Luiz Gonzaga

Há três anos, ele profissionalizou sua empresa. Foi um desastre. Em 2013, cortou diretores, trouxe a família de volta e os resultados novamente brilharam

por Marina Dias e André Lamounier 06/01/2014 17:07

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Dênis Monteiro
Luiz Gonzaga, da Tracbel: "Aprendi com o jet ski (seu hobby) que cair não é problema. Basta subir e pilotar para a frente" (foto: Dênis Monteiro)
A história de Luiz Gonzaga simboliza bem o ditado popular: "Pai rico, filho nobre, neto pobre". Seu avô, coronel João Batista, era dono de posses e muitas terras em Matipó, na Zona da Mata mineira. Já o pai de Luiz Gonzaga (Braz Batista) recebeu boa herança e viveu bem até os 33 anos, quando a grana acabou. Terminou a vida como funcionário público.

Braz teve 11 filhos e, à medida que a prole crescia, as necessidades da família também. Luiz Gonzaga (o sexto filho) viu sua mãe passar dificuldades e resolveu ajudar. Engraxou sapatos, vendeu mangas e foi balconista em armazém de secos e molhados, mas a renda era pouca. Aos 21 anos, juntou as malas e foi  "tentar a sorte" na capital. Arrumou trabalho numa construtora, mas logo descobriu que sua vocação era a de comprar e vender. Largou o emprego e montou empresa para comercializar os tratores usados da firma construtora. Nascia assim, há 46 anos, a Tracbel. No início, vendia de 15 a 20 máquinas por ano, com seis funcionários. Atualmente, são mais de 2,5 mil unidades/ano, com 800 empregados. Hoje, a Tracbel é a maior revendedora Volvo da América Latina e uma das maiores da marca de tratores Massey Ferguson. Tem 26 filiais e opera em 11 estados brasileiros.
 
Gonzaga é como um bom mineiro: fala mansa, ótima prosa, jeito simples e conservador nos negócios. Sua empresa nunca pegou dinheiro em bancos (ele se gaba disso) e sempre teve uma política de caixa pra lá de segura: um mês de faturamento guardado para emergências. 

Desde pequeno, seu único filho homem, Luiz Gustavo, acompanhava o pai e a evolução da empresa, onde entrou como estagiário em 1997. Tudo ia muito bem, a companhia crescendo a taxas de 30% ao ano nos idos de 2000, até que veio o susto: em 2006, a mulher de Gonzaga apareceu com grave problema neurológico (até hoje não diagnosticado). Rodaram o mundo para descobrir a doença. Nada. "Foi um baque para nossa família", diz ele. Mara Sely vive há oito anos num quadro de “coma acordado”.
Para esquecer a dor – e os problemas –, pai e filho concentraram energia na empresa. A Tracbel respondeu, e os negócios deram saltos. Em 2010, decidiram profissionalizar a companhia. Contrataram presidente executivo, que transferiu a sede para São Paulo e prometeu faturar R$ 1 bilhão em três anos.
 
A empresa, contudo, sentiu a ausência do fundador. O faturamento estagnou e o caixa deteriorou-se rapidamente. "Levei outro susto", diz Gonzaga. Mas ele, novamente, soube reagir. Em 2013, retomou a dianteira dos negócios e a sede voltou para Contagem (MG). Diretores foram demitidos e Luiz Gustavo, de 34 anos, assumiu a direção executiva. A Tracbel respondeu com  brilho: entrou em mais dois estados (Santa Catarina e Maranhão), as vendas cresceram 10%  (serão de R$ 850 milhões em 2013) e o caixa voltou a registrar a liquidez de um faturamento mensal – para a tranquilidade de Gonzaga.
 
Nas horas de folga, Luiz Gonzaga curte mesmo é ficar na sua fazenda, em Três Marias (MG), de prosa com os amigos e praticando seu mais novo hobby: andar de jet ski. "Aprendi, com essa prática, o que a vida já havia me ensinado: se cair, não há problema", diz ele. "Basta levantar e pilotar para a frente."
 
Perfil:
 
Luiz Gonzaga de Magalhães Pereira
Nascido em Matipó (MG)
72 anos, casado, dois filhos
Curso técnico de contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Tito Novais e graduação em administração pela Una
Presidente do Grupo Tracbel 

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