Doença no útero de fêmeas pode levar à morte do animal

Ela é grave, silenciosa e leva muitos animais de estimação à morte. O diagnóstico rápido é decisivo para a cura. Saiba quais são os principais sintomas

por Daniela Costa 14/04/2014 11:22

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Gláucia Rodrigues
A médica Luana Diniz Cézar passou por maus bocados com suas poodles Dolly e Peppa: "Hoje as duas são castradas e estão muito bem" (foto: Gláucia Rodrigues)
Há três anos, a poodle Dolly, hoje com 11 anos, estava prostrada, sem apetite e com febre. Preocupada, sua dona, a médica Luana Diniz Cézar e Carvalho, de 31 anos, buscou logo orientação com o veterinário de sua confiança.  "Assim que observei a mudança em seu comportamento, corri com ela para a clínica veterinária. Foi quando descobrimos, por meio de um ultrassom, que o seu útero estava infeccionado e que ela teria de fazer uma cirurgia de urgência", conta. Foi o que salvou a vida da cadelinha. Pouco depois, sua outra cachorrinha, a poodle Peppa, de 9 anos, teve o mesmo problema. Os sintomas foram dores abdominais e genitália inchada. "Foi no risco cirúrgico para a remoção de tártaro que descobrimos que ela também estava com infecção no útero. Hoje as duas são castradas e estão muito bem", conta Luana.

Rogério Sol
Nem a tartaruga Esmeralda escapou: "A infecção ocorreu em razão de vários ovinhos que ela não tinha botado e que infeccionaram", explica a veterinária Marcela Ortiz (foto: Rogério Sol)
A chamada piometra, doença que acometeu as duas cadelas de Luana, é mais comum do que se imagina e, pelo fato de o animal manifestar poucos sintomas, é tida como grave, podendo levar à morte. "Trata-se de infecção uterina muito comum em cadelas, podendo acometer também gatas, embora com menor frequência", explica o veterinário Guilherme Savassi, professor da PUC Betim. Segundo ele, o desenvolvimento da doença ocorre, em geral, de 30 a 60 dias após o cio, e um de seus maiores agravantes é ser confundida com gravidez, já que em muitos casos a circunferência abdominal aumenta. Durante o cio, os níveis de progesterona da fêmea se elevam, preparando o útero para a gravidez. Quando ela não acontece, as paredes uterinas engrossam e formam quistos que acumulam líquido no interior do órgão, ambiente perfeito para a proliferação de bactérias. "Os níveis elevados de progesterona inibem a contração uterina e a consequente expulsão da infecção e, com o cérvix (colo do útero) aberto para a fecundação, as bactérias naturalmente encontradas na vagina se deslocam para o útero, causando uma intensa infecção", explica a veterinária Simone Paulino, da Clínica Pet Zoo.

Na piometra aberta, o colo do útero fica dilatado, o que possibilita a drenagem do líquido produzido na infecção por meio de um corrimento vaginal. Esse líquido pode ser sanguinolento e malcheiroso, com aspecto de pus, ou ainda esbranquiçado. Já na chamada piometra fechada, não há secreção externa, o que torna os sintomas ainda mais inespecíficos. Essa é a forma mais grave da doença, pois, além de provocar alterações fisiológicas severas, dificulta a detecção do problema. "Por não haver drenagem do conteúdo do útero, este pode se romper, levando a um extravasamento do líquido para dentro do abdômen e provocando um quadro de peritonite, com grande risco de morte", diz Simone.

No caso dos felinos, apesar de menos comum, a situação é ainda pior. Isso porque as gatas não manifestam sintomas como as cadelas. "Quando os donos desconfiam de que algo está errado, é porque a doença já está muito evoluída. Por isso, o mais indicado para prevenir a doença, tanto em gatas quanto em cadelas, é a castração", diz a veterinária Myrian Iser da Gato Leão Dourado.

Roberto Rocha
Apesar de ser incomum em felinos, a gatinha Summy, da raça abissínio, teve a doença após o primeiro cio: "Graças a Deus, nós a socorremos a tempo", diz a veterinária Márcia Moller (foto: Roberto Rocha)
A retirada do útero deve ser feita antes mesmo do primeiro cio, por volta dos 6 meses de idade, o que diminui também a incidência do câncer de mama e de útero. O uso de hormônios sexuais (progesterona e estrógeno) como contraceptivo não é indicado. "É mais um fator que pode levar à infecção uterina e à existência de tumores", diz Márcia Moller, veterinária da Clivet. A mascote da clínica, a gatinha Summy (11 anos), da raça abissínio, teve piometra após o primeiro cio. "Graças a Deus, nós a socorremos a tempo." Nas fêmeas não castradas, o ideal é fazer o acompanhamento clínico e ultrassonográfico semestralmente, especialmente nas que tiverem acima de 9 anos de idade.

Surpreendentemente, não são apenas os animais domésticos que sofrem com a piometra. Até tartarugas podem ter a doença. "No caso da Esmeralda, em vez de trompas uterinas, foi seu oviduto que infeccionou. Assim como ocorre com cadelas e gatas, ela começou a expelir secreção, parou de comer e estava prostrada", conta a veterinária Marcela Ortiz, especialista em animais exóticos. Devido ao casco não foi possível fazer o ultrassom, mas a radiografia detectou o problema. "A doença ocorreu em razão de vários ovinhos que ela não tinha botado e que infeccionaram. A solução foi a remoção do útero e do oviduto", diz Marcela. E alerta: "Como a piometra é uma infecção de útero, todos os animais que têm o órgão estão sujeitos a tê-la. Por isso, o acompanhamento periódico do especialista é tão importante."

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