Ney Bruzzi

Aos 84 anos, ele é o mais inovador construtor do Brasil no segmento de alto luxo. Em 2013, sua empresa ganhou a maior premiação do mercado imobiliário no país

por Marina Dias e André Lamounier 06/01/2014 17:14

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Samuel Gê
Ney Bruzzi, à frente de alguns dos livros que pretende ler quando se aposentar: "Meu planejamento é fazer isso quando completar 100 anos". (foto: Samuel Gê)
Quem conversa com o presidente da construtora Caparaó, o engenheiro Ney Bruzzi, tem a certeza de estar diante de um sujeito fora do padrão. Pelo menos, dos padrões atuais. Fala mansa, extremamente educado e gentil, Ney Bruzzi é uma espécie de construtor à moda antiga. Se, hoje, o normal é ver obras cada vez mais padronizadas e rústicas no acabamento, as da Caparaó caminham em direção exatamente oposta. São absolutamente exclusivas e têm como meta alcançar o requinte, com um detalhe: o próximo empreendimento tem de ser melhor – e mais refinado – que o anterior. Foi assim, por exemplo, na entrega do edifício Amadeus, na Savassi, região Centro-Sul da capital, há quatro anos. Era, sem dúvida, o mais luxuoso comercial de BH.

Era. Em 2013, a Caparaó foi superada por ela própria, quando inaugurou o Renaissence, também na Savassi. O edifício impressiona pela beleza e suntuosidade. Tornou-se um marco de inovação em edificações comerciais no país. Isso mesmo, no Brasil. Razão pela qual o prédio foi laureado com o prêmio principal do mercado imobiliário, na categoria comercial, concedido pela entidade máxima da construção civil no país, o Secovi (SP). 

Foi a primeira vez que uma construtora mineira arrebatou a comenda. Motivos não faltaram. Por fora, o Renaissence apresenta um sistema de iluminação de LED, inédito no país, resultado de uma viagem do construtor Ney Bruzzi a Dubai, nos Emirados Árabes, onde conheceu a tecnologia e decidiu trazê-la ao Brasil. Por dentro, as minúcias nos detalhes pululam. O piso é de um granito chamado "azul da Noruega", importado do país nórdico, depois que dr. Ney, como é chamado na empresa, conheceu-o em Chicago (EUA). Viu, gostou e mandou importar. Os auditórios e as salas de treinamento do condomínio são sem similares no Brasil. Ney Bruzzi é assim: quer o melhor – e ponto. "O mérito não é meu. É da doutora", afirma ele, com modéstia, em referência a Maria Cristina Valle, vice-presidente, braço direito de Ney e já escolhida como a sucessora na gestão da companhia.

No 24º andar fica a sede da Caparaó. Logo na entrada, uma surpresa: o rosto em cerâmica do índio. Que índio? Ora, do índio que acompanha Ney Bruzzi desde os anos 1970, quando ele comprou sua primeira casa no bairro de Lourdes, em cuja  fachada estava incrustrada a escultura de um índio desconhecido, em cerâmica. Quando a irmã de Ney Bruzzi soube da façanha (comprar uma casa no rico bairro de Lourdes), disse a ele: "Esse índio será o seu troféu". O construtor nunca mais largou a peça.

Quando se adentra no escritório de Ney Bruzzi, é impossível não reparar nas prateleiras cheias de livros de literatura e botânica. Aos 84 anos, ele parece incansável. Sua empresa cresce 30% ao ano, em média, e deve faturar perto de R$ 300 milhões em 2013. 
"E esses livros, dr. Ney?” Ele responde: “Estou guardando para lê-los quando me aposentar".
 
"Mas quando isso vai acontecer?" Ele responde: "Meu planejamento é para quando eu completar 100 anos".
 
"Mas, até lá, dr. Ney, esse planejamento pode ser refeito: para mais adiante, claro!"

Ney Bruzzi cai na gargalhada. Ele tem motivos de sobra para sorrir. 
 
Perfil:
 
Ney Moreira Bruzzi
Nascido em Nova Era (MG)
84 anos, casado, 5 filhos
Formado em engenharia civil pela UFMG
Presidente do Grupo Caparaó 

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