Dourada e saudável

Para manter a cor do verão o ano inteiro, tem gente fazendo loucuras que podem até queimar a pele. Dermatologistas orientam sobre como alcançar o efeito desejado, mas sem risco para a saúde

por Marina Santos 07/04/2014 13:58

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Rogério Sol
Natália Souza, que hoje prefere o autobronzeador, já sofreu as consequências da exposição indevida ao sol: "Fiquei tão vermelha e ardendo que não conseguia dormir" (foto: Rogério Sol)
Conquistar e manter uma pele de aspecto dourado é tarefa difícil, principalmente quando o calendário não corresponde à estação mais quente do ano. Na busca pela "marquinha" de biquíni perfeita, nem tudo é válido. Recentemente, casos de mulheres queimadas em Goiás após sessões de bronzeamento com produtos caseiros ganharam repercussão em todo o país e viraram alerta para quem procura tratamentos estéticos e cosméticos para intensificar a cor.

Natália Souza, de 23 anos, estudante de relações públicas, já sofreu as consequências de uma exposição indevida ao sol. "Sou vaidosa e sempre queria estar bronzeada", diz. Acostumada a usar loções bronzeadoras, escapou, por sorte, de uma insolação. "Fiquei tão vermelha e ardendo que não consegui dormir", conta. Pouco tempo depois, o produto foi retirado do mercado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão foi responsável, em 2009, pela decisão de proibir o uso de câmaras de bronzeamento artificial em todo o país. "Também fiz sessões de bronzeamento com essas máquinas, mas não tive problema", diz Natália.

Segundo o dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – regional Minas Gerais, Geraldo Magela Magalhães, as câmaras de bronzeamento artificial acarretam vários danos à saúde, alguns apenas sendo percebidos a longo prazo. Entre eles, estão o risco de câncer de pele, envelhecimento cutâneo precoce, queimaduras, lesões oculares e fotossensibilidade. "Não existem alternativas seguras baseadas na utilização de equipamentos emissores de radiação ultravioleta", explica. 
Uma opção para quem quer ter a aparência de pele bronzeada sem comprometer a saúde é o uso de autobronzeadores. "Trata-se de cosméticos que possuem substâncias químicas que, em contato com a pele, reagem produzindo um pigmento amarelado", explica o presidente da SBD. E o melhor, independem da exposição ao sol. Existem vários cosméticos disponíveis no mercado, geralmente à base de uma substância chamada di-hidroxiacetona, e que são aplicados através de um jato. Com ação temporária, eles escurecem a pele por um período de cinco a sete dias e a coloração vai se intensificando à medida que o paciente utiliza o produto.

Cláudio Cunha
Bronzeamento a jato aplicado pela esteticista Luciene Simões na cliente Isabela Coimbra: "É uma maquiagem corporal, mas possui vitamina E, que tem ação antioxidante, ajudando a combater os radicais livres" (foto: Cláudio Cunha)
Desde que descobriu o bronzeamento a jato, há cerca de um ano, Natália só vê vantagens. "Antes, quando usava câmaras, precisava fazer dez sessões para conseguir um bronzeado legal. Com o autobronzeador, percebo o resultado no mesmo dia, além de não fazer mal à saúde ser indicado por dermatologistas", diz Natália. As manutenções são feitas a cada 15 dias.

Com receio de ficar com uma tonalidade alaranjada, a cantora sertaneja Luciana Fossi resistia ao procedimento. "Já tinha visto pessoas que haviam feito esses bronzeamentos e ficaram com um visual muito artificial", conta. Mas a carreira artística serviu de impulso para experimentar o método. "Aqui em Minas, como não tem praia,  não pegamos muito sol. Acho que o bronzeado valoriza o corpo e me deixa mais bonita para shows e fotografias", diz. Aos 22 anos, ela fez sua primeira sessão há três meses. "Gostei tanto que recomendei para várias amigas."

Há cinco anos, a esteticista Luciene Simões trabalha com o bronzeamento a jato. "É uma maquiagem corporal", explica. O mesmo produto é aplicado para os diferentes tipos de pele, mas não recomendado para pessoas muito branquinhas, pois o resultado não fica tão bom. Segundo a esteticista, o ideal é ter um fototipo moreno claro. "Tenho também clientes negras que fazem o bronzeamento. Atendi uma delas pouco antes do carnaval. Ela iria desfilar e queria ficar ainda mais morena", conta. A esteticista esclarece que o bronzeamento ajuda a disfarçar pequenas imperfeições na pele, como estrias ou vasos sanguíneos mais evidentes, e pode ser feito também no rosto. Para Luciene, além do efeito estético, o procedimento pode ser considerado um tratamento de beleza. "O produto possui vitamina E, que tem ação antioxidante, ajudando a combater os radicais livres", diz.

Samuel Gê
A cantora sertaneja Luciana Fossi superou o medo de ficar com aparência artificial e fez a primeira sessão há três meses: "Queria ficar mais bonita para shows e fotografia" (foto: Samuel Gê)
Segundo orienta o dermatologista Henrique de Paiva Coura, ainda que não haja restrições específicas para o uso desses cosméticos, é importante consultar um profissional antes de se submeter ao tratamento, para avalição do estado de saúde da pele. "Isso é válido para que lesões que porventura surjam após o tratamento não sejam confundidas com lesões já existentes", explica. É importante também verificar se a clínica possui autorização da Anvisa e questionar qual produto será utilizado. Deve-se sempre dar preferência a cosméticos industrializados. "Fórmulas caseiras podem sensibilizar a pele, ocasionando dermatites com irritações graves, manchas dificilmente tratáveis e até queimaduras", diz Henrique Coura.
 
Para aqueles que procuram um bronzeado bonito e de forma saudável, a alimentação também pode ser grande aliada. O consumo orientado de cenoura, abóbora, mamão, maçã e beterraba ajuda na prevenção contra a ação nociva do sol. "Esses alimentos contêm carotenoides, que são pigmentos encontrados em boa parte de frutas e legumes de cor vermelha e alaranjada. Esses pigmentos se depositam nas células da pele e retêm as radiações ultravioleta, ajudando a protegê-la", orienta Henrique Coura.
Já para aqueles que não abrem mão de se expor ao sol, é sempre bom respeitar os horários de menor risco e usar filtro solar.  "O aspecto de pele bronzeada e os próprios autobronzeadores não conferem fotoproteção ao paciente. Ou seja, não adianta estar com a pele escura; ela não está protegida do sol. Portanto, todos os cuidados devem ser mantidos", explica Geraldo Magela Magalhães, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia em Minas Gerais.
 
 
 

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