BH em magazine

Alguns endereços em Belo Horizonte conservam intactos exemplares de periódicos que circulavam na cidade nos primeiros anos da capital mineira. Encontro selecionou algumas edições para mostrar a riqueza de detalhes e o que se passava em suas páginas

07/10/2013 16:17

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Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)
 
Desde a construção de Belo Horizonte para sediar a capital de Minas, em 1897, os jornalistas se preocupam em noticiar tudo o que acontece na cidade. Belo Horizonte ainda erguia seus primeiros grandes edifícios quando a revista Vita, lançada em 1913, mostrava em suas páginas ilustrações e fotos das construções de praças, avenidas, o que acontecia nos bastidores da política, economia, futebol (e o Clube Atlético Mineiro já estava lá), moda e quem eram os respeitados políticos e endinheirados que compunham a alta sociedade mineira.
 
Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)
 
 
Até uma revista em italiano foi editada por aqui: foi em 1920, quando os imigrantes do país da macarronada vieram ajudar a construir a cidade. Muitos não entendiam a nossa língua e, para não ficarem desinformados, lançaram a revista Fieramosca, escrita no idioma de Dante. Ela trazia informações sobre os acontecimentos da nova capital e anúncios que privilegiavam o comércio dos italianos que aqui trabalhavam.

Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)

A maioria das publicações era voltada para o público mais abastado da cidade, pessoas instruídas que sabiam ler e acompanhavam os assuntos de BH. Tanto que existia um capricho especial com a impressão. Algumas tinham as páginas produzidas em papel cuchê e impressas em tinta preta e branca. As mais ousadas traziam pinturas coloridas e até alto-relevo em suas capas. Outro destaque era a criatividade dos desenhos dos anúncios, como pode ser observado na revista Tank, na edição de janeiro de 1920, com a engraçada propaganda do remédio Elixir de Tayuyá, Caroba e Velame.

Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)
  
A Revista do Arquivo Público Mineiro é uma das mais antigas do estado. Nasceu em Ouro Preto, em 1896, quando a cidade era a capital de Minas. Tempos depois, passou a ser editada em Belo Horizonte e, ainda hoje, circula por aqui. Porém, a maioria dos periódicos não tinha vida longa. A durabilidade era de pouco mais de um ano. Honrosa exceção à revista Alterosa, que durou de 1939 a 1964.

O escritor e cronista Ivan Ângelo, de 77 anos, fez parte da equipe de Alterosa na década de 1960. "Trabalhei ao lado de Carlos Wagner, Henfil e do editor Roberto Drummond, que depois que assumiu o cargo trouxe mais modernidade à revista”, afirma o mineiro de Barbacena, que há 50 anos mora em São Paulo. “Era tudo diferente. Hoje, o aspecto político tem muito destaquenos veículos de comunicação. É muito mais burocrático e direcionado."

Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)
 

Segundo Ângelo, antigamente, o repórter tinha mais liberdade para escrever sobre os assuntos e estimular a criatividade nos textos. "Fernando Sabino foi a Cuba e escreveu com liberdade sobre o país. Coisa que não aconteceria nos dias atuais." O escritor lembra, nostálgico, que a redação da revista era pequena – tinha apenas cinco repórteres. "Na maioria das vezes, eles já levavam o material pronto para o escritório."

Se quiser rememorar as páginas da revista Alterosa, o único lugar em BH que abriga a coleção completa é a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, segundo a coordenadora da Hemeroteca Histórica do local, Priscilla Gontijo Leite. "Nosso acervo possui títulos únicos, o que aumenta a responsabilidade pela preservação das publicações. Temos mais de 550 títulos de revistas nacionais e estrangeiras. E coleções raras editadas em Minas", revela.

Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)

Além da Alterosa, a coordenadora diz ainda que existem outros periódicos preciosos na hemeroteca: Acaiaca, Três Tempos, Leite Criôlo e A Palavra. "Eles estão disponíveis para todos pesquisarem. Contudo, o acervo é frequentado, em geral, por pessoas interessadas em levantar informações para a elaboração de monografias e teses acadêmicas, produção de livros, exposições, reportagens, etc."

Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)

Outro local onde também é possível viajar pela história através das páginas envelhecidas das revistas antigas de Minas é o Instituto Cultural Amilcar Martins (Icam). O espaço conserva aproximadamente 200 títulos de periódicos. Recentemente, lançou o fac-símile da revista literária Leite Criôlo, publicação modernista distribuída no fim da década de 1920 em BH. Ele coleciona também outras obras raras, como Estrella Mariannense, publicada em Mariana, em 1830; O Recreador Mineiro, editado em Ouro Preto, em 1845; Fieramosca, de 1920; Vita, de 1913; Vida de Minas, de 1915; Tank, que, na edição de outubro de 1920 trouxe na capa a pintura do rei da Bélgica, Alberto I, então em visita ao Brasil, e matéria sobre a passagem dele por Belo Horizonte; entre outras. "Tenho também a coleção completa da raríssima revista literária A Revista, editada por Carlos Drummond de Andrade", afirma o diretor Amilcar Viana Martins Filho.

Fotos reprodução: Cláudio Cunha
(foto: Fotos reprodução: Cláudio Cunha)
 

Pensando na conservação dos periódicos antigos, o Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte digitalizou boa parte do acervo de suas revistas. "Geralmente, quem pesquisa sobre arte gráfica faz questão de ter os exemplares em mãos. E nós liberamos. Mas a nossa intenção é a total conservação das obras, para que elas possam perpetuar por gerações", ressalta a chefe da divisão de arquivos permanentes do local, Vilma Camelo Sebe. Para quem quiser acessar o arquivo digital basta entrar no site http://www.acervoarquivopublico.pbh.gov.br/. Revistas antigas, papéis envelhecidos pelo tempo. Periódicos é o que não falta para conhecer boa parte do processo de modernização da cidade. Basta escolher um e boa leitura.

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