Famílias políticas mineiras

"Minas ainda mantém forte presença de homens que nasceram dentro do compromisso de servir a sociedade, dando e não recebendo, honrando o legado de seus maiores"

por Aristóteles Drummond 10/10/2013 12:47

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João Franzem Lima foi dos mais marcantes mineiros de sua época. Polivalente, pois foi notável jurista, até hoje referido nos tribunais por seus trabalhos relacionados ao Código Civil, sendo abundantes as sentenças que se baseiam na chamada "doutrina João Franzem de Lima". Gostava das letras jurídicas e mais ainda de dar aulas na Universidade de Minas Gerais, nas faculdades de Direito e de Ciências Econômicas. Desta última foi fundador.

No entanto, seu patriotismo sólido, marca da instrução dos homens como ele formados no culto a Deus, à Pátria e à Família, levou-o ao jornalismo e à política. Ao dirigir o Diário, em pleno Estado Novo, sua autoridade ética e moral era de tal monta que o jornal não sofria censura prévia como os demais da imprensa brasileira. Signatário do Manifesto dos Mineiros, foi vereador em Belo Horizonte por duas vezes e prefeito nos 50 anos da capital, cuja criação se devia à mensagem de seu tio, Augusto de Lima, quando presidente do estado. Fundador e referência da UDN, em Minas, era parte do grupo ilustre de mineiros que militaram naquele partido, como Pedro Aleixo, Milton Campos, Oscar Dias Corrêa, Bilac Pinto, Magalhães Pinto e Elias de Sousa Carmo, entre outros.

Herdeiro do compromisso social de seus maiores, seu pai, Bernardino, foi jurista de referência, famoso pelo senso de justiça e correção, e pela ligação com a terra mineira do avô José Severiano de Lima, o Juca da Califórnia, grande proprietário em Sabará, nas terras que hoje formam o município de Nova Lima. Presidiu O Banco Credito Real e foi diretor da Cemig. Mas também transmitiu esse compromisso a sua descendência, como ao filho Bernardino, um dos líderes da chamada "esquerda democrática" em Minas, onde foi destaque no movimento estudantil pelo monopólio estatal do petróleo, via Petrobras, no final dos anos 1940.
 
Bernardino deixou cinco filhas de presença política e cultural e já desponta um neto, Antonio Pedro Lima Pelegrino, advogado e cultor das origens mineiras, que vem também dos avós do lado paterno, o companheiro do materno, Helio Pelegrino e da avó Maria Urbana Pentagna Guimarães. Antonio Pedro carrega a vocação das letras jurídicas, da política e da pesquisa histórica, voltada especialmente para Minas Gerais. Rui, um dos outros filhos, permaneceu na UDN mais conservadora.
 
João Franzem foi casado com Ester, irmã de Aníbal e Christiano Machado, uma mulher de muita personalidade e presença em sua geração. O panorama político brasileiro mudou muito de perfil. Minas ainda mantém forte presença de homens que nasceram conforme o compromisso de servir a sociedade, dando e não recebendo,  honrando o legado de seus maiores, vide excelentes parlamentares como Bilac Pinto Neto, Paulo Abi-Ackel, Rodrigo de Castro, duas vezes o mais votado, Bernardo Vasconcelos, o decano Andrada – família no Parlamento desde o Brasil Reino-Unido, na bancada federal e estaduais como  Gustavo Correa, o pai  e os dois avós, Oscar Corrêa e Gilberto Faria, foram deputados, Gustavo Valadares, Lafaiete Andrada Agostinho Patrus, Gustavo Perrela , Thiago Ulisses e tantos e tantos outros.

Mas é preciso que se estimulem essas vocações, para a consolidação das instituições democráticas, abaladas pela sucessão de escândalos que o país vive desde os anos 1990. Um incessante processo de admirável investigação – ora a cargo da imprensa, ora dos próprios políticos, ora do Ministério Público – não deixa mais no anonimato os que erram. Mas é curioso que, mesmo assim, a prevaricação continua a correr solta e por vezes impune. E o compromisso com a terra mineira fez com que alguns de seus maiores políticos permanecessem sempre na política local, como Pio Canedo, Dênio Moreira, Alberto Pinto Coelho.

Nenhum estado brasileiro apresenta esse tipo de sucessão familiar. Nos  governadores, tivemos João Pinheiro e o filho Israel, hoje representado por Fabio João Pinheiro; Bias Fortes, pai e filho, com a ex-prefeita de Barbacena Danuza; Tancredo Neves com Aécio Neves Cunha, filho e neto pelos dois lados de parlamentares.

Precisamos recordar homens assim. E estimular a mocidade a participar, a ter o sentimento do compromisso com o Brasil, que ninguém pode ser feliz vivendo numa sociedade dominada pela corrupção, pelo egoísmo, por radicalismos, violência e injustiças. Esta noção é que as gerações anteriores tinham muito clara, na ética, no compromisso e na busca do consenso, na política do respeito e do reconhecimento.

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