"Não há plano A nem plano B. É Pimenta"

O presidente estadual do PSDB desmente boatos de divisão no partido em Minas e diz que ajudará Pimenta da Veiga a vencer a eleição para o governo

por André Lamounier e Marina Dias 13/05/2014 12:42

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Paulo Márcio
(foto: Paulo Márcio)
O deputado federal e presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, viu-se recentemente às voltas com um problemão: foi a ele atribuída a responsabilidade de uma nota que saiu na imprensa nacional dando conta de que o PSDB trocaria o candidato do partido ao governo de Minas. Segundo a nota, sairia Pimenta da Veiga e entraria o próprio Pestana em seu lugar. Marcus Pestana não apenas refuta de forma peremptória as informações publicadas, como nega que tenha sido fonte do jornalista. "Isso é bisonho", diz ele. "Ele (Pimenta) é meu amigo. Estamos totalmente sintonizados", disse. "Ademais, eu não faria isso, não sou burro." As acusações de que a tal nota teria sido fruto de "fogo amigo" provocou um reboliço no ninho tucano e obrigou o presidente nacional do partido e candidato a presidente Aécio Neves a divulgar outra nota na qual desmentia que houvesse qualquer mudança em curso na candidatura tucana ao governo mineiro.

Pestana é uma das mais arejadas lideranças do PSDB na atualidade. Tem ligações históricas com Pimenta da Veiga, de quem foi coordenador de campanha (quando Pimenta disputou o governo de Minas, em 1990) e chefe de gabinete (quando Pimenta foi ministro das Comunicações, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso). Em dezembro de 2013, Pestana recebeu uma das maiores pontuações no "ranking do progresso", destacando-se como o segundo melhor colocado entre todos os deputados federais do Brasil. A classificação é resultado de estudo realizado pelo Núcleo de Estudos sobre o Congresso (Necon), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj).

ENCONTRO - O PSDB mineiro está dividido?
Marcus Pestana - Não, nós estamos unidos. Essa especulação [de que Pimenta cederia seu lugar para candidatura de Pestana] é muita espuma e pouco chope. Não tem substância nenhuma. Pode ter sido tanto um adversário quanto fogo amigo querendo pescar em águas turvas. Certamente, foi alguém que quer me usar para desestabilizar a candidatura do Pimenta e nos descompatibilizar. Mas estou de peito aberto e até o último fio de cabelo dentro da campanha dele. Inicialmente, nós tínhamos vários pré-candidatos, como Dinis Pinheiro, Alberto Pinto Coelho e eu. Diante de um impasse interno do grupo, escolhemos alguém que harmoniza, tem respeitabilidade, trajetória, experiência. E eu, quando recuei, há dois meses, o fiz de forma consistente. Desisti da candidatura para mergulhar integralmente na campanha dele, e para assegurar a vitória. Não agrediria o Pimenta, que é meu amigo. Temos identificação de valores e de ideias, não é essa coisa superficial de interesses fugazes.

Mas existe alternativa a esse cenário da candidatura de Pimenta da Veiga?
A candidatura de Pimenta é irreversível, foi uma opção amadurecida longamente. Ele é um político experiente e admirado por todos nós. Nunca existiu plano B nem plano A. Isso faz parte de intrigas. O que existe mesmo é Pimenta candidato.

Por que o sr. abriu mão da candidatura?
Porque o Pimenta harmonizava melhor o grupo. Apesar de eu ter apoio entre prefeitos, vereadores e alguns candidatos, tinha resistências localizadas no grupo. E a chave de nossa vitória é a unidade, que ele tinha maior condição de promover.

De onde vem o otimismo em relação à vitória do candidato tucano?
Temos o apoio do maior líder de Minas, Aécio, que fez uma profunda transformação no estado e tem profundo reconhecimento dos mineiros. Além disso, ele recoloca um antigo sonho de Minas, que é ter um projeto nacional, ter alternativa a partir do próprio estado, o que, nos últimos 60 anos, só foi possível duas vezes: com JK e Tancredo, sendo que com o último o sonho ficou inconcluso. E essa possibilidade, esse projeto de Minas novamente no centro das decisões nacionais, vai mexer com o imaginário dos mineiros, o que fortalece muito nosso palanque. Em segundo lugar, temos o apoio de 20 dos 32 partidos existentes, o que nos dá grande capilaridade e tempo de TV (devemos ter o dobro do adversário). Por fim, temos apoio do Anastasia, que saiu com grande aprovação e será nosso candidato a senador, inicialmente, com mais de 60% das intenções de voto. Temos um ambiente e um governo aprovado, que tem resultados, não é retórica vazia.

Paulo Márcio
(foto: Paulo Márcio)
Que vantagens Pimenta da Veiga tem, como liderança política, em relação ao adversário?
A grande vantagem é que ele está sintonizado com o momento de Minas, sendo que Pimentel está na contramão, com o esvaziamento do prestígio da presidente Dilma, o que, em Minas, é muito evidente. Ela deu as costas para o estado. Grandes questões estruturais, que cabem ao governo federal atacar, não foram solucionadas, como o metrô, o Rodoanel, a duplicação da BR-040. Vejo quase como uma questão maniqueísta, do tipo Tiradentes versus Joaquim Silvério dos Reis. São os inconfidentes contra a Coroa, o espírito de Minas contra o colonialismo. O ciclo do PT no poder já se esgotou, e Minas pode liderar o Brasil. A partir daí, sintonizados, Pimenta e Aécio podem produzir uma transformação inédita no estado.

