Ele é pop!

Artista mineiro fala sobre sua trajetória multifacetada pelo universo da arte e sobre seu retorno ao trabalho após grave acidente de trânsito

por Fernanda Nazaré 09/01/2014 13:31

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Geraldo Goulart
Hogenério Pereira mostra sua diversidade: facilidade para transitar entre diversos materiais artísticos (foto: Geraldo Goulart)

Apenas uma visita ao ateliê do artista mineiro Hogenério Pereira, de 50 anos, já é o suficiente para perceber que, seja qual for o material, tudo que ele toca vira arte, transforma-se em manifestação de sua vivência e da observação dos acontecimentos do cotidiano. O artista prefere ser chamado apenas de Hogenério. Nascido em Felisburgo, no Vale do Jequitinhona, ele começou a carreira com o sobrenome "Lee". Fã assumido da cantora Rita Lee, ele adotou o sobrenome da musa e chegou a assinar quadros com pinturas dos membros da banda Os Mutantes. "Hoje, não assino mais sobrenome nenhum. Só o meu primeiro nome já é diferente o suficiente para se lembrarem de mim", diz ele, que foi batizado com o nome em homenagem ao avô.
 
Hogenério é um artista pop, como ele próprio se descreve. Toda a sua trajetória artística esteve permeada pela cultura que abraça o universo dos jovens e das cores, a pop art. Tudo começou como um hobby, fazendo camisetas de bandas do rock nacional. Suas criações, antes despretensiosas, viraram sua primeira exposição em 1994, no Espaço Cultural Ágora, intitulada Personalidades com uma Visão Pop Art. Desde então, Hogenério participou de várias exposições coletivas, usando o mesmo estilo. 

Um dos trabalhos que catapultaram a carreira do artista foi a exposição Wearable Art by Hogenério (1998), no Mercado da Lagoinha, em Belo Horizonte. Peças do vestuário cotidiano transformadas com artigos recicláveis foram destaques na mídia em 1998, pelo uso de materiais inusitados como casca de mandioca, papéis de bala e pontas de lápis de cor. A versatilidade é tanta que o artista até se arriscou no mundo da moda: "Já fiz trabalho também para três coleções do estilista Ronaldo Fraga e já fiz cenário e figurino para teatro. Já fiz de tudo, só não lancei meu livro ainda", conta ele, que também escreve poesias.

Usando tecido, tinta ou material reciclável, o que impera nas obras de Hogenério é a mistura de cores fortes e muita criatividade. Nas séries O Beijo (2002), Batman 65 Anos (2004) e Super Heroes (2007), personagens famosos do mundo pop como Elvis Presley, Marilyn Monroe e Andy Warhol, bem como os heróis das revistas em quadrinhos são temas de vários quadros do artista. Diversificando o tema, Hogenério expôs em 2008, na Galeria de Arte da Copasa, a série Sagrado Coração ou Tráfico de Órgãos. Nela trabalhou quadros e instalações em que o coração era o coadjuvante e suas possibilidades de usos artificiais. Ainda assim, figuras pop não ficaram de fora, como a imagem de Carmen Miranda inserida em um dos quadros. "Foi um trabalho que entrou no Salão Nacional de Curvelo e com ele fui premiado em Uberaba", afirma.

Após um ano e meio afastado do universo artístico, por causa de um acidente de trânsito que o deixou à beira da morte, Hogenério se mostra, hoje, em plena recuperação e de volta ao trabalho. "Estava andando de bicicleta e fui atropelado por um carro. Tiveram de reconstruir parte do meu rosto", conta. 

Ainda em processo de reabilitação, Hogenério já voltou a se dedicar à arte. O artista trabalha em esculturas de cabeças para uma futura exposição coletiva e segue pintando também seus ídolos. A próxima da lista é a cantora inglesa Amy Winehouse, que morreu em 2011. Ávido por dar vida às suas ideias de textura e cores, nada parece impedir Hogenério.

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