O jogo onde todos ganham

Pioneiro na captação de recursos para a cultura e o esporte, o banco mineiro Bonsucesso quer mostrar agora que investir na área é um ótimo negócio para pessoas físicas e jurídicas. E o melhor: não custa nada

por João Pombo Barile 08/01/2014 16:57

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Eugênio Gurgel
Atletas do Minas Tênis em treino na piscina: clube aposta na parceria firmada este ano com o banco para fortalecer esporte (foto: Eugênio Gurgel)

O ano que termina foi mesmo generoso para o esporte mineiro. Em julho, o Atlético conquistou a Libertadores. Em novembro, o Cruzeiro ganhou, com quatro rodadas de antecedência, o Brasileirão. E as conquistas não ficaram apenas no futebol: o Cruzeiro tornou-se, em outubro, a primeira equipe brasileira campeã mundial masculina de clubes de vôlei. Um ano tão cheio de conquistas fez com que os mineiros começassem a se despertar para a existência de um personagem ainda pouco usual no país: o torcedor financiador do seu time. Bastante comum em clubes europeus (como o Barcelona, cujos torcedores podem ajudar o caixa do clube), a prática ainda não existe no Brasil. Ou melhor: não existia. Uma iniciativa do banco mineiro Bonsucesso promete mudar esse cenário no país.
 
"A mentalidade mudou bastante nos últimos anos", explica o diretor-executivo do Bonsucesso, Jorge Lipiani, que comanda o departamento de gestão de negócios culturais e esportivos do banco. "O torcedor, aos poucos, começa a perceber que pode fazer diferença e ajudar seu time de coração", conta. Jorge explica que o departamento comandado por ele presta consultoria especializada na estruturação de programas e projetos que contribuam para o desenvolvimento cultural, esportivo e social do país. "Trabalhamos em todas as etapas do processo: na elaboração e aprovação do projeto, na captação dos recursos e na gestão. Nos últimos meses, começamos a nos empenhar para que todo cidadão brasileiro saiba que é possível investir, seja no esporte seja na cultura, como pessoa física. Um dinheiro usado para o bem – e com custo zero", explica.

Nidin Sanches/Divulgação
Grupo de teatro Balcão, em cena na peça Till: dirigentes acreditam que a legislação é a melhor opção para a cultura (foto: Nidin Sanches/Divulgação)
 

O departamento comandado por Jorge já intermediou cerca de R$ 100 milhões em patrocínios e projetos culturais e esportivos. A única instituição financeira brasileira a apostar fortemente nesse segmento do investidor pessoa física, o Bonsucesso, ao longo de duas décadas, tem no seu currículo exemplos de sucesso. Na área esportiva, por exemplo, o banco tem contratos com Cruzeiro, Flamengo, Minas Tênis Clube, Club Athletico Paulistano e o Esporte Clube Pinheiros.

Segundo Lipiani, as leis para o financiamento de esporte e cultura são ainda muito pouco conhecidas no país. "Para se ter uma ideia, existem hoje 25 milhões de contribuintes no país. Desses, cerca de 5 milhões declaram pelo modelo completo. Mas só 20 mil hoje fazem doação", explica o diretor. "Temos, portanto, um potencial de crescimento muito grande para os próximos anos."

Paulo Marcio
A gerente Solange Steckelberg e Jorge Lipiani, diretor-executivo do departamento de gestão de negócios culturais e esportivos do Bonsucesso: "Aos poucos, o torcedor começa a perceber que pode fazer a diferença e ajudar seu time do coração", diz ele (foto: Paulo Marcio)

A burocracia é apontada, por vários especialistas do setor, como a principal razão do pouco interesse dos brasileiros em se tornar financiadores de esporte ou da cultura. É tanto papel, tanto carimbo e tantos detalhes técnicos da lei que o cidadão comum e o empresário acabam desistindo da empreitada. Pensando em facilitar todo o processo de doação, o banco criou o site Quero Apoiar (ver quadro). A plataforma facilita a doação de parte do Imposto de Renda (IR) devido de maneira simples, rápida e segura. O recurso, que o contribuinte necessariamente seria obrigado a entregar para o Leão, é direcionado para o projeto de sua escolha.

