Os vendedores de rua estão voltando

Com a autorização para que hippies vendam seus produtos nas ruas de BH, as calçadas estão sendo tomadas por ambulantes. O receio é de que a cidade seja totalmente invadida pelos camelôs, como já aconteceu no passado

por Rafael Campos - Encontro BH 09/05/2014 15:20

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Geraldo Goulart
Rua Rio de Janeiro, no centro de Belo Horizonte: produtos industrializados expostos em pano esticado na calçada, bem ao estilo hippie, para despistar a fiscalização (foto: Geraldo Goulart)

É como a reprise de um filme antigo, mas a que ninguém quer assistir novamente. É dessa maneira que pode ser descrito o cenário que vem se desenhando nos últimos meses em Belo Horizonte. Aos poucos, camelôs, ou os chamados toreros, vêm ocupando regiões movimentadas da cidade. Um dos principais motivos para esse remake é o conhecido jeitinho brasileiro, que, infelizmente, não sai de moda. Amparados por uma liminar expedida em 2012, artesãos e hippies foram autorizados a expor seus produtos nas calçadas da capital mineira. O problema é que, de uma hora para outra, todo mundo virou artesão.  
   
No hipercentro de Belo Horizonte, a rua Rio de Janeiro, no quarteirão fechado da praça Sete, transformou-se em feira, onde produtos dos mais variados tipos são encontrados. "Leva um para a sua namorada, moço", fala a ambulante que vende arcos para cabelos de diversas cores e estampas. Não é necessário ser especialista em artesanato para constatar que o produto está longe de ser artigo único, feito à mão. "Preciso trabalhar, não é, jovem?", justifica ela, ao ser indagada sobre a irregularidade. Para tentar driblar a ação dos fiscais, muitos comercializam os produtos ao bom e velho estilo hippie, ou seja, sobre um pano esticado na calçada. Já outros são mais audaciosos, fazendo o uso de bancas.
 

Geraldo Goulart
Bancas de cadarços instaladas na rua São Paulo, esquina de Carijós, no centro: sem cerimônia, ocupam espaços dos pedestres (foto: Geraldo Goulart)
As cenas fazem lembrar a época em que  o centro de BH tinha corredores lotados por ambulantes. As calçadas ficavam tomadas pelo comércio ilegal, enquanto pedestres eram obrigados a disputar espaço com os carros, no meio da rua, cenário que começou a desaparecer a partir de 2003, quando o Código de Posturas do município foi aprovado e os camelôs, transferidos para shoppings populares.

Em uma tarde, na rua Rio de Janeiro, entre as ruas Tamoios e Goitacazes, a reportagem de Encontro contou 33 expositores. Na rua São Paulo, próximo à Galeria do Ouvidor, pelo menos quatro bancas generosas comercializavam cardaços e, nas laterais de uma banca de jornais e revistas, outras pessoas aproveitavam para vender capas de telefone celular e óculos.   

Nadim Donato, presidente do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), está preocupado com a volta dos camelôs. "É uma concorrência desleal, pois o camelô não paga imposto, ao contrário dos lojistas", diz. Ele destaca que outras regiões da cidade também registram grande movimento de ambulantes, como no Barreiro e no bairro Alípio de Melo, região Noroeste de BH.

Geraldo Goulart
Avenida do Contorno, na Savassi, ao lado do shopping Pátio Savassi: hippies fazem vendas livres em um dos locais mais nobres de BH (foto: Geraldo Goulart)
O cenário não traz boas recordações para Bruno Falci, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). "Em 2002, mais de 800 lojas fecharam as portas no hipercentro, por dois motivos: falta de segurança e concorrência desleal com camelôs, toreros e artesãos, que vendem produtos sem nota fiscal", diz. De acordo com Falci, o Código de Posturas de BH foi aprovado para mostrar, entre outras coisas, que a calçada é lugar para pedestres. "Não podemos, em hipótese alguma, correr o risco de assistir àquele filme novamente", diz. O juiz Geraldo Claret de Arantes, que concedeu liminar que autoriza a exposição de trabalhos de artesãos na cidade, será convidado pela entidade para discutir o assunto. "É uma medida provisória que está demorando muito para ter fim", afirma Bruno Falci.  

Alexandre Salles Cordeiro, secretário municipal adjunto de Fiscalização, diz que a administração municipal está ciente do problema, entretanto, a fiscalização está direcionada aos comerciantes que se passam por artesãos. "Para distinguir o artesão de um infiltrado, pedimos que a pessoa produza a peça na presença de um fiscal. É uma forma de atestar", diz. Para resolver a questão definitivamente, o secretário afirmou que têm ocorrido conversas. "Estamos em contato direto com os representantes dos artesãos, no sentido de acertar os detalhes em relação à convivência deles na cidade, de forma que eles possam atuar num lugar específico", explica.

 

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