O conto da salada

Pode um prato com verduras, conservas e castanha ser mais calórico que uma porção de feijoada? Parece incrível, mas sim. Conheça os ingredientes que sabotam a sua dieta

por Daniela Costa 09/05/2014 16:16

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Coloridas, atraentes, saborosas e nutritivas. Assim as saladas conquistam um número cada vez maior de adeptos, que abrem mão da dupla arroz com feijão para investir em pratos mais leves. Mas em que momento a decisão passa a ser prejudicial à saúde? A resposta é simples: quando, para compensar a falta do carboidrato e das proteínas, incrementa-se a salada com ingredientes pra lá de calóricos. Exemplos disso são os molhos prontos à base de creme de leite e maionese. Uma colher de sopa de molho rosé, por exemplo, possui, em média, 145 calorias. Acrescentados a ingredientes como presunto Parma (65 cal, duas fatias), castanha-do-pará (184 cal, porção de 28 g), batata cozida (uma média possui 68 cal) e queijo gorgonzola (144 cal, 30 g), os pratos chegam a ser mais calóricos do que uma porção de feijoada, que tem aproximadamente 500 calorias.

JC Martins
Para a cozinheira Lástrea Salgado, quanto mais natural, melhor: "Dou preferência aos alimentos orgânicos e abuso das ervas frescas" (foto: JC Martins)
O valor é alto, considerando-se que, para o organismo funcionar plenamente, são necessárias, em média, 1,2 mil calorias, a serem consumidas em seis refeições diárias: café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia. "Tentando aliar meus treinos na academia a uma dieta saudável, optei pelas saladas. Mas só descobri que estava me alimentando errado quando fui a um nutricionista. Eu abusava dos molhos e ingredientes", conta a administradora Isabela Camara Starling, de 24 anos. Além dos molhos, outro vilão das saladas são mesmo os queijos, especialmente os amarelos, como o parmesão e a muçarela. "As calorias nada mais são do que o valor energético de cada alimento, e estar consciente sobre o seu consumo permite que se tenha uma dieta equilibrada. Afinal, o organismo precisa de energia para funcionar", explica a nutricionista Renata Rodrigues de Oliveira, do Instituto Mineiro de Endocrinologia.

Roberto Rocha
A psicóloga Marcelle Santos não conseguia emagrecer: "Para mim, bastava colocar alface e tomate e acrescentar um monte de molhos e ingredientes" (foto: Roberto Rocha)
A necessidade de perder peso foi o que fez o radialista Germano Mauricio Veloso, de 42 anos, mudar seus hábitos alimentares. "Aprendi que não basta comer só salada. Para que seja saudável, é preciso saber que tipo de ingredientes se coloca nela", diz. Para ser completa, a refeição deve ser composta por alimentos de todos os grupos alimentares, entre eles, carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fibras. A dica é fazer boas escolhas. "Também aconselho incluir grãos integrais como linhaça, trigo, aveia e quinoa. As tradicionais castanhas e nozes, com muita cautela, pois são muito calóricas", diz a nutróloga Simone Miranda. Para a cozinheira Lástrea Salgado, de 26 anos, quanto mais natural a salada for, melhor. "Dou preferência aos alimentos orgânicos e, para dar um contraste no sabor, acrescento molhos caseiros feitos de laranja, mostarda e mel. Também abuso das ervas frescas", diz.  

O molho pronto deve ser substituído por outros à base de frutas e iogurtes. A proteína é encontrada facilmente em alimentos pouco gordurosos, como o peito de peru, o queijo branco e os ovos cozidos. Já os carboidratos mais indicados vêm de pães e massas integrais, que prolongam a sensação de saciedade. "Os legumes, assim como os folhosos, também são ótimas fontes de vitaminas, minerais e fibras e também devem estar presente nas saladas", diz a nutricionista Caroline França. Podem ser ingeridos crus ou cozidos, mas o ideal é a opção a vapor, que preserva o valor nutricional. No entanto, o consumo de raízes e tubérculos como batata, mandioca e cará deve ser moderado. É o que explica Gilberto Simeone Henriques, professor do Departamento de Nutrição da UFMG. "Por possuírem alta cota calórica, eles são usados para substituir carboidrato", diz Gilberto.  

Eugênio Gurgel
A administradora Isabela Starling abusava dos ingredientes e dos molhos: "Só descobri que estava me alimentando errado quando fui a um nutricionista" (foto: Eugênio Gurgel)
Vale lembrar, ainda, que verdura em salada não é sinônimo apenas de alface. É o que diz a nutricionista Patrícia Alves Soares, da clínica Be Light/Estar Bem. "Esse vegetal é rico em lectucina, substância sedativa que pode causar queda de energia, quando consumido em grande quantidade. A dica é variar na escolha das folhas." A psicóloga Marcelle Cardoso Zibral Santos, de 28 anos, tinha uma concepção errada da salada. "Para mim bastava colocar alface e tomate e acrescentar um monte de molhos e ingredientes. Resultado: ao contrário de emagrecer eu engordei", conta ela. A salada também não deve ser tida como refeição principal, e sim como mais um componente do cardápio, atuando de forma harmônica com os demais pratos. "O que engorda o indivíduo é a quantidade de alimento consumida, e não a qualidade. A pessoa só vai ganhar peso se comer mais do que necessita. Por isso, a palavra-chave é equilíbrio", ressalta o nutrólogo Enio Cardillo.



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