Azaração virtual

Para quem quer paquerar, uma nova opção são aplicativos como o Tinder, que localizam a qualquer hora, e em qualquer lugar, o parceiro ideal. A moda está pegando

por Daniela Costa 21/03/2014 14:18

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Divulgação
(foto: Divulgação)

Já ouviu falar naquela expressão "de anteninhas ligadas"? No caso dos aplicativos de paquera como o Tinder, a frase correta é: "de radar ligado", literalmente. Isso porque, após baixar o app gratuitamente em seu smartphone (Android ou iOS), o usuário aciona o radar no raio de distância de sua preferência e descobre quais os solteiros e solteiras disponíveis, e o melhor, bem pertinho. Daí é só selecionar aqueles que mais lhe agradam. Clicar no ícone de coração ou arrastar a foto para a direita significa que gostou. Caso não tenha interesse, basta clicar no "x" ou arrastar a foto para a esquerda. Antes de fazer a escolha, a pessoa ainda pode clicar na opção "i" e ver mais fotos de sua possível paquera.
 
O legal é que, seja qual for a opção, o outro não fica sabendo, e o usuário só vai interagir com alguém se essa pessoa também curtir o seu perfil. Quando acontece o interesse de ambas as partes, o aplicativo avisa que houve um encontro e disponibiliza um chat de bate-papo para que possam se conhecer melhor. Caso o assunto renda um pouco mais, o ideal é transferir o contato para outro app, o WhatsApp.  O detalhe é que só tem acesso ao aplicativo quem tem conta ativa no Facebook, pois é de lá que vêm todas as informações. O app divulga as últimas cinco fotos do perfil, que posteriormente podem ser editadas.  Mas tudo é muito sigiloso: o que acontece no Tinder fica no Tinder, e nenhuma informação é divulgada no Facebook. O que se vê ao clicar em alguém são apenas os amigos e interesses em comum, além da descrição pessoal.

Tiago Mamede
Tímida, a designer Patrícia Suevo é adepta do aplicativo, mas faz um alerta: "Tomei um susto quando encontrei um cara e ele era dez anos mais velho do que na foto" (foto: Tiago Mamede)

Foi por acaso que o estudante de geologia, formado em farmácia, Brunno Mabub, de 35 anos, conheceu o Tinder. "Um amigo me deu a dica dizendo ter muita gente bonita. Fui logo conferir", diz. E não se arrependeu. Depois que baixou o aplicativo, conheceu várias pessoas interessantes. "Acho fantástica essa possibilidade de fazer contato com gente de várias áreas. É uma interface de fácil manuseio que faz a ponte entre universos diferentes", diz Brunno.
 
Ao baixar o aplicativo, basta ir às configurações e definir o que procura. Homens, mulheres, ou as duas opções. É possível limitar qual a distância máxima de procura, qual a faixa etária dos pretendentes, e começar a caça. Para quem é tímido ou mais caseiro, descobrir que o cupido também ataca longe das baladas e dos barzinhos é um grande achado. No app é fácil puxar conversa e render um bom papo. Há dois meses, quando o seu último relacionamento chegou ao fim, a designer Patrícia Suevo, de 34 anos, soube do aplicativo que estava fazendo a cabeça da galera. "Minha irmã me disse que era o que estava bombando no momento, e então resolvi experimentar". Tímida, considerou ser uma ótima opção para quebrar o gelo, mas alerta: "Conheci gente bacana, mas tomei um susto quando encontrei um cara e ele era dez anos mais velho do que na foto. É bom ficar atenta". 

Samuel Gê
Glauber Rocha prefere o contato pessoal, mas aproveita a hora da malhação para dar uma olhada no Tinder: "Nunca se sabe quando a pessoa certa vai pintar" (foto: Samuel Gê)

E, mesmo para os baladeiros de plantão, rastrear pessoas disponíveis em um mesmo ambiente é grande facilitador. Não por acaso, o Brasil já é o quinto país com maior número de usuários do Tinder no mundo. Em novembro de 2013, já eram mais de 2 milhões de usuários no país, onde foi lançado em agosto do mesmo ano.  "Com o avanço da tecnologia, a comunicação em todos os setores ficou mais fácil. E conhecer pessoas por meio de redes sociais e aplicativos tem se tornado cada vez mais comum. Não só pela comodidade, mas também como maneira de selecionar pessoas com atrativos específicos", explica a sexóloga Walkiria Fernandes.  

Mesmo tendo facilidade para fazer amizades e se relacionar, o funcionário público Glauber Araújo Silva, de 38 anos, resolveu conhecer o Tinder. "É uma oportunidade bacana de trocar uma ideia, mas não abro mão do contato pessoal. Ainda prefiro o olho no olho", diz. Mesmo assim, não perde a oportunidade. "Sempre que estou de bobeira, na academia ou no trânsito, dou uma bisbilhotada. Nunca se sabe quando a pessoa certa vai pintar." Apesar de terem aderido à moda, as mulheres afirmam que ainda existe preconceito. "Acabei saindo do aplicativo depois de ouvir amigos dizendo que era um cardápio de mulheres", conta Nayara Sampaio, de 25 anos, assistente de estilo. No entanto, nem todos os homens compartilham da mesma opinião. "É um cardápio de homens também. E a seleção é semelhante ao que aconteceria na noite, exige o mesmo cuidado", diz o fotógrafo Igor C.P., de 32 anos.

 
De fato, qualquer lugar é lugar para se paquerar. Nos últimos Jogos Olímpicos de Inverno, que aconteceram em Sochi, na Rússia, os atletas não desperdiçaram o tempo livre e declararam: "A primeira coisa que as pessoas fazem quando chegam à Vila Olímpica é checar quem está usando o Tinder", disse o esquiador norte-americano Gus Kenworthy. Adotando certas medidas de segurança, todas as possibilidades são válidas. "Como em qualquer relação, o aplicativo só será  frustrante se não houver maturidade em sua utilização", diz o psicólogo Luiz Cláudio de Araújo.

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