Minas inspira décor

Em sua 19ª edição, a Casa Cor Minas Gerais evoca mineiridade e estilo de decoração singular. Pela primeira vez, o evento acontece no espaço projetado por Oscar Niemeyer, na Pampulha

por Guilherme Torres 10/10/2013 12:30

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Jomar Bragança
Casa projetada por Oscar Niemeyer em 1954 e à venda por cerca de R$ 7 milhões é sede da Casa Cor Minas Gerais deste ano: para exaltar os detalhes originais da obra, a curadoria da mostra estipulou que 50% do piso e das paredes internas não poderiam ser cobertos. (foto: Jomar Bragança)

Mais desafiadora e menos monumental, a Casa Cor Minas Gerais deste ano tem a proposta de decorar e apresentar tendências e novidades sem roubar a cena da rara obra de arte que dá o tom desta edição: uma casa projetada pelo imortal Oscar Niemeyer. Unifamiliar e modernista, ela foi erguida em 1954 em uma área de 5 mil m2, na Pampulha, para a família Dalva Simão, e é parte das obras que marcam um momento importante na carreira do arquiteto. Enxutos e com o tema “Um olhar muda tudo”, os 34 ambientes foram decorados por 50 arquitetos e decoradores que exaltam a vocação mineira para o moderno.
 
“Existe uma admiração do Brasil inteiro pela decoração de Minas Gerais. É um trabalho mais bem cuidado, com uma tradição de marcenaria e com uma indústria muito sólida que pode ser vista em qualquer ambiente da mostra. A Casa Cor do Rio de Janeiro, por exemplo, sempre apresenta uma leitura mais clean, leve e colorida. Já em São Paulo, são ambientes com conceito mais fechado e cores mais pesadas. Aqui, temos uma elegância própria”, diz o diretor, João Grilo, que espera receber 50 mil visitantes – 30% a mais do que no ano passado – até o dia 22 de outubro.

Jomar Bragança
Em uma composição leve, a designer de interiores Lena Pinheiro decorou o living de dois ambientes da casa: o piso e o revestimento da parede ao fundo, de jacarandá e peroba-do-campo, foram restaurados e deixados à mostra. (foto: Jomar Bragança)
 
Convidados a criar os critérios, diretrizes e orientar os profissionais de como seria ocupar esse espaço “sagrado”, os arquitetos e curadores da mostra Eduardo Beggiato e Edwiges Leal contam que o trabalho não poderia confundir o visitante e criar uma falsa interpretação da real arquitetura do lugar. Para isso, entre as medidas adotadas, não foi permitido que houvesse cobertura por móveis, tapetes, quadros e outros adornos de mais de 50% do piso de jacarandá e peroba-do-campo e das paredes curvilíneas, quase todas intocáveis desde 1970, quando a casa passou por pequena reforma. Rebaixar o teto para criar pontos de luz específicos, tão comuns nos projetos, também não foi possível dentro da casa.
 
Nos ambientes externos que ocupam o jardim, pôde-se usar de mais recursos arquitetônicos. “Cada projeto teve avaliação individual e o uso dos móveis baixos foi um dos pedidos para que pudesse ocorrer a leitura visual das formas originais. Em geral, a mostra permite diversas possibilidades de arquitetura, mas neste caso menos é mais, e isso contribuiu para a autenticidade do trabalho mineiro”, explica Edwiges. O ponto alto de motivação nesta Casa Cor, segundo ela, foi a oportunidade de mais uma vez chamar a atenção do público para a memória e cultura mineira. “Não estamos simplesmente pegando o espaço e colocando dentro dele o último grito da moda de Milão ou a cor do momento. Estamos criando harmonia entre tendências e um legado do passado, uma joia rara, como é esta obra”, conta a arquiteta.

Jomar Bragança
Projetada pelo arquiteto Pedro Lázaro, a Sala Minas Gerais evoca mineiridade e associa alta tecnologia, tradição e cultura na arquitetura: entre os detalhes do ambiente, a pedra-sabão usada foi extraída e produzida na cidade de Mariana. Já o piso é de madeira de reflorestamento de Curvelo. (foto: Jomar Bragança)
 
Entre os ambientes da mostra, a Sala Minas Gerais, criada pelo arquiteto Pedro Lázaro, faz jus ao nome. “O espaço reflete a vocação mineira para o modernismo brasileiro, que começou no Rio de Janeiro e se consolidou na Pampulha. O mais significativo aqui é trabalhar a arte contemporânea, o design e a nossa indústria. Hoje somos polo de produção de arquitetura com muita intensidade, grandes profissionais e tecnologia de ponta, resgatando valores locais. E assim dialogamos internacionalmente”, diz Pedro Lázaro.

Jomar Bragança
Fazendo referência à década de 1950, a arquiteta Eduarda Corrêa projetou a suíte do casal com linguagem contemporânea e elementos sem modismos: a cabeceira ganhou painel curvo de ripas de madeira, em referência à arquitetura e detalhes originais da casa. Também são usadas obras de arte pertencentes a um colecionador particular, com destaque para Burle Marx. (foto: Jomar Bragança)

Na concepção da arquitetura da sala, todos os elementos respiram o estado. Os blocos que formam as paredes são de aço carbono, produzidos em Minas. A pedra-sabão que reveste parte do piso e paredes foi extraída e produzida com tecnologia especial de corte e processamento na histórica Mariana. A estrutura do forro e do piso externo em madeira de reflorestamento veio da cidade de Curvelo. No mobiliário, há peças de jovens designers da Líder Interiores e a iluminação contou com trabalho de uma empresa mineira que começou como revendedora e hoje é uma das principais fabricantes do país. Detalhes primorosos da decoração ficaram por conta da desenhista industrial Cyra Lobo e do artista plástico Máximo Soalheiro. “A Cyra trabalha cores, texturas e tecidos do jeito mineiro mais interessante que eu já vi no mundo. Ela reflete o nosso modo de ser e ao mesmo tempo agrada e vende seus produtos na Le Bon Marché, em Paris, e na Harrods, em Londres. Já o Máximo é um grande pesquisador, que começa seu trabalho buscando em solo mineiro toda a referência cromática da cerâmica que usa”, diz Lázaro.

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