Charmosas e exóticas

Para quem quer ter um bicho de estimação mas não dispõe de muito espaço, uma boa opção são as calopsitas, que, além de pequenas, adoram interagir com os seres humanos

por Daniela Costa 24/03/2014 15:40

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Denis Medeiros
A auxiliar de cabeleireira Fernanda Cristina Clif já aprendeu a lidar com o aparo das asas de suas calopsitas. "É necessário para que possamos passear com segurança com a Pipica e o José. Meu filho Breno, de 7 anos, adora, e os trata como seus irmãozinhos" (foto: Denis Medeiros)
Pequenas, espertas e muito brincalhonas. Assim são as calopsitas, aves exóticas consideradas animais domésticos pela legislação brasileira. A facilidade de interagir com o ser humano vem tornando a espécie uma das mais procuradas pelos amantes de bichos de estimação. Algumas, como o Pituco, de 9 anos, conquistaram destaque de celebridade nas redes sociais – isso porque, além de fazer poses para tirar foto, ele entra sozinho no box para tomar banho com sua dona e dá chilique se alguém se aproxima do seu ninho, uma caixa de papelão toda picotada. Também adora fazer barulho, principalmente, imitar a campainha do telefone ou de sirine de ambulância, e faz questão de receber carinho. "Eu sempre gostei de pássaros, cheguei a ter um periquito, mas depois que comprei o Pituco me apaixonei pelas calopsitas. Ele é tão inteligente que, desde 2006, decidi filmar o seu dia a dia e postar na internet. Foi um sucesso", conta a publicitária Brena Braz, de 32 anos. A saga de Pituco, que segundo sua dona pensa que é gente, já chegou a ter mais de 700 mil visualizações em um único post. 
 
Eugênio Gurgel
Brena Braz, publicitária: "Eu sempre gostei de pássaros, cheguei a ter um periquito, mas depois que comprei o Pituco me apaixonei pelas calopsitas", conta. A saga de Pituco já tem mais de 700 mil visualizações no Youtube (foto: Eugênio Gurgel)
Nem todas as calopsitas são sociáveis como o Pituco. Existem algumas mansas, mas outras são bem ariscas. O que vai moldar o seu temperamento é o contato direto que a ave tem com as pessoas desde filhote. "Não acredito em calopsita amansada, por isso recomendo que o cliente adquira a ave a partir dos 3 meses de idade, quando já está independente e pronta para se adaptar ao seu dono", diz Raquel Munayer Solto Bernardes, proprietária do Villazoo Criatório. O preço médio da ave varia de R$ 190 a R$ 600 e, quanto mais exótica, mais cara. "A variação de cores, a carga genética e o sexo influenciam na definição do seu valor comercial", explica Raquel.
 
As vantagens de se ter uma dessas pequenas notáveis em casa é que, além de ocupar pouco espaço, elas possuem menor custo de manutenção que cães e gatos. Foi o que levou a artesã Patrícia de Oliveira Lourenço, de 37 anos, a comprar duas aves – o Queijinho e o Goiabada. "Moro em apartamento e meus filhos sempre me pediram um bichinho de estimação. Como dispomos de pouco espaço, pensamos em algumas alternativas, até que descobrimos a calopsita. Hoje, eles são a alegria da casa e interagem o tempo todo com as crianças", diz. No entanto, para que vivam sempre felizes e tenham qualidade de vida, as aves precisam de uma boa alimentação e de acompanhamento veterinário. "A base da dieta de uma calopsita deve ser ração extrusada desenvolvida para a espécie e uma mistura de sementes de qualidade, como o alpiste, a aveia e o arroz-cateto. Também recomendamos dar frutas, verduras e legumes. Além de água potável à vontade", orienta o veterinário Marcus Vinícius Romero Marques, mestre em ciência animal.

E todo cuidado é pouco. Doces, chocolates, comida caseira, pão, café, leite, cebola e abacate são extremamente tóxicos para as aves. Assim como a folha de alface, que, por ser rica em água, pode causar diarreia. Ao contrário do que muitos pensam, a famosa semente de girassol não deve ser dada, já que seu alto teor de gordura leva à obesidade e prejudica o funcionamento do fígado, podendo ocasionar a morte do animal. Para manter uma média de vida de 15 anos, o ideal é realizar um checape periódico a cada seis meses, para avaliar a saúde da ave e prevenir doenças fúngicas, bacterianas, virais e comportamentais, já que elas não são vacinadas. "Qualquer tipo de tratamento com antibióticos ou vermífugos só deve ser feito com orientação especializada", diz Marques.
 
Eugênio Gurgel
Patrícia de Oliveira Lourenço, artesã: "Queijinho e Goiabada são hoje a alegria da casa e interagem o tempo todo com as crianças" (foto: Eugênio Gurgel)
A origem da ave é outro fator determinante para a sobrevida da calopsita, que deve ser adquirida apenas de criadouros que possuam manejo sanitário adequado, assistência veterinária constante, boa higienização das gaiolas e demais instalações e respeito pela vida animal. "Por isso, a visita ao local antes da compra da ave é de extrema importância para assegurar a aquisição de calopsitas saudáveis", destaca o veterinário. Criadores sérios já vendem a ave com o exame de sexagem por DNA feito em laboratório, que define qual o seu sexo.

O aparo das asas da calopsita é outro assunto polêmico. Apesar de necessário para que possam circular livremente fora da gaiola, deve ser feito somente a cada dois meses – e na medida certa, de forma que permita à ave manter o seu equilíbrio e realizar voos curtos, evitando-se a colisão direta com o chão, o que pode provocar lesões, fraturas e rompimento de vísceras. A auxiliar de cabeleireira Fernanda Cristina Clif, de 26 anos, já aprendeu a lidar com a poda. "É necessária para que possamos passear com segurança com a Pipica e o José no ombro. Meu filho Breno, de 7 anos, adora, e os trata como seus irmãozinhos", diz.


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