Nova chance pra eles

A fisioterapia e a acupuntura veterinária ajudam a salvar cães e gatos desenganados. Além de reduzir o risco de abandono, os tratamentos podem evitar a eutanásia

por Daniela Costa 13/09/2013 14:26

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Samuel Gê
Foram as sessões de fisioterapia e acupuntura que ajudaram a Branquinha a recuperar sua qualidade de vida após ser atropelada. "Ela está cada dia mais independente e ativa", diz a estudante de design Ellen Costa Ramires (foto: Samuel Gê)
 
 
Há dois meses, quando foi encontrada abandonada em um posto de gasolina às margens do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, Vitória, cadela de aproximadamente 1 ano de vida, locomovia-se apenas com as duas patas dianteiras e arrastava as de trás. O que está mudando a sua história e lhe dando uma nova chance de voltar a andar é a dedicação da veterinária Carine Matias, da Clínica Veterinária Gutierrez, especializada em acupuntura e fisioterapia em animais. Mesmo sem saber qual foi o trauma que levou Vitória a ficar paraplégica, ela aposta nas duas especialidades de tratamento para recuperar os seus movimentos. "Apesar de a radiografia ter mostrado que a lesão em sua coluna é grave, iniciei as sessões de fisioterapia e acupuntura, e já no segundo dia de exercícios, ela reagiu, movimentando sutilmente as patas traseiras", diz a veterinária.

Com a associação dos tratamentos, as chances de Vitória se recuperar são cada vez maiores. Isso porque a fisioterapia age no organismo do animal tratando e prevenindo alterações em sua estrutura musculoesquelética e também neurológica, promovendo, assim, a melhora do condicionamento cardiorrespiratório, a redução de peso e o aumento da resistência física. No caso de animais internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) ou com paralisia permanente, reduz o tempo de internação e diminui os efeitos colaterais, entre eles a hipotrofia, as escaras de decúbito, a rigidez articular, contraturas e encurtamentos dos membros. 

Segundo Flávio Medeiros de Oliveira, especialista em fisioterapia veterinária do Intensivet - Núcleo de Medicina Veterinária Avançada, a fisioterapia é utilizada em várias áreas da medicina veterinária, entre elas a neurologia, ortopedia, endocrinologia e geriatria. "Por isso, quanto mais cedo fizermos o diagnóstico da doença e iniciarmos o tratamento, maiores são as chances de o animal se recuperar", diz.
 
A modalidade a ser utilizada é determinada com base na necessidade de cada paciente. Além de técnicas manuais como a massoterapia, cinesioterapia e os exercícios terapêuticos, são usados aparelhos modernos de eletroanalgesia, eletroestimulação, eletromagnetoterapia, laserterapia, termoterapia, crioterapia, esteira seca, banheira de hidromassagem e piscina aquecida com esteira aquática. Aos 11 anos de idade, Jimmy, cão da raça cocker spaniel, reviveu graças ao tratamento. "Há um ano ele começou a perder os movimentos das patas dianteiras. Já não parava sentado nem andava, e chegava a babar e bater a cabeça de tanta dor. Fiz de tudo, até que depois de ir a vários especialistas descobrimos que ele tinha uma hérnia na cervical. O ortopedista indicou a cirurgia e foi através da fisioterapia que ele recuperou os movimentos. Hoje, ele anda e até corre, realmente ressuscitou", conta Maria de Fátima Trindade, de 55 anos, dona do cão.
 
Pedro Nicoli
A veterinária Carine Matias e a enfermeira Ângela Alves apostam na recuperação dos movimentos da cadela Vitória. "Já no segundo dia, ela reagiu movimentando as patas traseiras", diz Carine (foto: Pedro Nicoli)
 
 
A acupuntura é outra forte aliada na recuperação dos animais e atua através de estímulos feitos por meio de agulhas que restabelecem o fluxo de energia corporal. A técnica não provoca dor e não tem contraindicações, por isso é muito utilizada no tratamento de doenças que afetam a coluna cervical e levam ao quadro de paralisia, entre elas as hérnias de disco, bicos de papagaio, artrites e artroses. Também é eficaz no tratamento das sequelas provocadas por doenças como a cinomose e o derrame, que atacam o sistema nervoso. "A acupuntura favorece a abordagem do fisioterapeuta, uma vez que reduz consideravelmente a intensidade da dor e proporciona um alívio progressivo ao paciente. Com isso, o animal responde melhor ao tratamento", explica a veterinária e acupunturista Ana Augusta Souza.
 
E, ao contrário do que muitos pensam, os gatos também podem ser beneficiados. "Apesar de ter menos problemas ostearticulares que os cães, os felinos sofrem com artrose e fraturas provocadas por mordidas ou quedas, o que gera muita dor. Nesses casos, a acupuntura é uma ótima opção", explica Tatiana Abdalla, veterinária especializada na área. 

Foi conciliando sessões de fisioterapia e acupuntura que Branquinha, cadelinha de 2 anos, recuperou sua qualidade de vida após ser atropelada na avenida Senhora do Carmo. Mesmo não havendo mais a possibilidade de recuperar os movimentos de suas patas traseiras, o tratamento é fundamental para que seus membros não atrofiem. "Adotamos a Branquinha há dois meses e observamos melhoras contínuas após o início das sessões. Ela está cada dia mais independente e ativa", diz a estudante de design Ellen Costa Ramires, de 23 anos. 

Para o veterinário Durval Verçosa Junior, especializado em acupuntura, o tratamento realizado com equipes multidisciplinares está cada vez mais presente nas clínicas e hospitais veterinários e se tornou um forte aliado contra a eutanásia e até mesmo o abandono de animais doentes. “Quem ganha é o animal, que, além de ter sua recuperação acelerada, apresenta melhora considerável da qualidade de vida”, diz o veterinário.

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