Revolução em órbita

por José João Ribeiro 07/11/2013 14:39

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IMG Gravity/Divulgação
Sandra Bullock em cena do filme Gravidade: trabalho primoroso e sensível (foto: IMG Gravity/Divulgação)
 
 
O novo filme do mexicano Alfonso Cuarón, Gravidade (Gravity), provocou uma euforia que há muito não se via na crítica cinematográfica. Um entusiasmo, é bom acrescentar, genuinamente legítimo. Com um requinte dosado, o diretor consegue misturar a proposta de entretenimento com as mais variadas bases de uma atual e explícita revolução. Para tamanha empreitada, dispensou-se, no entanto, qualquer atalho mais rebuscado ou gorduroso. Mais objetivo, direto e didático com seus cravados 90 minutos, impossível. Diga-se de passagem: os 90 minutos mais bem aproveitados e rápidos, na perspectiva do público, dos últimos anos.

A história sci-fi de uma astronauta-engenheira (Sandra Bullock, no auge, simplesmente divina) que tenta sobreviver após um terrível acidente em plena missão surpreende não só pelas inspiradas imagens do espaço e do “planeta-água” de fundo, mas ainda pela novíssima forma de comunicação e transmissão da arte para o espectador. Com a tripulação praticamente dizimada, a personagem de Bullock, devagar, vai descarregando suas frustrações, seus dilemas e, ponto alto, um difícil trauma familiar. A princípio, sem nenhum apego com centelhas de esperança ou vontade de sobreviver. Em oposição, o astronauta gaiato, vivido pelo gigante George Clooney, defendendo com gosto o brilhante projeto.

O cineasta Alfonso Cuarón reconsidera, a partir de Gravidade, um novo aproveitamento da tecnologia 3D, que vem sendo tão maltratada, com a desculpa do lucro necessário. Essa decisão é só o começo, para a beleza delicada das imagens reproduzidas do espaço, do excelente uso nos efeitos visuais e sonoros, emendado no compromisso ilimitado e inteligente, oposto aos radicalismos das normas científicas, não atrasando nem comprometendo a fluidez da narrativa.

Justiça seja feita, Gravidade não atingiria metade de sua qualidade sem o trabalho primoroso e sensível de Sandra Bullock. Grande parte da ação é unicamente sustentada na iluminada presença da estrela. O diretor latino soube muito bem escalar sua protagonista. Numa segunda e menos apaixonada análise, é prático notar que Sandra Bullock é capaz de diluir possíveis falhas que comprometeriam a produção, como um exagerado didatismo, expresso em uma incômoda linguagem do tipo jogral.

Gravidade é, sem dúvida, o filme mais quente e de franco sucesso na recente temporada do ouro. Contudo, padece de ter entrado no circuito cedo demais, muito longe da premiação mais importante, a da Academia. Por outro lado, o vencedor do último Oscar na categoria de melhor filme, Argo, também entrou em cartaz no "cruel" mês de outubro. Uma exceção, como filme consagrado, que não ganhou as telas nas derradeiras semanas do ano.

Com uma considerável parte da crítica, desde as primeiras resenhas, apontando-o como uma imediata obra-prima, Gravidade apresenta-se forte favorito a diversos prêmios, nas mesmas pegadas do também revolucionário 2001 – Uma Odisseia no Espaço, do mestre Stanley Kubrick, de 1968. A protagonista merece as mesmas credenciais, ou seja, Sandra Bullock larga com folgada vantagem na conquista dos desejados troféus. E, para fechar, o novo criador Cuarón, que, com sabedoria, assumidamente, bebeu na fonte do professor Kubrick.

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