Como a Copa vai afetar BH

O que muda no dia a dia dos belo-horizontinos durante a realização da competição, entre os dias 12 de junho e 13 de julho

por Da redação com assessorias 18/02/2014 18:04

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Rodrigo Clemente/EM/D.A. Press
Mineirão, palco da Copa em BH: o estádio terá seis partidas, entre os dias 12 de junho e 13 de julho (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A. Press)

Depois de 64 anos, Belo Horizonte voltará a ser palco de partidas válidas pela Copa do Mundo da Fifa. Nas arquibancadas ou em frente à TV, brasileiros torcerão para que o hexacampeonato, adiado nos dois últimos mundiais, seja alcançado pela seleção canarinho. Neste ano, além de mexer com a emoção, a Copa vai alterar a rotina dos mineiros. A organização do campeonato demandou a criação de secretarias estaduais e municipais, investimentos em estádio e infraestrutura, e um planejamento urbano. Há sete anos, quando BH foi anunciada como uma das 12 cidades-sede da competição, os moradores, gostando ou não de futebol, já tiveram sua via afetada, sobretudo, devido às obras de mobilidade e das estações do BRT/Move. Já imaginou durante a Copa? Escolas, comércio, trânsito, eventos culturais, bares e restaurantes e até o tráfego aéreo serão afetados pelo evento da Fifa.  

Jair Amaral/EM/D.A. Press
Corredor do BRT - Move, na avenida Cristiano Machado: estações prontas em fevereiro, segundo a Prefeitura de BH (foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)


São muitas as dúvidas em relação ao período em BH. Uma delas: será feriado ou ponto facultativo? A Lei 12.663, de 5 de junho de 2012, chamada de Lei Geral da Copa, é bem clara ao dispor que todas as cidades-sede podem decretar feriado nos dias das partidas. A Prefeitura de BH ainda não definiu sobre a questão, mas, a despeito dela, os belo-horizontinos terão uma rotina diferente entre os dias 12 de junho e 13 de julho. A Fifa, órgão máximo do futebol, estabelece uma série de exigências, que estão listadas no Contrato das Cidades-Sede. Para que nada atrapalhe o evento, por exemplo, a programação cultural da cidade sofreu um grande impacto (confira no infográfico). Nas escolas, o recesso escolar, que geralmente abrange 15 dias, será estendido para todo o período da Copa do Mundo.

Marcelo SantAnna/Em/D.A. Press
Alunos do Colégio Santo Antônio: escolas públicas e privadas estarão em recesso durante os jogos (foto: Marcelo SantAnna/Em/D.A. Press)


O certo é que os mais diferentes setores da cidade estão tentando prever os impactos do torneio. Para Anderson Rocha, vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH), qualquer estimativa é incerta. “Não há como mensurar a dimensão de uma Copa do Mundo”, diz. É também o que traduz duas pesquisas do setor. Um estudo da Fecomércio aponta que os empresários estão otimistas, entretanto, pesquisa da CDL-BH revela o contrário. Mesmo assim, a CDL-BH vem alertando comerciantes para aproveitar a oportunidade, sobretudo, quem atua no ramo de artesanato, pedras preciosas e semipreciosas, além das lojas de material esportivo.  

Eugênio Gurgel
Lojas na avenida Antônio de Albuquerque, na Savassi: comércio está na expectativa sobre a decretação de feriado na cidade (foto: Eugênio Gurgel)

 
Antônio Claret, presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau, está entre os que acreditam que o evento será favorável para a cidade. “Uma coisa é montar o salão para festa, outra é a festa, mas estamos preparados. Queremos que esse turista volte mais vezes a BH”, diz. Fernanda Fonseca, diretora da Libertas, Viagens e Experiências, agência de turismo receptivo, informa que já está recebendo muitas demandas para a Copa, principalmente de consulados, patrocinadores, comitivas e órgãos oficiais. “Há um perfil desse público que vem para os jogos e vai embora. Já outros procuram por lazer”, diz Fernanda. Ela estima que, dos 600 mil turistas esperados para o evento no país, cerca de 6 mil aterrissem na capital mineira.  
 
Segundo a Secretaria de Estado de Turismo e Esporte, pelo menos 25 mil turistas estrangeiros estiveram no Brasil durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado. E uma pesquisa aponta que os turistas estrangeiros visitaram, em média, outras duas cidades. Minas foi um dos estados com mais municípios visitados, 20 ao todo. “Teremos muitos turistas por aqui e trabalhamos com esse cenário para atendê-los da melhor forma”, diz o secretário, Tiago Lacerda.

Cláudio Cunha
Motivado pela onda de protestos durante a Copa das Confederações, o efetivo do Batalhão Copa foi reforçado: de 1.680 para 2.500 policiais durante o evento (foto: Cláudio Cunha)


Mas a principal preocupação é com o aeroporto de Confins, já que 15% das obras não ficarão prontas a tempo da competição. Ainda assim, Tiago Lacerda acredita que o trânsito de visitantes não será afetado. “São trabalhos como reforma e modernização das áreas dos restaurantes, prédio comercial, galerias técnicas, informativos de voos e substituição do sistema de som”, explica.   

O setor de bares e restaurantes espera angariar uma boa fatia desses visitantes. Há expectativa de um incremento significativo para o período dos jogos, principalmente, em polos gastronômicos como Pampulha, Savassi, Lourdes, Santo Antônio, Santa Tereza e no Mercado Central. “Nossa expectativa é dobrar o movimento nos bares dessas regiões em relação a um junho normal”, diz Lucas Pêgo, diretor executivo da Associação de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG).  

Patrícia Coutinho, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), está confiante na capacidade hoteleira em acomodar o público da Copa. O problema vem depois. “O aumento de 50% de leitos na região metropolitana de BH não foi acompanhado pelo número de espaços para eventos”, diz. O setor solicitou à prefeitura da capital a prorrogação do prazo para entrega dos hotéis, beneficiados pelo aumento do potencial construtivo. A lei estabelece que os hotéis devem ser entregues até 31 de março, mas o segmento quer prorrogar o prazo em dois meses.

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