A oposição acusa o candidato Pimenta da Veiga de não conhecer a realidade do estado, tendo em vista que ele vive em Brasília há alguns anos?
Isso não é verdade. Ele conhece o estado melhor, inclusive, que seu adversário. Isso ficará claramente demonstrado na curso da eleição. Ele se afastou da política eleitoral em 2002, mas nunca deixou de participar da política. Sempre esteve presente como dirigente partidário, e sempre presente em Minas. Além disso, foi ministro e foi deputado quatro vezes. Só em caravanas, ele já visitou 50 cidades mineiras.

Qual é sua missão como presidente estadual da legenda?
Tenho ajudado na construção do projeto nacional e coordenado a campanha do Pimenta, para a qual procuro contribuir. Além de ir atrás dos meus votos, pois sou candidato a reeleição para deputado federal.

Qual deve ser a postura do candidato do PSDB ao governo nestas eleições?
Uma postura de defesa do momento de Minas, da herança que Aécio e Anastasia deixam e, ao mesmo tempo, de gerar a esperança de continuidade com inovação. Além disso, associar-se ao movimento de mudança nacional liderado pelo Aécio, portador de alternativa necessária e desejável para o país.

O candidato deve assumir uma postura de crítica ao adversário?
Claro. Temos de mostrar que o PT tem enorme dívida com Minas. Além do desastre da balança comercial, do "pibinho", quais investimentos eles trouxeram para o estado? E Pimentel como ministro [do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior], o que trouxe? A nova unidade da Fiat deveria ficar em Betim e o polo acrílico, em Ibirité, e acabaram indo para Bahia e Pernambuco. Nesse sentido, o debate deve, sim, estabelecer-se. Mas esperamos uma campanha propositiva, numa linha positiva. Acho que Pimenta e Pimentel podem produzir campanhas de alto nível. Mas o PT, nos primeiros movimentos, tenta explorar, de forma oportunista, fatos requentados e sem substância. Denuncismo trazido no ano eleitoral tem baixa eficácia junto ao eleitorado.

Até as eleições de 2010, o PSDB era considerado um partido eminentemente paulista. Ainda é?
Eu nunca concordei com essa análise. Mas São Paulo tem uma liderança natural pela proporção econômica e de população. Então, uma presença forte do estado na política nacional é normal, sempre foi assim, sempre será. E o local vai ser prioridade absoluta na estratégia da campanha do Aécio, que está aumentando sua base de apoio.

Paulo Márcio
(foto: Paulo Márcio)
Quais são as projeções para o cenário eleitoral presidencial?
Nossa projeção é ter vantagem sobre a Dilma, no primeiro turno, de 3 milhões de votos em Minas, 1 milhão em São Paulo, além de ganharmos no Sul, Centro-Oeste, Espírito Santo, e diminuirmos, substancialmente, a diferença no Amazonas e Rio de Janeiro, bem como minimizar a diferença no Nordeste. Essa é a perspectiva, e os números começam a comprovar. O ambiente é de mudança. Pesquisa que acaba de ser divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes levantou que 43% dos entrevistados não votariam na presidente Dilma de jeito nenhum, o que é um índice gravíssimo para quem tem a exposição pública e os instrumentos que tem.

Quem será o vice na chapa liderada por Aécio Neves?
Vice se escolhe aos 43 minutos do segundo tempo, por um corte regional ou setorial. Mas vice não ganha eleição. É claro que uma vice como a Marina Silva acrescenta, mas também complica em outros pontos. Há momentos em que ela quase concorre com a presença de Eduardo Campos, o que, às vezes, é problema. Na minha opinião,  o nome do vice deveria sair de São Paulo.

De que modo os mineiros avaliam Pimenta da Veiga?
Como político respeitado, com história. Mineiro é muito ligado a tradições, à memória, e o Pimenta tem boa imagem como líder na redemocratização, como prefeito de BH, como ministro das Comunicações, que ajudou a consolidar profundamente a transformação no setor no país. Ele tem imagem de pessoa competente, dinâmica, experiente, com credibilidade, e tem todos os atributos para ser grande governador de Minas.

Mas o indiciamento dele pela Polícia Federal pode afetar essa imagem?
Esse não é um assunto novo, foi requentado, acredito eu, por ele ter se tornado candidato. Mas ele vai tirar de letra, porque é uma simples investigação e não tem nada a ver com sua vida pública. Nossos adversários vão ter de tentar descobrir outros defeitos, porque ele é cria de uma geração de ouro  – a de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas –, quando não havia esse lamaçal de denúncias e quando as pessoas faziam política mirando, exclusivamente, o interesse público. Ele não tem uma mancha sequer em seu currículo. O levantamento dessa questão – que já tinha surgido lá atrás e sido esclarecida na CPI dos Correios – não nos preocupa. Ele tem uma imagem pública irrepreensível.

E o que se pode dizer, nesse sentido, sobre Pimentel?
Não gosto de ser leviano. A democracia não deve ser confundida com uma máquina de destruir reputações. As instituições estão aí, cada uma com seu papel. Nós assistimos ao julgamento do mensalão e, como diz Caetano Veloso, cada um sabe a dor e as delícias de ser o que é. Cada um paga pelos seus erros, busca defender suas razões, e as instituições julgam. Assim, não é meu papel fazer o julgamento dele e das denúncias que já foram levantadas. Gosto muito da tradição mineira de bons políticos, e Tancredo dizia que, em Minas, quem briga não são as pessoas, mas sim as ideias.

Últimas notícias

Comentários