O filho da alegria

Escultor mineiro faz de seu trabalho um instrumento para proporcionar felicidade às pessoas. Sua obra integrou o 18º Circuito Internacional de Arte Brasileira, que passou por Itália, Tunísia e República Dominicana

06/11/2013 15:24

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Geraldo Goulart
Ronaldo Lara entre suas peças: "As pessoas ainda estão aprendendo a valorizar a arte. Não importa, não desisto dela" (foto: Geraldo Goulart)

Com formão e martelo em mãos, o escultor Ronaldo Lara, de 56 anos, faz da madeira seu objeto mais precioso. Para ele, entalhar é dar asas à imaginação, com o intuito de proporcionar alegria e alento às pessoas. "Para ser feliz é preciso fazer o próximo feliz", diz, olhando para uma de suas obras, intitulada Os Filhos da Alegria, que está no quintal de sua casa e vive chamando a atenção de vizinhos. Pela primeira vez, ele conseguiu levar essa alegria toda para além das fronteiras do Brasil, durante o 18ª Circuito Internacional de Arte Brasileira, que passou por Tunísia, Itália e República Dominicana. O evento, que contou com outros trabalhos de artistas brasileiros, encerrou-se no início de outubro.
  
Nascido em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, Ronaldo contou com o incentivo dos pais, que não tiveram dúvida em apoiar o dom do filho. Autoditada, Ronaldo teve o primeiro contato com a arte de esculpir madeiras no colégio, nas aulas de educação artística. "Quando vi, já estava pedindo ao meu pai que trouxesse alguns pedaços de madeira para casa", afirma. Aos 22 anos, produziu suas primeiras obras e, com a ajuda do pai, conseguiu vender algumas de suas peças no Palácio dos Leilões, em Belo Horizonte. Uma de suas primeiras esculturas foi um Cristo, de 1,70 m, em 1982, que atraiu a atenção de amigos e de outros artistas.

Geraldo Goulart
Peça em madeira: a arte do escultor passeia pelo barroco, surrealismo e fantástico (foto: Geraldo Goulart)
    
Aliás, além dos pais, entre as pessoas que mais o incentivaram estão os artistas plásticos mineiros Amilcar de Castro, Vicente Bretas e Geraldo Teles de Oliveira, o G.T.O. Foram eles também que o aconselharam a procurar um curso de desenho para ajudá-lo na hora de pôr a mão na massa, ou melhor, na madeira. Foi aí que resolveu procurar a tradicional Escola Guignard, na década de 1950, quando funcionava no Palácio das Artes, no centro de BH. "Os grandes mestres falavam que, antes de esculpir, era imprescindível saber desenhar a ideia", afirma. Durante a carreira, passou a trabalhar com outras matérias-primas como pedra-sabão, cerâmica e argila. Contudo, seu trabalho ganhou notoriedade e elogios a partir da madeira.

Ronaldo já fez inúmeras imagens de santos, fato que lhe rendeu o carinhoso apelido de “santeiro” na rua onde mora. Suas obras levam a carga do barroco, mas há peças que lembram o surrealismo, o fantástico. Ronaldo confessa que as peças que remetem à escola de Aleijadinho são as que mais fazem sucesso em sua terra natal. "As pessoas ainda estão aprendendo a valorizar a arte. Não importa, não desisto dela", diz, ao lembrar as dificuldades de ganhar a vida com a venda de suas esculturas. Por isso, o artista optou por obras que sejam de fácil entendimento, para que todas as pessoas possam se sentir atraídas por elas. Seu próximo projeto é homenagear os imigrantes que ajudaram a construir Betim, uma espécie de memorial para a cidade. Em dezembro, seus trabalhos serão expostos na Fundação Mokiti Okada, em São Paulo (SP), uma exposição coletiva, na qual os paulistanos poderão conhecer e apreciar a habilidade do betinense.

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