Explosão de cores

Artista plástica angolana retrata pessoas e sentimentos em telas multicoloridas

por Fernanda Nazaré 25/04/2014 13:30

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Samuel Gê
A pintora Etel Ferrão capta gestos e afetos: "Meu desafio é transmitir a alma das pessoas" (foto: Samuel Gê)
"Um dos meus desafios é transmitir a alma das pessoas." Assim a artista plástica Etel Ferrão, de 65 anos, define seu trabalho. Angolana, refugiada de guerra, ela chegou ao Brasil aos 25 anos de idade, com marido e dois filhos. A voz suave e a delicadeza de suas expressões escondem a vida pouco comum que teve e as aventuras que viveu. O que ficou gravado na retina e na memória de Etel está estampado em seus quadros. Muitas cores, muitos contrastes e sentimentos. Interações carinhosas entre as pessoas são uma marca das telas da pintora.

Arquivo pessoal
Uma das obras da coleção Amor Fraterno: cenas protagonizadas por seus filhos e netos (foto: Arquivo pessoal)
O fato de já ter caminhado por terras da África, Japão, Estados Unidos e Brasil fez refletir em sua arte o mais importante que absorveu de tudo o que viveu: o lugar não importa, o que interessa é o amor entre as pessoas. Sua última série, intitulada Amor Fraterno, mostra pessoas se abraçando, além de cenas protagonizadas por seus filhos e netos. As cores fortes e o contraste de luz e sombra nas pinturas são características da artista, que surgiram por acaso. "Minha impressora estava com pouca tinta e imprimiu uma foto da minha irmã com as cores trocadas e estouradas. Achei interessante e tentei fazer uma tela nesse estilo", conta ela, que até então não havia encontrado sua marca registrada.

 

Outra grande inspiração para os tons fortes está a um olhar de distância. É só abrir as cortinas de casa, localizada em São Sebastião das Águas Claras, que Etel contempla um jardim com chafariz, flores, gatos, riachinho e ponte. Tudo também obra de sua criação. Formada em paisagismo em 1998, a artista já demonstrava nos projetos que desenvolvia a aptidão e sensibilidade para o universo artístico. "Alguns clientes diziam que meus desenhos pareciam pinturas de paisagem", conta. Há 13 anos, ela decidiu largar de vez o paisagismo e se dedicar integralmente às telas. Desde então, já estudou com diversos mestres mineiros, entre eles, Yara Tupinambá.

O próximo desafio de Etel é retratar as paisagens mineiras em pequenas telas de 20 x 22 cm e vendê-las a um preço mais baixo. A ideia é fazer, pelo menos, 200 quadros. Outro projeto é de uma exposição de suas telas na entrada de algum aglomerado da capital mineira. "Todos devem ter acesso à arte", diz Etel, com brilho nos olhos.

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