Em compasso de espera

Apesar de eventos como a Copa do Mundo e das licitações de obras públicas, 2014 deverá ser um ano morno na economia, já que as reformas estruturais deverão continuar paradas no Congresso Nacional

por Zulmira Furbino 07/01/2014 15:19

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Ronaldo de Oliveira/D.A.Press
A Copa do Mundo e a seleção brasileira vão ajudar, mas nem mesmo elas serão capazes de garantir um crescimento econômico vigoroso em 2014 (foto: Ronaldo de Oliveira/D.A.Press)
 
 
A Copa do Mundo vai ajudar. As licitações das rodovias e dos aeroportos também, assim como os investimentos das empresas e a estabilidade do nível de emprego. Mesmo assim, o crescimento da economia brasileira em 2014 será, nas avaliações mais otimistas, moderado. Para os mais pessimistas, será pequeno em relação às necessidades do país – e talvez ainda menor do que em 2013, cuja estimativa de aumento do Produto Interno Bruto nacional (PIB, a soma de todas as riquezas geradas pelo país) deve ficar, segundo especialistas, pouco acima de 2%. Em Minas Gerais, apesar de o PIB vir crescendo já há algum tempo acima da média nacional, a situação não é diferente. É o Brasil em compasso de espera.

Uma das principais vozes da economia do estado, o empresário e presidente do Conselho de Política Industrial e Econômica da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves Fernandes,  explica que, apesar de as expectativas do varejo serem boas, o mesmo não se aplica ao segmento industrial mineiro. "O varejo deve estar sendo abastecido por produtos importados", observa.
A expectativa, segundo ele, é de que reformas estruturantes, como as tributária, trabalhista e política, não virão num ano eleitoral. "Em 2014, o governo federal vai fazer mais do mesmo. Não promoverá gastos excepcionais, porque já há um ligeiro descontrole fiscal nas contas públicas", diz. No varejo, a pedida será segurar o aumento dos preços no setor de serviços, que deverá fechar 2013 em torno de 8,5%, ante uma inflação oficial (medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-IPCA) estimada em 5,8%. "Em 2014, é importante que a inflação caia para o centro da meta", afirma Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Condeferação Nacional do Comércio (CNC).  Para 2013 e 2014, o centro da meta de inflação é de 4,5%.

O problema é que a persistência da inflação no país funciona como um estado febril que ainda não ameaça, mas preocupa. Por causa dela, a taxa de juros básicos da economia, que ficou em 7,25% ao ano entre outubro de 2012 e março de 2013, voltou para 7,5% ao ano em abril, subiu para um patamar anual de 8%  em maio, escalou mais um degrau e alcançou 9% ao ano em agosto para chegar a 9,5% anuais em outubro – e deve permanecer em alta.
 
Foto: Gladyston Rodrigues/D.A. Press
Minério de ferro extraído em Minas: setor deverá ser a principal alavanca econômica do estado em 2014 (foto: Foto: Gladyston Rodrigues/D.A. Press)
 
  
Diante desse quadro, a  expectativa na CNC é de um crescimento de 2,2% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano, ante um avanço de  1% em 2012. O problema é que, para 2014, a performance deverá minguar para 2%. O economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, explica que o PIB do país no ano que vem deverá ficar em 2,1%. "Esse resultado foi revisado para baixo porque o consumo das famílias, que estava liderando o crescimento do país, tem perdido fôlego, a renda está crescendo menos e a inflação limita a expansão dos rendimentos das pessoas", diz.

Bacciotti lembra que o consumo, que é o que mais pesa no resultado do PIB, está desacelerando. Além disso, a indústria vem crescendo pouco e vive uma situação de limitação de oferta. "A demanda está fraca, e os investimentos não entrarão em trajetória vigorosa de expansão", acredita. Um dos fatores que vai pesar nesse sentido tem pouco a ver com a economia propriamente dita. "Em termos de atividade econômica, a redução no número de dias úteis limita a produção e o consumo. De maneira geral, há pontos positivos no cenário econômico do ano que vem, mas nada que seja capaz de alterar o cenário de crescimento", justifica. Em março deste ano, a expectativa na Tendências era de que o PIB de 2014 chegasse a crescer 3,4%.

A boa notícia é que  o emprego não deve ser afetado. Para o economista da CNC, as licitações e a Copa ajudarão a manter a atividade e vão empurrar o comércio para cima. Além disso, o setor de serviços terá melhor resultado em 2014 e a atividade industrial pode avançar com um dólar em torno de R$ 2,50. "Mas isso não será suficiente para puxar o PIB para um patamar superior ao deste ano", reconhece.
Minas segue a toada, apesar da previsão de estabilidade nas vendas de minério de ferro (principal produto da pauta de exportações do estado). Segundo a professora de economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Flávia Chein, especialista em economia mineira, 2014 será um ano de ritmo moderado. "Teremos um ano mais de expectativas do que de maturação de investimentos", diz. É esperar para ver.

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