Pequenos artistas

O envolvimento de crianças e adolescentes em atividades artísticas pode trazer benefícios físicos, sociais, psíquicos e até profissionais. Conheça algumas que nasceram com os sentidos apurados

por Pabline Félix 07/01/2014 16:57

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João Carlos Martins
(foto: João Carlos Martins)
 
 
A pequena Ana Paula Rodrigues, de 7 anos, não precisa de ajuda para encarar os flashes. Também não demonstra timidez ao dar entrevistas. Se preciso, chega e mostra sem cerimônia as várias coroas e faixas que ganhou como miss. Nas passarelas desde os 3 anos de idade, seu currículo é extenso e tem de concursos de beleza municipais a participação em novela global. A conquista mais recente é o título de Mini Miss Brasil Elegância 2013, disputado em Santa Catarina, com crianças de todo o país. A desenvoltura que demonstra é, segundo ela, qualidade fundamental para quem quer seguir a carreira dos seus sonhos: ser artista. "Quero ser atriz de novela", diz. 
 
Paulo Márcio
(foto: Paulo Márcio)
 

A mãe, Eliana Rodrigues, conta que o envolvimento da filha com o mundo dos concursos de beleza e dos comerciais foi voluntário. "Minha filha Yoranna, de 14 anos, já participa de desfiles e de peças de teatro há alguns anos, e a Ana tem contato com esse universo desde novinha. Aos 3 anos, ela me pediu para participar. Apresentei a ideia a um produtor, que gostou dela. Depois disso, nunca mais parou de ser chamada", conta. Hoje, a menina faz aulas de teatro e balé para se destacar em futuros testes de elenco. A agenda não atrapalha os estudos, que são colocados em dia com a mãe, durante as viagens Mariana Speviali Menegazzi também já sabe o que quer ser quando crescer. Há três anos, conheceu o som do violino e se apaixonou. Desde então, decidiu que queria ser musicista. Aos 11 anos, orgulha-se de já ter se apresentado com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais no posto de jovem solista e já ter cartão de visita. "Foi especial tocar com gente tão boa, e adoraria tocar lá de novo. Eu me sinto muito bem quando vêm esses convites para me apresentar. Apesar do frio na barriga que dá, é muito bom", diz. 
 
Paulo Márcio
(foto: Paulo Márcio)
 
 
Os ensaios constantes, inseparáveis da vida dos artistas, não são problema para ela, que aprendeu a se divertir com a rotina. Por diversas vezes, ela pede à avó ou aos pais que a levem à "pracinha" (a praça Floriano Peixoto, no bairro Santa Efigênia, perto da casa da avó) para praticar. Quando cansa, entrega o instrumento para o responsável e vai se distrair nos brinquedos do lugar. Criança que é criança sabe reservar hora para diversão.
 
"Ensinar as crianças a controlar suas expectativas é uma tarefa que leva a vida toda. No meio artístico, isso é muito exercitado, porque ouvimos 'não' toda hora, o que pode ser um aprendizado muito útil. "Mas a verdade é que é mais difícil lidar com as expectativas dos próprios pais do que com as das crianças”, conta Carlos Magno Ribeiro, ator e diretor de curtas e pai do ator mirim Nicolas Ribeiro, de 10 anos. Segundo ele, há muitas mães e pais que projetam nos filhos o desejo pela fama sem sequer considerar o envolvimento da criança. Com Nicolas, ele procura ser o mais aberto possível e, se percebe que o menino não está "curtindo" a atividade ou que se trata de um esforço maior do que ele pode fazer, prefere recusar propostas a "forçar a barra". "O principal é entender que eles ainda são crianças, não profissionais", reforça.
 
Leo Araújo
(foto: Leo Araújo)
 

Para a psicanalista Mariana Vidigal, qualquer atividade que proporcione à criança oportunidades para socializar devem ser consideradas, desde que sejam fontes de prazer, e não de pressão. "A infância é o período ideal para conhecer e explorar o mundo. É importante que os pais abram o leque de possibilidades e deixem que as crianças escolham de acordo com personalidade, habilidade, interesse. Se ela for ainda muito nova, não há problema algum em direcionar essa escolha, mas aí se torna mais importante ainda observar a identificação da criança com a atividade", explica. 

Foi assim com David Vanucci Weisberg, de 11 anos. Envolvido em aulas de música desde cedo, há cerca de um ano ele comunicou à mãe, Renata Vanucci, que gostaria de mudar para as de desenho. Com o avô, o tio e duas primas, começou a fazer aulas de pintura. Depois de seis meses, todas as companhias debandaram, mas ele continuou. "Hoje, já desenho bem melhor do que quando entrei, com traços mais benfeitos, sombras… e acho que o mais legal é que aprendi a ficar satisfeito com o que eu faço. Só tive um quadro de que não gostei mesmo, mas sou orgulhoso do resto", conta. 
 
Tiago Mamede
(foto: Tiago Mamede)
 

Para a mãe, os treinos trazem incontáveis benefícios para o dia a dia do menino: ele aprende a conviver com pessoas de idades variadas, ganha cultura, melhora a autoestima, aprende a se expressar melhor. "Eu e meu marido também tivemos oportunidade de nos envolver com a arte na infância e posso garantir que isso fez muita diferença no nosso desenvolvimento", diz. 

Quem pode confirmar a opinião de Renata é a psicóloga Rosiana Cialdrett Braga. Ela explica que crianças e jovens  estimulados pela arte despertam sua criatividade, lidam melhor com a autoestima e têm a sensibilidade e o pensamento crítico mais realçados, o que resulta em adultos melhores. "A arte desenvolve habilidades que não são exploradas pela sociedade em que vivemos, que estimula primordialmente o pensamento racional e objetivo", avalia a especialista.

Ana Paula Costa, de 10 anos, também manifestou o desejo de mudar o ritmo da aula de dança de que participava e foi do balé para o hip-hop. "Gosto mais de músicas mais agitadas. Minha mãe entendeu e logo mudei de escola. Estou gostando muito mais, porque também é uma forma de atividade física", conta ela. A mãe, Églima Maria da Costa, percebe que a dança contribuiu para desenvolver as noções de direita-esquerda, ritmo e, especialmente, a concentração da filha. "Em comparação com as amiguinhas que não dançam, vejo que a coordenação da Ana Paula é bem melhor", diz. 
 
Paulo Marcio
(foto: Paulo Marcio)
 

Tratar a timidez é outro ponto em comum das atividades artísticas. Aluna de circo há mais de um ano, a pequena Ana Luísa Martins Cobucci, de 6 anos, era muito fechada quando começou a frequentar os picadeiros. Aos poucos foi se soltando e, na apresentação de fim de ano, surpreendeu os pais. "Achamos que ela ia ficar nervosa, mas, que nada! Ela se empolgou, escolheu a roupa e foi lá e fez bonito", conta Simone Miranda Martins, a mãe. 

Luísa já fez aulas de musicalização, natação e dança, mas foi com o circo a maior identificação. "Com as outras atividades, ela mostrava um pouco de resistência. Com o circo, não: é sempre animada, vai sem problema. O que me alegra é que foi uma escolha dela", conta.

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