A casa das óperas

Com espetáculo em homenagem ao compositor italiano Verdi, Fundação Clóvis Salgado consagra-se como a instituição cultural brasileira que produz montagens operísticas por excelência

09/10/2013 14:57

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Fotos: Júnia Garrido
(foto: Fotos: Júnia Garrido)
 
 
Foi por gostar e valorizar demasiadamente as artes que o rei Gustavo III, monarca que esteve à frente da Suécia em meados do século XVIII, morreu. Insatisfeito com as decisões do governante, que atribuía importância especial aos pensadores e artistas da época, um nobre pertencente à corte sueca decidiu assassiná-lo durante um baile de máscaras. A dramática história, que é verídica, foi transformada em ópera pelo italiano Giuseppe Verdi em 1859 e é a escolha da Fundação Clóvis Salgado (FCS) para celebrar os 200 anos de nascimento do artista, considerado o maior compositor da Itália, com quase 30 óperas, várias delas já encenadas no Grande Teatro do Palácio das Artes. Um Baile de Máscaras estreia em 31 de outubro e fica em cartaz nos dias 2, 3, 6, 8 e 9 de novembro.
 
Júnia Garrido
Elena Toscano em meio a figurinos da ópera: a italiana está entusiasmada com o nível dos profissionais envolvidos na criação (foto: Júnia Garrido)
 
 
"Esta é a primeira obra-prima de Verdi. É a peça que marca o grande salto de qualidade que ele viveu em sua carreira. Para mim, é uma alegria imensa dirigir um espetáculo dessa importância. Já havia tentado encená-lo quando estava à frente do Theatro Municipal do Rio, em 1989, mas não deu certo. Vejo aqui uma oportunidade de tratar uma frustração de 24 anos", diz o diretor artístico Fernando Bicudo, que é grande conhecedor da obra do italiano. Ele já dirigiu diversas montagens de seus livretos, inclusive o recorde mundial de público em espetáculos de ópera, Aida, encenada nos anos 1980, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e que teve público de meio milhão de pessoas. Bicudo tem mais motivos para comemorar: é o primeiro diretor, em 43 anos de existência da FCS, a ser convidado para montar duas peças seguidas – a última foi Fedra e Hipólito, ópera encenada há apenas quatro meses na capital mineira.
 
Samuel Gê
Fernanda Machado, presidente da Fundação Clóvis Salgado, destaca a importância da produção e exibição de montagens operísticas: formação de público (foto: Samuel Gê)
 

Tão experientes quanto Bicudo são os profissionais envolvidos na montagem da peça. Foram convidados a fazer parte do time o cenógrafo paulista Renato Theobaldo, com quase 30 anos de experiência e diversos prêmios no currículo, e a figurinista italiana Elena Toscano, que traz formação europeia significativa para a caracterização de época do elenco. "É um privilégio contar com um espaço tão rico e uma mão de obra de confiança, capaz de tirar do papel os desenhos produzidos com muita pesquisa e sob orientação do diretor", diz Elena. Se a parte visual é fruto do talento "importado", a execução musical fica a cargo das pérolas locais: a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais.
 
Samuel Gê
O diretor artístico Fernando Bicudo: o primeiro a ser convidado pela instituição a dirigir duas montagens em sequência (foto: Samuel Gê)
 

A própria FCS é outra referência importante na montagem de espetáculos desse tipo no Brasil: foram mais de 70 produções encenadas desde 1971 (veja linha do tempo), ano de inauguração do Palácio das Artes. A regularidade das óperas na grade formou um público que, hoje, tem se transformado e agregado novos admiradores, como avalia a nova presidente da instituição, Fernanda Machado: "A fundação, como parte do aparelho estadual de políticas de cultura, tem grande responsabilidade em promover não apenas o acesso a atrações das mais diversas naturezas, mas possibilitar a formação de um público crítico. Por isso, nossa preocupação é manter uma grade diversa, mas também promover encontro dos espectadores com os artistas, palestras, bem como expor o processo de produção das obras", afirma.
 
Em Um Baile de Máscaras, que custou R$ 1,5 milhão, a programação inclui visitas guiadas aos espaços do Palácio das Artes, minipalestras sobre o contexto histórico da obra e conversas com os artistas envolvidos na produção, sempre com entrada gratuita e número de vagas limitado.
 
 
 
 

Para entender mais

Nascido em Milão, em 10 de outubro de 1813, Giuseppe Fortunino Francesco Verdi foi um dos compositores italianos de ópera mais influentes do século XIX. Suas obras são enquadradas no período romântico e são executadas em todo o mundo. O espetáculo que inaugurou a produção de óperas na Fundação Clóvis Salgado foi justamente uma obra de Verdi: La Traviata, em 1971.
 
A peça Um Baile de Máscaras sofreu censura na época de seu lançamento, obrigando o autor a renomear os personagens e transferir a história para os Estados Unidos. Para a montagem atual, o diretor Fernando Bicudo recuperou a história verdadeira e decidiu usar os nomes reais dos personagens.
 
 

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