Questão de pele

Incidência de câncer no maior órgão do corpo humano aumenta a cada ano e preocupa especialistas, que ensinam medidas básicas para prevenir a doença e falam sobre o processo de cura

por Paula Takahashi 21/02/2014 15:10

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Dênis Medeiros
A dermatologista Marcela Mattos faz teste em uma de suas pacientes, Angela Souza, no consultório: "É importante não negligenciar as pintas que surgem e aquelas que já estão ali há algum tempo" (foto: Dênis Medeiros)

Você se lembra daquele texto famoso que dizia: "Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro, seria esta: usem o filtro solar!"? É a pura verdade. Filtros são cada vez mais essenciais para a saúde da pele. Mas atenção: de nada aplicar protetor solar com fator inferior a 30 e sair jurando que está pronto para aproveitar o melhor do verão. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) orienta que o fotoprotetor tenha índice de pelo menos 30. E não basta passar uma mão cheia no corpo inteiro e achar que já fez sua parte na luta contra o envelhecimento precoce e o câncer de pele. Doses generosas preveem 2 mg do produto para cada centímetro quadrado do corpo. Traduzindo: uma pessoa de 70 kg deve aplicar nada menos que 40 mg para atingir o fator desejado, o que significa que cada tubo de protetor não dura mais do que um dia de praia ou piscina, já que é preciso reaplicá-lo a cada duas horas. A frase famosa, portanto, deveria ser: use protetor, mas de forma correta.

O dermatologista e coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele da SBD, Marcus Maia, reconhece que se trata de uma tarefa difícil para grande parte dos brasileiros, principalmente devido ao preço elevado do produto. "Atualmente, o usuário usa um quinto do fator necessário. Isso quer dizer que ele compra o 30, mas sai de casa com proteção equivalente a 6", reconhece o médico. Portanto, o protetor não deve ser o único aliado na prevenção contra o câncer de pele, atualmente, a modalidade da neoplasia com maior incidência na população mundial.


Calcula-se que, a cada ano, pelo menos 25% dos casos de câncer diagnosticados no Brasil atinjam o maior órgão do corpo humano – a pele. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), neste ano, ele vai continuar sendo o tipo de câncer com maior número de diagnósticos no país. Devem surgir pelo menos 182 mil novos casos considerados não melanoma, contra 69 mil de próstata, 57 mil de mama e 33 mil de cólon e reto, para citar os mais recorrentes. Outros 8 mil deverão se enquadrar na categoria melanoma, a versão mais agressiva do câncer de pele e com maior probabilidade de evoluir para metástase, atingindo outros órgãos. "A estimativa é de que 2 mil pessoas morram todos os anos em razão do melanoma, mas esse número pode ser duas vezes maior", diz Maia.

Por isso, ainda no quesito prevenção, evitar exposição ao sol em horários críticos é fundamental. O ideal é fugir dos raios ultravioletas (UV) entre 10h e 15h. "Ficar na sombra o máximo possível também é importante. Já existe guarda-sol com fotoproteção têxtil, que impede a passagem da radiação. Se a pessoa não tem acesso a um desses, a alternativa é buscar cores que exerçam esse papel", orienta Maia. Vermelho e azul são as ideais para atuar como barreira contra os raios UV.

Eugênio Gurgel
A médica Ana Cláudia Soares: "A suspeita é levantada no exame clínico. O procedimento seguinte envolve a retirada de amostra do tecido para biópsia e análise do patologista" (foto: Eugênio Gurgel)

O autoexame é uma boa medida para a prevenção. Observar se uma pinta está mudando de forma, tonalidade e tamanho é um indício de que algo está errado. Coceira, vermelhidão e sangramento no local também devem acender a luz amarela, assim como feridas que não cicatrizam. "É importante não negligenciar as pintas que surgem e aquelas que já estão ali há algum tempo, mas que passam por um processo de mudança e que, por exemplo, começaram a sangrar e não cicatrizam", alerta a dermatologista Marcela Mattos. 

A profissional aconselha que o paciente adote uma postura ativa e recorra a um especialista no caso de dúvidas ou suspeita. "Muitas vezes, é o próprio paciente que concede informações importantes para o diagnóstico. A partir dos questionamentos, ele vai orientando a atuação do dermatologista", observa Marcela.

Samuel Gê
A aposentada Cláudia Spinelli e a mãe, Helena: "Sempre olho se tem alguma coisa diferente e foi assim que encontramos o melanoma da minha mãe. Ela tinha uma pinta que me incomodava e com um exame foi identificado o tumor" (foto: Samuel Gê)

Vale lembrar que são raríssimos os casos de melanoma, a forma mais agressiva da doença. Mais de 70% dos pacientes são diagnosticados com carcinoma basocelular (CBC), mais comum em áreas com grande exposição ao sol, como rosto e pescoço. "A suspeita é levantada no exame clínico. O procedimento seguinte envolve a retirada de amostra do tecido para biópsia e análise. Na maioria dos casos, a conduta é de retirada da lesão o que, na maioria das vezes, é sinônimo de cura", afirma a dermatologista e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Minas Gerais Ana Cláudia Brito Soares.

Se detectado precocemente, o carcinoma espinocelular (CEC) – correspondente a 25% dos casos de câncer de pele – também pode ser eliminado com a remoção do tumor. "Neste caso, porém, a possibilidade de metástase existe, portanto, é preciso encaminhar o paciente para o acompanhamento de um oncologista", observa Ana Cláudia. Versão mais grave, o melanoma também exige a retirada completa do tumor. 

Eugênio Gurgel
Rafael Moraes, médico do Hospital Mater Dei: detecção da doença no início pode elevar índice de cura para 95% (foto: Eugênio Gurgel)

O contato próximo com o melanoma da mãe fez a aposentada Cláudia Spinelli, de 43 anos, adotar uma rotina rigorosa de prevenção. "Minha mãe é albina e sempre foi muito cuidadosa com a pele. Aprendi a ter essa preocupação com ela e passei isso para os meus filhos também", conta. Sempre atenta ao corpo, Cláudia não deixa passar desapercebidos nenhuma pinta ou machucado estranhos. "Sempre olho se tem alguma coisa diferente, e foi assim que encontramos o melanoma da minha mãe. Ela tinha uma pinta que me incomodava e com um exame foi identificado o tumor", lembra. O olhar clínico de Cláudia evitou que a forma mais letal da doença evoluísse para metástase, garantindo a cura de Helena Vieira Spinelli, de 73 anos.

A importância da detecção precoce fez o Hospital Mater Dei incluir os exames de pele no checape oncológico. Segundo Rafael Moraes, plantonista da urgência dermatológica e dermatologista do setor de checape do Mater Dei, a rápida detecção da doença pode elevar para 95% o índice de cura. 

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