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Revistas, programas de televisão, blogs e encontros literários são decisivos no incentivo à leitura

09/10/2013 17:26

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Roberto Rocha
Rejane Dias, diretora-executiva do grupo Autêntica: editoras mantêm blogs próprios para divulgar seus lançamentos e incrementar vendas (foto: Roberto Rocha)
 
 
"Agora é que a meninada não lê mais mesmo." No início dos anos 1990, quando a internet começou a invadir os lares brasileiros, essa frase era comum de ser ouvida entre professores. Assustados com as mudanças comportamentais que a rede mundial de computadores provocava na sociedade e no ensino, alguns educadores vaticinavam, de forma definitiva: o hábito da leitura estava mesmo com os dias contados.
 
Passadas mais de duas décadas, a catastrófica previsão não poderia se revelar mais equivocada: em todo o país, as vendas físicas de livros durante esse período não pararam de crescer. Diferentemente do que supunham os apocalípticos, a internet não afastou as novas gerações do mundo dos livros. Pelo contrário: as redes sociais se transformaram em um dos instrumentos de apoio para editores e livrarias divulgarem obras e aumentarem as vendas. "As grandes revistas e os programas de televisão ainda são os maiores impulsionadores das vendas de livros", conta o empresário Marcus Teles, da Livraria Leitura. "Mas não dá para negar: na última década, a internet se transformou em um importante canal de comunicação, sobretudo em alguns setores, como o do livro infantojuvenil", diz. Para Teles, a grande rede de computadores funciona, inegavelmente, como um significativo instrumento de marketing. "Estamos sempre indicando novos livros, via e-mail, para nossos clientes. Mas, claro, sempre com bastante critério e atentos ao gosto de cada um. O segredo é recomendar um livro que possa realmente interessar ao nosso cliente. E não encher a caixa-postal dele com dicas que não interessam", explica.
 
Isabella Maiolino
A escritora mineira Liliane Prata: "Estou o tempo todo interagindo com os meus leitores por meio do meu site, onde posto alguns trechos dos meus livros. E o resultado tem sido muito satisfatório" (foto: Isabella Maiolino)
 

Além do velho e bom e-mail, que sempre corre o risco de não chegar ao seu destino caso seja barrado por algum programa antispam, outra ferramenta do mundo virtual já virou coqueluche: os blogs. Atentas a essa nova tendência, as principais editoras do país possuem os seus, nos quais promovem lançamentos e dão dicas de leituras. Caso da editora mineira Autêntica, hoje uma das grandes casas editoriais do país. "A internet é mesmo um belo parceiro", afirma Rejane Dias, diretora-executiva do grupo Autêntica. Ela, que comanda a empresa mineira criada em 1997 com foco em publicações acadêmicas e que hoje também atua no mercado infantojuvenil, não hesita um instante quando perguntada sobre onde vai buscar novos escritores. "Entre um escritor que se movimenta bem pelo mundo dos blogs e outro que não tem intimidade com a internet, escolho sempre o primeiro", diz a editora, que foi a responsável pelo lançamento de escritores que se transformaram em autores de best-sellers, como Paula Pimenta e Bruna Vieira. Em tempo: as duas autoras surgiram antes na web e só mais tarde ganharam o livro impresso.
 
Já para a escritora Liliane Prata, a grande contribuição da internet para o mercado editorial foi aproximar o autor do leitor. Hoje, muitos escritores têm sites e conversam com seus fãs na rede. Para ela, o escritor deixou de ser uma figura inatingível, que vive em uma torre de marfim, isolado e sacralizado. "Estou o tempo todo interagindo com meus leitores no meu site. Por meio dele, eles ficam sabendo da minha agenda e posto alguns trechos dos meus livros. O resultado tem sido muito satisfatório", diz a autora mineira radicada em São Paulo e que, durante muitas semanas, teve o seu O Diário de Débora como um dos livros mais vendidos do mês no país.
 
Eugênio Sávio
Afonso Borges, do Sempre um Papo: "Fico feliz com todos esses festivais literários espalhados pelo país" (foto: Eugênio Sávio)
 

Se o mundo virtual ajudou a alavancar a venda de livros, os encontros literários, que se tornaram verdadeira mania na última década no país, são ainda outro aliado de peso. E que, aos poucos, vão criando o hábito de leitura em uma sociedade onde esse costume é ainda, infelizmente, exceção. "Fico muito feliz com todos esses festivais literários espalhados pelo país. O Sempre um Papo, que eu criei há quase 30 anos, foi uma espécie de semente de todos esses eventos", afirma o jornalista Afonso Borges, que também é o curador do Fliaraxá, que movimentou Araxá no mês passado levando ao interior de Minas autores brasileiros de renome. Afonso, junto com a aplicadíssima Guiomar de Grammont, que todo ano realiza o Fórum das Letras em Ouro Preto, acredita que seu trabalho ajuda a aumentar o número de leitores em todo o país. "O Ibope publicou uma pesquisa que mostra que Belo Horizonte é uma das cidades onde mais se lê no país. Acho que contribuímos para isso", diz.

A pesquisa do Ibope, já abordada por Encontro, foi realizada de julho de 2011 a agosto de 2012 e mostrou que 41% dos belo-horizontinos leem pelo menos um livro por mês. O número é igual ao registrado em Porto Alegre e maior do que a média nacional, que é de 33%. Das cidades pesquisadas, Brasília aparece na sequência, com 37%. Vêm depois Curitiba, com 34%, e Rio de Janeiro e São Paulo, ambas com 33%. Dos belo-horizontinos ouvidos, 53% declararam ler com frequência e 47% disseram que leem somente às vezes.

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