Meu time minha paixão

Eles têm uniformes dos times, vão aos estádios, elegem seus ídolos e até dão palpites sobre como melhorar o desempenho das equipes. Conheça pequenos torcedores de Atlético, América e Cruzeiro que são verdadeiros exemplos de como esse amor nasce cedo

por Marcelo Freitas e Rafael Campos 09/12/2013 13:26

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João Carlos Martins, Samuel Gê e Pedro Nicoli
(foto: João Carlos Martins, Samuel Gê e Pedro Nicoli)
João Carlos Martins, Eugênio Gurgel e Samuel Gê
(foto: João Carlos Martins, Eugênio Gurgel e Samuel Gê)

O garoto Eduardo Cadar tem uma paixão nada secreta: o futebol, mais especificamente, o Clube Atlético Mineiro. Ele é daqueles torcedores que, literalmente, vestem a camisa do time. Assiste no campo, com o pai, a todos os jogos que são realizados em Belo Horizonte. Quando vai para a escola, o uniforme fica por cima de uma camisa do Galo. Eduardo Cadar faz parte de uma legião de crianças que gosta de futebol e não esconde a paixão por um time. Todos têm em casa um verdadeiro arsenal de objetos que celebram essa relação de encantamento: camisas, muitas delas autografadas, bandeiras, chaveiros, bonés, pôsteres e uma infinidade de outros produtos e brindes nos quais o escudo ou as cores do time vêm sempre em destaque. Além de apaixonados, estão sempre com a ponta da língua afiada para lançar palpites e até propor mudanças nas equipes.


É o caso do cruzeirense Pedro Jorge Garcia, de 7 anos. Ele não entende por que o goleiro Fábio, do Cruzeiro, seu time do coração, não está sendo comandado pelo Felipão, técnico da seleção brasileira. "Ele é seleção, já passou da hora", afirma o jovem, que acompanha todas as notícias envolvendo o Cruzeiro e, por isso, está sempre atualizado sobre as últimas do time.   
 
Outro torcedor mirim sempre antenado às coisas do clube do coração – o Galo – é Arthur Ribeiro Lamounier, de 8 anos. "Meu sangue é preto e branco. Nunca perdi um jogo do Galo", afirma o garoto, fã também da Champions League, competição milionária da Europa. Feliz com a conquista do Galo na Libertadores, ele projeta uma equipe ainda mais forte para o próximo ano, mas... "Tem de tirar o Alecssandro", palpita, sem rodeios, sobre o atacante alvinegro.
 
Foto: João Carlos Martins
(foto: Foto: João Carlos Martins)
Foto: Eugênio Gurgel
(foto: Foto: Eugênio Gurgel)
 
 
Pedro Jorge e Arthur exibem com orgulho vários produtos que estampam os símbolos dos clubes. É o caso também da cruzeirense Júlia Maria Mourão, que tem mochila, garrafinha de água, camisa, meia e até um "raposão", o boneco mascote do time. O América também tem bons representantes mirins. Na casa dos irmãos Gabriel e Henrique de Cortez Mourão, a cor predominante é o verde. Lá, os sinais da paixão pelo time estão já na sala de visitas. Na mesa de centro, está o livro dos 100 anos de fundação do time, comemorados em 2009.

Foto: Samuel Gê
(foto: Foto: Samuel Gê)
Foto: Samuel Gê
(foto: Foto: Samuel Gê)
 

Os pequenos torcedores têm, além de uma coleção imensa de adereços, muitas características em comum, ainda que os times sejam adversários. A principal delas é o fato de eles não saberem definir muito bem quando começaram a gostar de futebol. "Sou cruzeirense desde que nasci", explica Vitor de Freitas Guimarães, que também não sabe explicar os motivos que o levaram a vestir a camisa cinco estrelas. "Gosto porque gosto", afirma Vitor, que sabe de cor a escalação do time, informando, pausadamente, até a posição que cada jogador ocupa em campo. 


Essa turma pode até não saber explicar as razões da paixão pelo clube, mas, com certeza, a herança familiar tem um peso muito grande. Emir Cadar Filho, pai de Eduardo, é conselheiro benemérito do Atlético e filho do atual presidente do Conselho Deliberativo do clube, Emir Cadar. Na parede do apartamento onde moram, no bairro Belvedere, Cadar conserva, devidamente emoldurada em um quadro, a camisa com a qual o goleiro Vitor defendeu, aos 47 minutos do segundo tempo, o pênalti contra o Tijuana, do México, pela Libertadores. No escritório da empresa, no bairro de Lourdes, ele mantém uma espécie de museu do Atlético. Lá, está sua coleção de 550 camisas do clube. 

Foto: Pedro Nicoli
(foto: Foto: Pedro Nicoli)
Foto: João Carlos Martins
(foto: Foto: João Carlos Martins)

Gabriel e Henrique Mourão também levam no sangue a herança genética, pois o pai, Fernando Falci Mourão, é conselheiro do América e o avô Milton Machado Mourão foi presidente do clube. 

A família de Daniel Rabelo Horta Ferreira de Melo também é toda atleticana. Por isso, não havia muito como ele ser torcedor de outro time. Sua rotina é igual à da maioria dos outros torcedores mirins. Daniel vai regularmente ao campo ver seu time jogar e já está se preparando para o principal evento do ano: assistir, no Marrocos, à final do Mundial de Clubes. Ele espera, ansioso, o dia 18 de dezembro chegar, quando o Atlético estreia na competição. Se tudo der certo, a final está marcada para o dia 21. Será um Natal e tanto para Daniel.

Para o psicanalista Pedro Teixeira Castilho, o ato de torcer por um time de futebol é uma das maneiras que as crianças têm de construir sua representação na sociedade, processo que, normalmente, se inicia por volta dos 5 a 7 anos de idade. Trata-se, segundo ele, de uma etapa importante do processo de amadurecimento natural da criança.
 
Foto: João Carlos Martins
(foto: Foto: João Carlos Martins)
 

O problema, de acordo com Pedro Castilho, é quando a paixão por um time de futebol preenche todos os espaços da criança. "Se for uma coisa onipresente, sem muita flexibilidade, vai trazer alguns problemas de comportamento", alerta Pedro Castilho. "A ideia é que se tenha uma justa medida, que não seja uma coisa absoluta, mas, sim, algo sadio e que funcione como referencial para a criança." 
 
Atento a esses limites, Emir Cadar Filho também acha importante os adultos terem noção dos limites entre a paixão sadia e a paixão doentia por um time de futebol. Ele afirma que, para não perder essa noção, se apoia na definição sobre o futebol repetida pelo presidente do próprio time pelo qual torce, o Atlético, Alexandre Kalil: "O futebol é a coisa mais importante das menos importantes coisas da vida".

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