Dores na cabeça e na mandíbula?

Podem ser sintomas de uma doença de difícil diagnóstico e mais comum do que se imagina. O ideal é não perder tempo para buscar tratamento

por Daniela Costa 09/10/2013 13:04

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Paulo Márcio
Desde os 16 anos a administradora Marcela de Brito Neves sofre com a DTM: "Comecei a ter muita dor de cabeça e deslocamento da mandíbula. Hoje uso aparelho ortodôntico para corrigir minha mordida e placa de acrílico" (foto: Paulo Márcio)
 
 
De repente, ao bocejar, você sente um clique na mandíbula. Um barulho estranho seguido de dificuldade de abrir ou fechar a boca. Dependendo do grau de estresse e ansiedade em que esteja, acorda com a gengiva dolorida de tanto comprimir os dentes durante o sono. Percebe também que os dentes já aparentam sintomas de desgaste e a mordida está desajustada. Se não bastasse tudo isso, as dores de cabeça, no ouvido, na mandíbula e musculares são cada vez mais constantes. Tudo isso tem um nome complicado: disfunção temporomandibular, ou simplesmente DTM. "Toda disfunção que envolva os músculos da mastigação e os dentes, originando distúrbios ou dor orofacial, é chamada de DTM", explica o cirurgião dentista e fisioterapeuta Marcelo Mascarenhas.

Apesar de mais comum do que se imagina, a doença é de difícil diagnóstico e, não raras vezes, depende de um longo período de investigação clínica e requer profissional capacitado. Estudos epidemiológicos estimam que 40% a 75% da população possuem ao menos um sinal de DTM, 33% apresentam pelo menos um sintoma e de 5% a 15% necessitam de tratamento. Outra má notícia é que a cura definitiva é de difícil alcance, mas o tratamento pode amenizar os sintomas. Por isso, este deve ser feito por uma equipe multidisciplinar e definido com base nos sintomas apresentados por cada pessoa, visando diminuir a dor, reduzir as cargas nas articulações maxilares e melhorar a qualidade de vida do paciente.
 
Paulo Márcio
Depois de conviver com dor contínua por 15 anos, Neiva Moura Campos hoje sorri aliviada: "Cheguei ao ponto de pedir ao dentista para arrancar o meu dente. E neste ano descobri que apenas com exercícios de relaxamento e placa bucal o meu problema seria resolvido" (foto: Paulo Márcio)
 
 
"As disfunções temporomandibulares ocorrem por diversos fatores, como traumas nas articulações e estado emocional. No caso das dores musculares, são normalmente originadas pelo excesso de uso, fadiga e tensão dos músculos faciais e da mastigação", explica Marcus Vinicius Lucas Ferreira, coordenador do curso de odontologia da FEAD/MG. Tudo isso reflete diretamente no tipo de mordida do paciente e pode resultar em bruxismo e travamento dental.
 
A DTM atinge pacientes de todas as idades, no entanto, a incidência é maior no sexo feminino e em pessoas entre 21 e 40 anos, tendo como principal combustível o estresse. A administradora Marcela de Brito Neves, de 24 anos, desde cedo sofre com o problema. "A partir dos 16 anos comecei a ter muita dor de cabeça e deslocamento da mandíbula. Hoje uso aparelho ortodôntico para corrigir minha mordida e placa de acrílico." Para amenizar os sintomas da DTM, são utilizadas placas bucais, relaxantes musculares, aplicações localizadas a laser e fisioterapia, entre outras técnicas. Em último caso, realiza-se a cirurgia da articulação temporomandibular.
 
 
 
"Buscamos sempre uma forma de tratamento que seja o menos invasiva possível", diz o ortodontista Onofre Mendes Neto. Segundo José Mário Netto Soares, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista em reabilitação oral, DTM e dores orofaciais, é possível, sim, conseguir a cura definitiva. "Desde que sejam realizados o diagnóstico e o tratamento adequados, embora possa haver recidiva em cerca de 3% dos pacientes tratados." Depois de conviver com dor contínua por 15 anos e tentar diversos tratamentos, a aposentada Neiva Moura Campos, de 68 anos, enfim, pôs fim ao seu pesadelo. "Cheguei ao ponto de pedir ao dentista para arrancar meu dente para acabar com aquela dor. Passei noites sem dormir. E neste ano descobri, por meio de um  especialista, que apenas com exercícios de relaxamento e placa bucal o meu caso seria solucionado. Foi como se tivessem tirado a dor com a mão", diz Neiva.

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