Ricardo Vescovi

Com apenas 43 anos, ele guindou a Samarco ao posto de melhor mineradora do Brasil em 2013. Sabe por quê? Tem rentabilidade superior a 50%. Precisa dizer mais?

por Marina Dias e André Lamounier 06/01/2014 16:40

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Cláudio Cunha
Funcionário de carreira, Ricardo Vescovi está há 20 anos na Samarco, seu único emprego: "Sustentabilidade e ética são sinônimos" (foto: Cláudio Cunha)
O mundo da metalurgia sempre mexeu com as fantasias de Ricardo Vescovi, desde quando ele era um menino que visitava os laboratórios da Escola Técnica de Vitória (ES), contígua a sua casa. 

Mas foi o dia 1º de abril de 1988 que mudou para sempre a vida de Vescovi, atual presidente da Samarco. Naquela sexta-feira da Paixão, ele se despediu da mãe e seguiu para a rodoviária de Vitória, onde pegou um ônibus da viação São Geraldo para ir a Ouro Preto (MG), um lugar quase desconhecido para o jovem estudante de 18 anos. Sentou-se na poltrona de número 33 e partiu em busca de seu sonho: cursar engenharia metalúrgica na Escola de Minas, uma das melhores do ramo no Brasil.
 
Sua escolha por Ouro Preto, contudo, não foi pela fama da escola. Mas, sim, pelo custo. "Era a opção mais barata para quem saísse do Espírito Santo", diz ele, que vivia com a mãe e duas irmãs (seu pai morreu de câncer quando ele tinha 16 anos). No último ano da faculdade, em 1992, Vescovi fez estágio numa empresa que detinha uma mina em Mariana, cidade vizinha a Ouro Preto: ele ingressava, assim, na Samarco, segunda maior exportadora do mundo de pelotas de minério de ferro e oitava maior exportadora do Brasil. No ano seguinte, a apenas cinco dias de sua formatura, foi contratado como engenheiro e deslocado para a cidade de Ubu (ES), onde a Samarco opera seu porto de exportação. 
 
Vescovi descobriu que a verdadeira escola estava ali. Aplicado, dedicou-se a aprender. Ouviu de seu primeiro chefe, um alemão expatriado, uma lição de que nunca mais se esqueceria: "Tenha sempre persistência, disciplina e simplicidade". 
O jovem engenheiro não apenas aprendeu a lição, como fez dela o mantra da sua vida. Resultado: galgou novos postos, tornou-se gerente de produção, respondeu pela áreas comercial, de marketing e de sustentabilidade, até tornar-se, em 2012, presidente da empresa e se mudar definitivamente para a capital mineira.

Sob direção de Vescovi, a Samarco vai fechar 2013 com um faturamento de cerca de R$ 7 bilhões e, o mais impressionante, rentabilidade superior a 50%. Feito que levou a companhia a ganhar diversos prêmios em 2013, todos na linha de apontá-la como a mais eficiente mineradora do Brasil no ano. 

Não bastasse isso, a Samarco vai concluir, no início de 2014, um dos maiores programas de investimento em curso no Brasil, de R$ 6 bilhões (50% em MG), destinados à construção da quarta usina de pelotização e de um novo mineroduto, que vão elevar a capacidade de produção da mineradora para 30 milhões de toneladas (hoje, são 21,5 milhões). “Vamos colher os resultados do planejamento que fizemos no passado”, diz Vescovi.

Os números, contudo, não são tudo na vida desse executivo, torcedor do Fluminense, casado com Christina ("não se esqueça de colocar o 'h'", diz ele) e pai de duas crianças, João, de 8 anos, e Maria Clara, de 5. "A mineração do futuro será aquela que respeitar o bem mineral e souber compartilhar seu crescimento com a comunidade na qual está inserida", diz. 
 
"Sustentabilidade e ética são sinônimos". Pensamentos de um executivo que é, acima de tudo, persistente, disciplinado e simples. Como seu mestre.
 
Perfil:
 
Ricardo Vescovi de Aragão
Nascido em Vitória (ES)
43 anos, casado, dois filhos
Graduado em engenharia metalúrgica pela Ufop com espeliazações pela Fundação Dom Cabral, Kellog (EUA), Insead (França) e IMD (Suíça) 
Diretor-presidente da Samarco 

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