Esculpindo emoções

Artista plástica mineira desponta no ramo das esculturas em bronze e cerâmica e faz sua primeira mostra individual. Carro-chefe é a figura humana

por Fernanda Nazaré 09/10/2013 15:28

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Eugênio Gurgel
A artista Raquel Arantes: agora totalmente dedicada à arte, ela esculpe figuras humanas com inspiração mitológica (foto: Eugênio Gurgel)
 
 
O desejo de fazer arte sempre esteve lá, reservado para ganhar vazão em algum momento da vida. Raquel Arantes esperou as três filhas crescerem e o marido engenheiro se aposentar e voltar de vez a Belo Horizonte. Nos últimos dez anos, o que antes era uma brincadeira com as filhas, esculpir, virou profissão e reconhecimento de um talento nato. "Agora posso me dedicar 100% à arte", diz Raquel.
  
Com cursos de especialização em São Paulo com Cícero D'Avila e no ateliê Sônia Toledo, em Belo Horizonte, Raquel aprendeu técnicas em argila, produção de mandalas e de figuras humanas inspiradas em seres mitológicos. No exterior, a artista fez curso de modelagem de máscaras venezianas em Florença (Itália) com Agostino Dessí; pintura em cerâmica com Damiana Rossetti em Radda (Itália); e artesanato em couro com Maria Dolores Rodriguez em Córdoba (Espanha).
 
A artista já participou de várias exposições coletivas, mas a primeira mostra com peças exclusivamente dela esteve recemente em cartaz no Museu Inimá de Paula, de julho a agosto. Intitulada Albernaz, a exposição da escultora flerta com figuras em bronze da mitologia grega e peças expressivas da contemporaneidade. A sua primeira mostra-solo foi batizada com o seu sobrenome do meio, uma maneira de homenagear o pai e a família, que a apoiou na "redescoberta" do seu talento.
 
A versatilidade da artista vem da infância. Filha de costureira, ela herdou da mãe o talento com trabalhos manuais. "Lembro que, ainda criança, eu fazia as minhas bonecas de pano", diz Raquel, que também participa de um grupo de bordadeiras, faz relevo em couro e mandalas de cerâmica. 
 
Arquivo pessoal
Inspiração pessoal: a peça Maria do Carmo é uma homenagem às mãos de uma das integrantes do grupo de bordadeiras, e que inspira Raquel também nos trabalhos com a agulha (foto: Arquivo pessoal)
 

O carro-chefe da artista é esculpir a figura humana, às vezes de corpo inteiro ou apenas mãos ou bustos. O trabalho começa a ser feito com uma massa chamada plastilina, que tem a aparência de argila, mas não resseca e pode ser reutilizada. Após medir todos os cantos do corpo humano a ser modelado com simetria, Raquel tenta se desapegar de detalhes e entregar a obra para um fundidor fazê-la em bronze. "Eu sempre acho algo a mais para acrescentar e aperfeiçoar. Procuro sempre dar vida à escultura. É difícil parar de construir", conta.
 
Suas peças podem chegar a R$ 15 mil quando feitas em bronze. Em cerâmica, o preço fica mais acessível. Mas as obras de Albernaz poderiam até ter um valor mais alto em razão de um imprevisto ocorrido durante o processo criativo: vários protótipos e a escultura pronta de Vênus foram roubados durante um assalto no ateliê em São Paulo. Raquel voltou para Belo Horizonte desolada, mas não desistiu de recuperar o trabalho. "Roubaram o carro com tudo no porta-malas. Mas disse para mim mesma que eles podem ter levado o material, mas não o meu conhecimento", afirma. A artista refez todas as obras furtadas, inclusive a escultura de Vênus em bronze que já estava completa.

O que começou como hobby hoje se tornou uma profissão de dedicação em tempo integral. Para a artista, o mercado de arte no Brasil está crescente e expor novos artistas em museus tem sido uma ação positiva para alavancar o segmento. "O público que visita museus é o mais variado possível e isso está diversificando o perfil de pessoas que têm se interessado por arte", comemora.

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