Sem descer do salto

Inspiradas em divas como Beyoncé, Madonna e Anitta, novas modalidades de dança chegam a academias de BH. A grande novidade é o uso de calçados femininos altos. Mas especialista alerta sobre os riscos para o corpo

por Marina Santos 21/02/2014 16:31

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Dênis Medeiros
Mariana, Fernanda, Ana Célia e Myrella, alunas do show style: elas superaram o receio de dançar com salto alto e agora se espelham nas divas norte-americanas (foto: Dênis Medeiros)

Engana-se quem pensa que no universo das danças urbanas há espaço apenas para trajes largos, bonés de aba reta e tênis. Modalidades que exploram a feminilidade, com poses graciosas e até mesmo exercícios de modelismo e passarela, têm arrebanhado adeptas nas academias e em escolas de dança. São estilos bastante popularizados pelas chamadas divas do pop, como as cantoras Beyoncé, Madonna e Anitta, que embalam e inspiram as coreografias. Tudo feito com muito charme e sedução, e um detalhe a mais: em cima do salto alto. 

Atento às tendências do universo da dança, o bailarino e professor Túlio Cássio decidiu apostar em novos estilos. "Percebi que estava começando esse movimento de uma dança no salto e que as mulheres estavam aderindo", conta. Desde o segundo semestre de 2012, iniciou a aula de show style em Belo Horizote, que é uma mistura de waacking, vogue e stiletto, ainda acrescido de outras referências vindas de danças tribais e do puncking. A procura foi tanta que hoje já são quatro turmas. "Qualquer pessoa pode dançar, desde que bem orientada por profissionais", explica.
 
Dênis Medeiros
Dançarinas Maria Teresa e Raquel, do Lipstick: o grupo ajudou a difundir os estilos na capital mineira (foto: Dênis Medeiros)
 

Foi o grupo Lipstick que ajudou a difundir os estilos na capital mineira, há três anos. O trio, formado pelas dançarinas Raquel Parreira, de 21 anos, Maria Teresa Moreira, de 22, e Paula Zaidan, de 24, é especializado em waacking, vogue e stiletto. Elas já dançavam hip hop e resolveram formar o trio e subir no salto após uma viagem de Paula a Nova York, quando a dançarina entrou em contato com os passos e os ritmos. Hoje incorporam também técnicas de jazz, balé clássico, dança contemporânea e até mesmo ginástica, para aprimorar a performance. 

Aluna de show style, Fernanda Kneipp, de 34 anos, confessa que adiou sua entrada na turma com receio do salto alto. "Achava que seria muito difícil e que não daria conta de me equilibrar e dançar", explica Fernanda. Apesar de ter feito aulas de balé e de jazz quando criança e adolescente, ela se sentia insegura para voltar a dançar depois dos 30. Há seis meses no novo estilo, não se arrepende. "É a hora em que podemos brincar e nos redescobrir, fazendo poses e ‘carões’", diz Fernanda. Para Mariana Pina, de 31 anos, a aula veio como uma solução para fugir da academia. "Fazia musculação e odiava. A dança é uma terapia e queima muita caloria", conta Mariana. Já para Ana Célia Carvalho, de 25 anos, o intuito era outro. "Sempre quis dançar  como a Beyoncé. Assistia aos clips, apresentações e shows e tentava copiar as coreografias em casa, mas não conseguia. Aqui eles ensinam a técnica, o como fazer", diz. Outra fã da cantora norte-americana, Myrella Lage, de 25 anos, também deciciu ingressar na dança e frequenta a turma desde agosto do ano passado. "Durante as aulas, descobrimos que há um lugar para todas sermos divas", brinca.
 
Dênis Medeiros
O professor Túlio Cássio não perdeu tempo: "Percebi que as mulheres estavam aderindo a esse movimento" (foto: Dênis Medeiros)
 
 
Se, por um lado, a autoestima é elevada às alturas com o salto alto, por outro, os cuidados devem ser redobrados. Lúcio Honório de Carvalho, ortopedista e professor do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), alerta que, se ele já é nocivo para a atividade cotidiana, seus riscos são potencializados quando incorporado a uma atividade física. "A principal bomba para fazer o retorno do sangue venoso é a panturrilha. Para ela atuar corretamente, exige-se um movimento amplo do tornozelo, que fica limitado com o uso do salto e, consequentemente, a circulação é prejudicada", explica. Segundo Lúcio, o salto também projeta o corpo para frente e, para compensar, dobram-se mais os joelhos, acentuando a curvatura da região lombar da coluna. Outro risco é a sobrecarga na parte frontal dos pés, que pode causar metatarsalgia, gerando dores e até fraturas por estresse ou excesso de exigência. "Já um ganho advindo com essa prática é que se acaba tendo de usar mais a musculatura dos glúteos", afirma.

Para o ortopedista, é fundamental a escolha do sapato. "O solado fino não ajuda na absorção do impacto", diz. Uma boa pedida é o sapato meia pata, pois se ganha em altura sem exigir tanto da curvatura do pé. Além disso, quanto mais grosso for o salto, menor a pressão, reduzindo os danos. Investir em alongamento e já ter uma musculatura condicionada pelas danças e outras atividades físicas também são artifícios vantajosos para evitar lesões.

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