"Em um mês de campanha, as arrecadações do Flamengo somaram R$ 300 mil, o que já se configura como o maior exemplo de arrecadação de IR junto a pessoas físicas", comemora Angélica Passos, do departamento de marketing do clube carioca. "Nossa meta, até o fim deste ano, é chegar a R$ 1 milhão", revela, otimista, comemorando a parceria com a instituição mineira. Em Belo Horizonte, o Minas Tênis Clube também firmou, este ano, parceria com a instituição financeira. Os resultados têm sido interessantes. "Estamos sempre correndo atrás de novos financiamentos. E a nossa parceria com o Bonsucesso, no início deste ano, foi fundamental", afirma o diretor do Minas Tênis Clube, Marcus Antônio de Magalhães.

Eugênio Gurgel
Alberto Camisassa, do Cine Brasil: "Tenho certeza de que a parceria que acabamos de firmar funcionará bem" (foto: Eugênio Gurgel)

A ponte necessária

Quem trabalha na área sabe: uma das maiores dificuldades do setor é conseguir convencer os agentes culturais da necessidade de gerenciar, de forma profissional, o seu negócio. Organização, para muitos artistas brasileiros, ainda é sinônimo de chatice. No setor, se muitas vezes sobra imaginação, falta razão. Daí a importância da chegada da executiva Solanda Steckelberg ao Bonsucesso: ela conhece bem a área. Por três anos dirigiu o Palácio das Artes. Como gerente de negócios culturais e esportivos da instituição, seus primeiros meses têm sido de muito trabalho. "O Bonsucesso já viabilizou recursos para importantes projetos culturais em todo o país, como o filme Tropa de Elite 2 e o Museu Asas de um Sonho (da TAM). Estou bastante animada com minha nova missão", diz Solanda. 

Ela já se reuniu com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) à procura de novos financiadores. Empresários, sejam pequenos, médios ou grandes. "Muita gente até gostaria de investir, mas desiste por causa da burocracia ou porque nem sabe que a lei existe", diz Solanda.

O empresário do setor de mineração Antônio Augusto de Lima Barbosa Mello é um bom exemplo do que Solanda está falando. Sua empresa de mineração, que, por desconhecer a legislação, já tirou dinheiro do próprio caixa para financiar a tradicional Vesperata de Diamantina, agora, pretende investir mais em cultura aproveitando os benefícios da lei do ICMS estadual. "Já estivemos presentes na edição do festival de gastronomia Cachaça Gourmet deste ano usando a lei”, diz o empresário. “A tendência é de que invistamos mais. Afinal, o custo é zero", afirma.

Para fechar o ano com chave de ouro, o Bonsucesso firmou duas novas parcerias: com o Cine Theatro Brasil Vallourec e com com o grupo Galpão. "Tenho certeza de que a parceria que acabamos de firmar funcionará bem", afirma Alberto Camisassa, presidente da Associação Cine Theatro Brasil e presidente da Fundação Sidertube, ligada ao grupo francês Vallourec. "O Bonsucesso atua nas três pontas do processo: redação do projeto, aprovação no governo e captação dos recursos. Tudo o que nós, da livre iniciativa, sempre precisamos", comemora.

No início de dezembro, foi a vez do grupo de teatro Galpão se render ao talento no banco mineiro e fechar uma parceria para a captação de recursos de pessoa física, por meio de renúncia fiscal. Segundo Beto Franco, ator e coordenador geral do Galpão, o grupo aposta em um bom resultado. "Tenho certeza de que vamos colher os frutos em médio prazo. Afinal, sabemos que não é de uma hora para outra que as pessoas decidem investir. Mas, sem dúvida alguma, é a melhor opção para a cultura hoje, que já tem uma dinâmica de trabalho coletiva." Para Solanda Steckelberg, “a iniciativa vai abrir novas possibilidades para a cultura, trazendo incentivo e viabilizando as produções”. Os recursos captados, segundo Franco, serão utilizados em todos os projetos do Galpão. 

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