O novo vício nas academias

Levantar peso, correr na esteira ou fazer spinning parece moleza perto do CrossFit, que está cada vez mais ganhando espaço no universo da malhação

por Fernanda Nazaré 31/03/2014 17:28

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Samuel Gê
Em apenas três anos, Belo Horizonte já tem cerca de 10 academias de CrossFit: treinamento inspirado nas bases militares norte-americanas (foto: Samuel Gê)
A inspiração e a motivação vêm do treinamento militar. À primeira vista, assusta quem vai acompanhar pela primeira vez um treino de CrossFit, ainda mais se for um sedentário. Levantamento de sacos com pesos, pulos de caixas de madeiras e escalada de cordas penduradas no teto são algumas das características marcantes da atividade física que está ganhando mercado na cidade. Desde a primeira academia especializada inaugurada no país, em 2011, já surgiram 120 unidades no Brasil, pelo menos dez apenas na capital mineira, segundo dados da matriz da empresa que criou a modalidade. No site oficial, é possível ver em um mapa todas as localidades do mundo onde há academias licenciadas para dar aulas da atividade. 

Eugênio Gurgel
Ex-nadador profissional e fisioterapeuta, Filipe Galdino se apaixonou pela modalidade: de funcionário da academia a aluno (foto: Eugênio Gurgel)
Criado nos Estados Unidos, em 2000, pelo ex-treinador da polícia de Santa Cruz, na Califórnia, Greg Glassman, o Crossfit mistura exercícios da ginástica olímpica, levantamento de peso e exercício aeróbico. Quem conversa com a jornalista Fernanda Lassi, de 37 anos, praticante do esporte, percebe por que a modalidade vem crescendo em números de adeptos e em popularidade. "Não saio desse esporte nunca mais. Não consigo nem me imaginar na academia convencional novamente", conta ela, que pratica a modalidade há um ano e três meses e já emagreceu 10 kg.

Samuel Gê
A jornalista Fernanda Lassi treina com Cadu Vidal, da CrossFit BH: ela abandonou de vez as academias tradicionais pelo esporte (foto: Samuel Gê)
O diferencial oferecido pelas academias é um treinamento diversificado a cada dia e adaptado ao aluno em intensidade e carga. O treino começa com 15 minutos de aquecimento, depois são mais 30 de técnica que trabalha equilíbrio, força e flexibilidade. Por último, vem o Work out of the day (WOD), o treino considerado a missão do dia, feito em 15 minutos.

Rogério Sol
Mariana Couto, que há seis meses treina cinco dias por semana e se diz viciada nos exercícios: "Em seis meses perdi 5 kg de gordura" (foto: Rogério Sol)
As aulas são em grupo e cada resultado de desempenho do dia é anotado em um quadro na academia. Ao lado do nome do aluno tem a data e o tempo dos exercícios, e esse método é usado como forma de motivação.

"Ninguém quer ficar com o resultado feio no quadro", afirma Cadu Vidal, um dos sócios da academia CrossFit BH, unidade São Bento. Formado em educação física e nutrição, o empresário abriu o negócio na região Centro-Sul de BH, em janeiro deste ano, e logo no primeiro mês já havia 160 alunos matriculados. Na primeira unidade, inaugurada há três anos, localizada na região central da capital, há cerca de 350 "crossfiteiros" – termo com que eles se denominam. Outra curiosidade dessa modalidade é a ausência de espelhos no ambiente, o que ajuda os praticantes a se concentrarem nos exercícios. "Estamos indo na contramão das academias convencionais. Queremos resgatar a consciência corporal. A estética é uma consequência, não o foco", afirma Vidal.

Confrontando a rotina das fichas de exercícios montadas nas academias convencionais – que muitas vezes podem ser monótonas –, a proposta do CrossFit é acabar com o tédio e oferecer uma aula tão concentrada de exercícios que não permite moleza para o aluno. Para a relações-públicas Mariana Couto, de 32 anos, a estratégia deu certo. Dois anos antes de aderir ao esporte, ela malhava em academia com personal trainer, mas a adrenalina do "treinamento militar" e o condicionamento que está obtendo agora a conquistaram de vez, transformando a prática em um verdadeiro vício. "Em seis meses perdi 5 kg de gordura. Mesmo fazendo reeducação alimentar, anteriormente eu não obtinha um décimo desse resultado", conta ela, que treina cinco dias por semana. Além de uma barriga chapada, para Mariana, o melhor é sentir a motivação dada pelos colegas de aula e o sentimento de superação diária. Mesmo no recesso de carnaval, a turma se reuniu na rua para treinar. "Já estou providenciando uma barra para instalar em casa para treinar no fim de semana. Quero começar a participar de competições", conta Mariana, que viajou para Guarulhos, em São Paulo, no último campeonato nacional apenas para dar apoio.

Responsável pelas avaliações físicas dos candidatos a "crossfiteiros" da The Box, o fisioterapeuta afirma que o CrossFit quebra qualquer barreira das impossibilidades, seja por idade, por sexo ou talvez por alguma fragilidade ou limitação física. "É necessário apenas ter boa vontade, disposição e uma garrafinha de água", afirma. Porém, antes de começar a praticar o esporte, os alunos devem ser submetidos a avaliação fisioterápica e análise de composição corporal, além de apresentar atestado cardiológico. É o que aconselha o fisioterapeuta. 

O CrossFit também tem atraído atletas e adeptos da malhação pesada. O ex-nadador do Minas Tênis Clube e atual fisioterapeuta da academia especializada na modalidade The Box, Filipe Galdino, de 29 anos, foi outro que se rendeu à prática. Depois que largou as piscinas para fazer faculdade, após 20 anos de dedicação, Filipe ganhou uns quilinhos e quis recuperar o tempo que ficou parado. "Depois de uma viagem aos Estados Unidos, descobri esse esporte e voltei para o Brasil louco para praticá-lo. Logo depois, um amigo me chamou para trabalhar em sua nova academia", diz. O amigo em questão é o nadador Nicolas Oliveira, da seleção brasileira de natação, que inaugurou a The Box CrossFit. "Desde então, fui picado por esse mosquitinho", brinca Filipe Galdino, que já recuperou a forma física dos tempos de atleta.


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