O coração da cultura

Com o novo espaço CCBB, circuito da praça da Liberdade consolida-se como referência nacional em temas como arte, história, ciências e tecnologia. E vem mais novidades por aí

por Pabline Félix 13/09/2013 13:22

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Samuel Gê
Interatividade no Museu das Minas e do Metal: tecnologia é uma das principais marcas dos espaços que integram o circuito (foto: Samuel Gê)
A praça da Liberdade, no coração de Belo Horizonte, talvez seja, ao lado do complexo arquitetônico da Pampulha, um dos cenários mais caros aos mineiros. Além da óbvia beleza do lugar, suas alamedas de inspiração francesa transbordam história e servem de ponto de partida para falar de várias "BHs", já que seus bancos viram a fundação da cidade, a algazarra criada em torno da visita de monarcas belgas, os primeiros movimentos do golpe militar de 1964, a luta pela reabertura política do país e o velório do ex-presidente Tancredo Neves. 

Na falta de um contador de histórias com memória tão boa a ponto de recuperar esses e outros "causos" da terra das alterosas, os nove espaços do Circuito Cultural Praça da Liberdade podem dar uma boa "mãozinha". Quando o assunto são as riquezas – histórica, artística, cultural, geográfica, econômica e científica – do estado, não há o que fuja do escopo dos museus e espaços culturais distribuídos no entorno e nas ruas vizinhas à praça. "O circuito é a concretização de um esforço de registrar, mostrar, relacionar e, sobretudo, democratizar o que é feito em Minas. Estamos do lado do centro da cidade, e a maioria dos espaços tem entrada gratuita e, mesmo aqueles que cobram, é um valor simbólico, sendo que às quintas-feiras todos têm entrada franca e funcionamento estendido. Assim, mesmo quem trabalha pode nos visitar", explica a gerente executiva do circuito, Cristiana Kumaira. Outra preocupação é valorizar o passado sem esquecer o que é feito no presente. “A marca do circuito é justamente a pluralidade e o respeito à vocação dos espaços. Há lugar para contação de histórias, exibição de filmes, shows, saraus, intervenções, performances. Estamos nos esforçando para dar conta dessa multiplicidade”, afirma.

Vander André Araújo
Espaço interno do CCBB: o lugar é o mais novo integrante do circuito, que ainda promete mais inaugurações nos próximos anos (foto: Vander André Araújo)
 
Apesar de já ser considerado o maior complexo cultural do país e único do mundo fruto de parcerias público-privadas, o circuito não para de crescer. A mais recente atração a entrar em funcionamento é o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), localizado no antigo prédio da Secretaria de Estado de Defesa Social e reaberto no dia 28 de agosto, depois de quatro anos em obras, com a exposição Elles: Mulheres Artísticas. Foram investidos aproximadamente R$ 37 milhões na reforma, restauração e aquisição de mobiliário e equipamentos. As obras ficaram a cargo do experiente arquiteto Flávio Grillo, que também coordenou a recuperação da praça da Estação, em Belo Horizonte, e das igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto (MG). 

Roberto Rocha
Cristiana Kumaira, gerente-executiva do circuito: "É a concretização do esforço de registrar, mostrar e democratizar o que é feito em Minas" (foto: Roberto Rocha)

Outra atração recém-inaugurada é o Palácio da Liberdade. Com programa educativo assinado pelo consagrado museógrafo Marcello Dantas, criador do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e do Museu das Minas e do Metal, também integrante do circuito, o Palácio conta com diversos recursos tecnológicos para envolver o visitante na história política do estado. "Usamos a mágica tecnológica para falar de cada personagem de maneira interessante, mas da forma mais sutil possível. Essa construção já possuía muita informação, então, nosso desafio foi realizar uma 'cirurgia delicada' para valorizar os detalhes. Por isso, tantas 'aparições' em armários, espelhos, telefone... objetos que já faziam parte dos cenários", explica. Segundo Cristiana, há previsão de abertura de pelo menos mais seis espaços, o que deve alçar o circuito a 16 ambientes nos próximos anos. O próximo na fila das inaugurações é o Centro de Informação aos Turistas, para atender turistas estrangeiros e nacionais. Há ainda na lista a Casa Fiat de Cultura, que deve ser transferida para o Palácio dos Despachos; o Museu do Automóvel, instalado no galpão do estacionamento do Palácio da Liberdade; os cursos de moda e design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), que ocuparão o prédio do Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais (Ipsemg); o Inhotim Escola, no Palacete Dantas; e o Centro de Referência de Economia Criativa, em parceria com o Sebrae-MG, que ainda não tem local definido. “O Centro de Referência tem uma convergência grande com o propósito do circuito, que é esse de fortalecer a atividade cultural e dar base para que outras propostas surjam”, diz Cristiana.

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