Carlos Alberto Reis de Paula

Em 2013, ele foi o primeiro negro eleito " e por unanimidade" para o cargo de presidente do Tribunal Superior do Trabalho

por Pabline Félix 07/01/2014 13:42

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Minervino Júnior/Encontro/D.A. Press
Carlos Alberto Reis de Paula é de poucas palavras, mas de posições firmes: "Ainda há poucos negros no poder, e isso nos atormenta" (foto: Minervino Júnior/Encontro/D.A. Press)
Há 70 anos, no governo Vargas, era promulgada a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), legislação que estabeleceu os direitos e deveres de empregados e empregadores. Progressista para a época, o documento hoje precisa de uma "ajudinha" para se adequar às novas demandas do mercado de trabalho – o que torna fundamental as atividades do Tribunal Superior do Trabalho (TST), órgão que, neste ano, passou a ter um mineiro como presidente. Natural de Pedro Leopoldo (MG), Carlos Alberto Reis de Paula, de 69 anos, foi o primeiro negro eleito para o cargo máximo da instituição (por unanimidade) e é o único afrodescendente entre os 26 ministros. 

Ele foi também o primeiro negro a ser nomeado para uma corte superior, em 1999, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "Os negros são maioria nos serviços que demandam menor qualificação, mas ainda há poucos no poder. O que nos atormenta é ver que esses fatos são considerados naturais em um país cuja composição étnica é na maioria de negros e pardos", diz.

Carlos Alberto mostra-se ciente de que as cobranças serão sempre maiores sobre negros que ocupem posições de destaque. "Seremos sempre mais cobrados, mas não me assusto com isso. Vou viver minha vida com normalidade. Não quero fazer nada de extraordinário. Quero apenas fazer as coisas ordinárias de forma extraordinária", afirma.

O presidente do TST é um homem de poucas palavras. Por pouco não se tornou padre: aos 14 anos, ingressou no seminário e somente aos 21 decidiu-se pelos estudos na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também fez mestrado e doutorado em direito constitucional. 

Na carreira docente, não foram poucas as posições de destaque. Em Belo Horizonte, deixou saudades dos tempos em que lecionou na cadeira de direito do trabalho. Mais tarde, já na capital federal, tornou-se um dos mais importantes articuladores para a implementação de cotas na Universidade de Brasília (UnB), primeira instituição federal de ensino superior a adotar a reserva de vagas para negros e indígenas, em 2004. "Só seremos capazes de escrever a história à medida que nos qualificarmos", resume o ministro, também integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Conselheiro e torcedor apaixonado do América, Carlos Alberto reconhece que seu time não foi motivo de alegria este ano: "Perdemos a chance de subir para a Série A. O desafio para o próximo ano é grande, mas continuo botando fé", diz. Defensor da conciliação, o presidente do TST acredita que o cidadão deve sentir-se capaz de encontrar o caminho da negociação para a resolução de conflitos trabalhistas. Assim, pretende reduzir o número de processos em tramitação na Justiça brasileira – que, em sua área, ultrapassa a casa dos 3 milhões.
 
Perfil:
 
Carlos Alberto Reis de Paula
Nascido em Pedro Leopoldo (MG)
69 anos, casado, três filhas
Graduado em direito e doutor em direito constitucional pela UFMG
Presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) 

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