Espelho, espelho meu...

A selfie, autorretrato compartilhado na internet, virou modismo. Mas é preciso cuidado para não exagerar

por Marina Santos 24/04/2014 12:14

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João Carlos Martins
Vaidosa, a agente de viagens Larissa Moraes gosta de mostrar também os cuidados com a beleza: "Tiro fotos minhas quando uso um produto diferente no cabelo" (foto: João Carlos Martins)
Se uma imagem vale mais que mil palavras, tem gente por aí com muito o que dizer sobre si mesmo. Prova disso é a onda da selfie, o famoso autorretrato feito com smarthphones ou webcam e compartilhado na internet que tem contagiado usuários de redes sociais, desafiando-os a descobrir sua melhor faceta. A moda pegou tanto que o termo selfie foi incluído, ao final de 2013, no Dicionário Oxford, o mais extenso e respeitado da língua inglesa. Para justificar a inclusão do novo verbete, um programa de estatísticas mostrou que a recorrência da palavra em publicações diversas havia crescido 17.000% no decorrer do ano passado.

Imagine, agora, se essa pesquisa fosse feita depois do Oscar 2014, quando a foto da apresentadora Ellen DeGeneres junto a estrelas do tapete vermelho se tornou a mais compartilhada da história do Twitter. A selfie hollywoodiana ultrapassou a marca de 3,4 milhões de retuítes, desbancando o recorde anterior de Barack Obama, em fotografia na qual aparece junto à esposa após vencer as eleições presidenciais em 2012.

Samuel Gê
Paloma Morais gosta das curtidas e dos comentários sobre suas selfies nas redes sociais: "Alguns amigos dizem que estou me achando, que só penso em beleza. Mas não me incomodo" (foto: Samuel Gê)
Embora o termo seja recente, a pesquisadora em comunicação digital e professora da Universidade Federal de Minas Gerais Joana Ziller,considera que o fenômeno, na verdade, é antigo. O que mudou foi a forma. Selfie, explica, é uma nova maneira de mostrar a intimidade por meio de imagens. "Falar sobre nós mesmos sempre fez parte da história. O diário, por exemplo, cumpria essa função, mas de forma privada", diz Joana. Por isso, acredita, as tecnologias de comunicação não são responsáveis por esse comportamento, apenas impulsionam aquilo que já existe na sociedade. O que muda – e muito – é a abrangência desses novos meios.

Para Samuel Paiva, engenheiro eletricista, de 26 anos, a habilidade para conseguir bons autorretratos foi desenvolvida bem antes do modismo. Ele viajava muito e quase sempre sozinho. Como não gosta de pedir aos outros que tirem fotos suas, acabava fazendo selfies.  "Com o uso de recursos mais bacanas, comecei a publicar as imagens", explica Samuel.

Um celular mais moderno fez com que a agente de viagens Larissa Moraes abandonasse as poses em frente ao espelho. Hoje, capta várias imagens rapidamente e já joga na rede. A jovem de 25 anos acredita que as fotografias ajudam até mesmo a divulgar seu trabalho, para mostrar as diferentes paisagens que visita. Vaidosa, também registra cuidados com a beleza. "Tiro fotos minhas quando uso um produto diferente no cabelo ou faço uma maquiagem bonita", conta.

Para o publicitário Aluizio Davis, de 27 anos, registrar e dividir bons momentos é a principal motivação dos autorretratos. "Acho interessante, em algumas ocasiões, compartilhar uma foto minha, em vez de mostrar somente o local onde estou", diz.

Internet/Reprodução
Selfie do Oscar 2014 postada no Twitter da apresentadora Ellen DeGeneres e que se tornou a mais compartilhada da história da rede social (foto: Internet/Reprodução)
Bastante desinibida, Paloma Morais não tem restrições: "Qualquer coisa é motivo para tirar foto", diz. A estudante  de 20 anos considera-se fotogênica e revela que suas selfies atraem curtidas nas redes sociais.  "Alguns amigos dizem que estou me achando. Mas não me incomodo, é uma brincadeira", diz.

Segundo o psicanalista Hudson Lacerda, é preciso cuidado para não cometer excessos. "A preocupação surge quando o hábito de tirar fotos em lugares e eventos que deveriam ser momentos de relaxamento e lazer torna-se o objetivo. Isso dá, inclusive, margem para frustração, caso as fotos não recebam tanta aprovação quanto se espera", explica. O melhor, portanto, é ficar atento para o modismo não se transformar em problema.

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