O ano autoral

09/01/2014 16:42

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Cate Blanchett, a socialite falida de Blue Jasmine: melhor comédia de 2013 (foto: Divulgação)
 
 
O ano de 2013, para o cinema, ficará marcado por um tipo de produção que entusiasma bastante quem leva a sétima arte a sério. Os filmes dos grandes mestres, com anos de estrada, ganharam considerável número nas salas de projeção do país. São os taxados como filmes de autor: longas-metragens de grife, com um reconhecido lastro, já vastamente cultuado. O exemplo máximo desse período foi a estreia da obra-prima Amor (Amour), de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro e do Oscar de melhor filme estrangeiro. A tocante história do casal octogenário conquistou todo tipo de plateia, independentemente da faixa etária, e as interpretações dos protagonistas Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva contribuíram para a excelência do pesadelo, atravessado no pós-derrame sofrido pela personagem da mulher.

Nas últimas semanas, mais dois projetos estrearam, respaldados nos nomes responsáveis pela direção, comprovando a quantidade oportuna dos filmes autorais deste ano. O primeiro é a melhor comédia de 2013, Blue Jasmine, do genial Woody Allen, que resgata seu olhar mais cáustico e perverso, antes exercitado em Match Point. A trama da socialite falida que precisa viver de favor na casa da irmã provavelmente renderá muitos prêmios para Cate Blanchett, que deita e rola na pele de Jasmine. Sua irretocável composição é a melhor do ano e merece o Oscar. Não é pouca coisa. Seus colegas de cena crescem, absurdamente, ao seu lado. O destaque é a parceria com a ótima e engraçada Sally Hawkins, que interpreta a irmã pobretona, a sempre disponível Ginger.

Na iniciativa do roteiro com um reencontro entre duas irmãs, Woody Allen se inspirou em um dos maiores dramaturgos americanos de todos os tempos. Blue Jasmine é um reflexo de inspiração do clássico Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams. A Jasmine de Cate é a “nova” Blanche DuBois, a mulher de moral duvidosa. Assim como a Ginger vivida por Sally Hawkins lembra bastante a doce Stella. A famosa tragédia americana, a partir da regência woodiana, recebeu o seu peculiar toque de humor fino e inteligente.

O segundo lançamento é a corajosa aventura do argentino Juan José Campanella, em assumir a direção de um longa-metragem de animação. Um time show de bola impressiona por sua nítida qualidade. Os bonequinhos do pebolim que ganham vida para socorrer o garoto Amadeo, desafiado por uma estrela do esporte, têm todos os trejeitos e tiques dos craques da bola. Desde a rasa e tradicional rivalidade até a referência própria e insistente na terceira pessoa. Um desenho sobre o futebol, pertinho do Mundial da Fifa no Brasil, que resume o talento absoluto do diretor de O Segredo dos Seus Olhos, em qualquer frente. 

Mesmo a longa duração para o gênero não compromete o ritmo da produção latina, marcada pelo mesmo esforço dos projetos passados. O nome de Campanella, forte figura na linguagem autoral, é, no momento, o mais importante do cinema sul-americano.

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