a também para as classes sociais menos favorecidas economicamente", destaca a gestora de planejamento e ação cultural do Cine Theatro Brasil, Sandra Fagundes Campos. É ela que está à frente da programação cultural do espaço. Além da mostra de Portinari, o Cine Brasil está com a agenda cheia para 2014. Em janeiro, vai integrar a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Entre março e abril, já acertou espetáculos de Almir Sater, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho.
 
Samuel Gê
Detalhe interno do prédio: decoração original foi inteiramente resgatada (foto: Samuel Gê)
 

De acordo com o presidente da Fundação Sindertube, Alberto Camisassa, o Cine Brasil reúne o melhor de duas épocas. "É um espaço que tem o charme dos anos 1930 e 1940 com o que há de melhor na tecnologia do século XXI."
O novo Cine Theatro Brasil conta com dois salões – um com 200 assentos, onde podem ser realizadas mostras de cinema, peças e reuniões empresariais – e um grande teatro, onde antes era a tela de cinema. O espaço tem mil assentos, dos quais 400 lugares na plateia inferior e os demais no balcão. Ao todo, a reforma custou cerca de R$ 53 milhões.

Dentro do prédio agora aparecem os imensos painéis art déco pintados pelo artista italiano Angelo Piggi entre 1927 e 1932, feitos por figuras geométricas coloridas. As pinturas estavam sob cinco camadas de tinta.
 
No último andar, foi construído um amplo salão multiuso. Os espaços onde antes funcionaram consultórios foram transformados em áreas para eventos de porte menor. Em um deles, que conta com uma passarela de vidro, é possível ver a estrutura de concreto do antigo telhado do Cine Brasil. Trata-se, literalmente, de coisa de cinema.

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