Futurismo engajado

por José João Ribeiro 10/10/2013 16:15

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Divulgação
Wagner Moura (dir.) em cena do filme Elysium: estreia luminosa entre o elenco internacional (foto: Divulgação)
Uma tremenda responsabilidade do diretor-garoto Neil Blomkamp, a de manter a mesma surpreendente e sensacional qualidade de seu filme de estréia, Distrito 9. Pois nesse segundo trabalho, supervisionado com lupa por um megaestúdio (Sony), a ficção científica Elysium  impõe a mesma  coerência, o mesmo raciocínio, quer dizer, o idêntico padrão do longa-metragem do começo. O novo blockbuster representa um bocado de inteligência em uma fraquíssima temporada e abusa do atrevimento que Hollywood sabe muito bem manipular: o flerte obsceno e indispensável do cinema americano com todo o ideário socialista e o retrato persistente e lamentável da desigualdade social.

No século XXII, a terra se encontra devastada. Os recursos naturais se esgotaram e a desordem se instaurou em meio a um ambiente miserável, marginalizado e poluído. O aparente controle está concentrado nas mãos de bandidos, milicianos e agentes policiais, com tipão de robocops. Acima de toda essa escória, fica o paraíso Elysium, uma espécie de condomínio superluxuoso, reservado para os muito ricos, distante de qualquer violência, criminalidade e todo tipo de mazelas e doenças.

E a luta de classes é mais um detalhe, nesses verdadeiros universos paralelos. Não havia comunicação direta entre os dois planos. Até que... O herói que vive no planeta destruído é interpretado pelo excelente Matt Damon (Max), inspirada escalação. Ponto positivo da maturidade do jovem cineasta Blomkamp, que soube insistir em um nome de "conteúdo", descartando as estrelinhas passageiras, que os estúdios teimam em promover. No contraponto, uma síndica sofisticada comanda com mãos de ferro o chique jardim-bairro Elysium, papel entregue à veterana atriz Jodie Foster. A intérprete rege todas as vilanias da produção sci-fi, com inesperado carisma. Difícil não se prender à megera pedante de madame Foster, que empresta seu já conhecido e impecável francês para caprichar o quase impossível na composição da personagem.

Para os brasileiros, o filme engajado, um assumido cult-pipoca, tem um ingrediente a mais: as presenças dos "nossos" Alice Braga e Wagner Moura no ótimo e farto elenco internacional, que ainda conta com o sul-africano Sharlto Copley (protagonista de Distrito 9) e com o boa-praça mexicano Diego Luna. 

Da Alice, basta pontuar que, conforme se tem visto, trabalho não lhe faltará em terras estrangeiras. Quanto a Wagner Moura, seu esforço e sua estreia luminosa nesse novo mercado justificam toda a euforia da mídia com o ator nas últimas semanas. Se tiver sabedoria, paciência e, claro, um interessado agente, a carreira do brasileiro nos EUA poderá evoluir bastante.

A chegada de Elysium prova a urgência de Hollywood em se comunicar com os chamados mercados emergentes. A escolha pela diversidade, pelo rosto estrangeiro, é clara e definitiva nos rumos do cinema de hoje. Muito melhor, praticar essa novíssima lógica de um jeito mais respeitoso, digno, sem agredir nem subestimar inteligências, como bem exerce o diretor Neil Blomkamp.

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