Pequenas divas

Apesar de raras e caras, as orquídeas despertam paixões e conquistam milhares de colecionadores na capital mineira. Curiosamente, os homens são a maioria dos cultivadores da planta

05/11/2013 17:27

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Samuel Gê
Família de plantas entre as mais belas do planeta, as orquídeas são cada vez mais apreciadas por consumidores que chegam a pagar R$ 2 mil por muda: cultivo requer cuidados especiais (foto: Samuel Gê)

Delicadas, frágeis e multicoloridas. Como não apreciar todo o capricho da natureza ao vislumbrar uma orquídea? Sua beleza atrai adoradores de todo o planeta, que se encantam com suas mais de 30 mil espécies em diversas formas, cores e tamanhos. "Seu colorido de veludo, a graça leve do seu desenho, o tênue caule de tão delicado verde... quem pode deixar de sentir tanta beleza?", já dizia a poeta Cecília Meirelles.

Além de raras, as pequenas divas também podem ser caras, com um custo que varia de R$ 15 a R$ 2 mil. Algumas – de colecionadores – não têm preço comercial. Exigentes, as orquídeas têm lá suas preferências, entre elas, ficar alojadas em bancadas ou em suportes suspensos, e não ser atingidas diretamente pela luz solar. A maioria necessita de adubos e substratos como casca de árvores e de macadâmia. E todas, sem exceção, precisam de um clima ideal para absorver a umidade do ar. Por isso, não devem ser regadas diariamente, o que pode inclusive apodrecer suas raízes. "Elas são regadas de acordo com a necessidade de cada espécie e com a temperatura do ambiente. Processo que pode ser feito de forma manual – o que para mim é uma terapia – ou de forma eletrônica", diz Maria Auxiliadora Cavalcanti, de 73 anos. Há 14 anos, quando vendeu o seu haras, ela decidiu comprar uma casa de campo na região da Pampulha. Foi quando descobriu uma nova paixão. "Ganhei alguns vasos de orquídeas e comecei a cultivá-las. Pouco tempo depois, já tinha montado meu próprio orquidário, que hoje conta com cerca de 800 espécies", diz Auxiliadora. Detalhe: todas etiquetadas e com dados como espécie, procedência, data da compra, preço e data que floriu registrados em um fichário.  Em troca de tanta dedicação, as orquídeas agradecem florindo uma vez ao ano.
 
Samuel Gê
O cirurgião plástico Teodoro Gontijo, de 40 anos: "Cresci em um sítio próximo a Nova Lima e, desde cedo, tive contato com a natureza. Foi aí que descobri as orquídeas" (foto: Samuel Gê)
 

Curiosamente, 60% dos cultivadores da planta são homens. "Eles chegam a ter ciúmes das flores e até nos escondem algumas técnicas", brinca Gleusa Dayrell, presidente da Associação Mineira de Orquidófilos (AMO). Segundo ela, Minas Gerais tem tradição no cultivo da planta, perdendo apenas para o Espírito Santo. Tanto que, em outubro, foi realizada na cidade a 34ª Exposição Nacional de Orquídeas e a 4ª Feira de Orquídeas da capital. "O aumento do faturamento do  setor de floricultura esse ano foi de 12%. Em 2012, nosso volume de vendas girou em torno de R$ 40 mil por feirante durante o evento", diz Gleusa.

Samuel Gê
Gleusa Dayrell, presidente da AMO, garante que a planta atrai sobretudo o público masculino: "Eles têm ciúmes das flores e até nos escondem algumas técnicas de cultivo" (foto: Samuel Gê)
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Maria Auxiliadora Cavalcanti, de 73 anos, teve contato com a planta quando vendeu seu haras e comprou casa na Pampulha: "Em pouco tempo, já tinha montado meu orquidário" (foto: Samuel Gê)

O cirurgião plástico Teodoro Gontijo, de 40 anos, não esconde o amor que tem pelas flores. "Cresci em um sítio próximo a Nova Lima e, desde cedo, tive contato com a natureza e convivi com várias plantas nativas. Foi aí que descobri algumas espécies de orquídeas e as cultivo desde os 11 anos de idade". Atualmente, o médico tem mais de mil plantas em seu orquidário, divididas em poucas espécies. "Não cultivo variedade porque é difícil adaptá-las em um mesmo espaço", diz. Sobre a preferência masculina pelas orquídeas, ele explica. "Elas realmente têm um forte valor afetivo. Fazem parte da família". Como se vê, são, de fato, pequenas divas.

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