Novos tempos para o basquete mineiro

Nova direção da Federação Mineira recorre a parceiros para driblar a falta de recursos e alavancar a modalidade no estado

por Rafael Campos - Revista do Correio 21/02/2014 14:46

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A Federação Mineira de Basketball (FMB) está travando a disputa mais importante de sua história. E já abriu alguns pontos de vantagem. Um dos cestinhas do confronto é Álvaro Cotta Teixeira, que assumiu a presidência da entidade, no ano passado. Como em uma partida, Álvaro vem atuando como técnico e desenhou em sua prancheta a estratégia para alcançar a vitória. O adversário? A falta de recursos. Álvaro recebeu a entidade com um orçamento pífio de R$ 7 mil mensais para desenvolver projetos e alavancar o esporte no estado. Não perdeu tempo. Vestiu literalmente a camisa da federação e foi às ruas à procura de parceiros. Conseguiu! 

"Queremos que Minas Gerais seja uma excelência no desenvolvimento do basquete no país", diz Álvaro. São inúmeros os desafios para alcançar tal patamar, ainda mais numa pátria de chuteiras, como o Brasil. O planejamento elaborado pelo dirigente e demais diretores da entidade é amplo e abrange desde a iniciação ao esporte até as equipes de ponta. Atualmente, Minas e Uberlândia representam o estado no Novo Basquete Brasil (NBB), o principal campeonato nacional da modalidade. A luta é para que Minas seja representada também  nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Divulgação
Felipe Braga, de 19 anos, saiu de Santa Luzia para vestir a camisa do Elan Béarnais Pau-lacq-Orthez, da França: "Meu sonho é jogar nos grandes clubes da Europa" (foto: Divulgação)

Uma das principais metas da federação é a massificação do esporte, o que significa aumentar o interesse pelo basquete. Para tanto, existem festivais de minibasquete, que buscam atrair crianças de 8 a 12 anos. A ideia é promover 14 etapas nas regiões metropolitana, Sul e no Triângulo Mineiro, envolvendo cerca de 280 equipes e aproximadamente 3 mil crianças. Escolas públicas e particulares, clubes, núcleos sociais e escolinhas de basquete podem formar equipes e participar dos festivais. "Não há custos para as entidades e todas as crianças ganham medalhas e participam de sorteios de brindes", explica.  

Com os festivais de minibasquete em alta, a entidade espera que as categorias seguintes se fortaleçam, como é o caso da sub-13. "Acredito que sairemos de 23 equipes no estado para 40, nessa categoria", diz Álvaro. A partir deste ano, os times serão formados em parceria com as escolas, mais uma tentativa de popularizar a modalidade por aqui. Até 2016, o dirigente acredita que o estado tenha 60 equipes.

Eugênio Gurgel
Álvaro Cotta Teixeira, presidente da Federação Mineira de Basketball: "Queremos que Minas tenha excelência no desenvolvimento do basquete no país" (foto: Eugênio Gurgel)

Para alcançar essa evolução, a entidade conta com o apoio de empresas e órgãos públicos que abraçaram a ideia. "Esse trabalho não é apenas voltado para o estado ter equipes fortes, mas uma base mais sólida. Um resultado mais perene", diz Ricardo Guimarães, acionista do banco mineiro BMG, principal apoiador. Rogerio Romero, secretário adjunto da Secretaria de Estado de Turismo e Esportes, também defende o trabalho de fortalecer a base do basquete mineiro. "Montar apenas equipes adultas requer investimentos altos e a sustentabilidade é duvidosa", afirma. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais é outro parceiro. "Tivemos a oportunidade de apoiar, no ano passado, a 85ª edição do festival de minibasquete e mantivemos contatos frequentes com os dirigentes, para conhecer suas necessidades", declarou o deputado Dinis Pinheiro (PP), presidente da Assembleia. 

Todo esse trabalho visa multiplicar exemplos como o de Felipe Braga, de 19 anos. Nascido em Santa Luzia, o jovem atua na equipe francesa de Elan Béarnais Pau-lacq-Orthez, categoria sub-21, desde 2011. Ele já integrou a Seleção Brasileira de Desenvolvimento de Basquete, participou do sul-americano sub-17 e do mundial sub-19, no ano passado. Ele conta que começou a jogar no Colégio Magnum aos 8 anos e passou pela equipe do Olympico. Graças às boas atuações, cruzou o Atlântico. "Meu sonho é jogar nos grandes clubes da Europa, como Real Madrid e Barcelona (Espanha), e Partizan (Sérvia)", diz.

Dênis Medeiros
A belo-horizontina Cristiane Simões de Lima, de 22 anos, jovem talento da modalidade: "Existem várias meninas que sonham em jogar, mas, como não há investimento, acabam desistindo" (foto: Dênis Medeiros)

De férias em BH, sua terra natal, Cristiane Simões de Lima, de 22 anos, a Kika, também espera que essa nova fase do basquete no estado contemple a categoria feminina. "Existem várias meninas que sonham em jogar basquete, mas, como não há investimento, elas acabam desistindo", diz. Kika é a prova de que temos talentos, o que falta, de fato, é quem aposte na ideia. A jovem, com seu 1,92 metro de altura, joga na equipe de Presidente Venceslau, no interior paulista. Passou pela seleção brasileira de base e por clubes do interior de São Paulo. Na Copa América de 2008, categoria sub-19, ajudou a seleção brasileira a ficar com o bronze, atrás apenas dos EUA e Canadá, potências mundiais da modalidade. "Eu ainda tenho o sonho de vestir a camisa principal da seleção brasileira e participar de uma olimpíada", diz. Ponto para Minas!

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