Energia limpa made in BH

Empresa desenvolve em BH tecnologia de ponta para produção de filme orgânico fino, que promete colocar o Brasil na vanguarda da produção de eletricidade sustentável

por Alysson Lisboa 13/05/2014 13:08

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Samuel Gê
Tiago Maranhão e a célula fotovoltaica orgânica: "O produto vai gerar nova cadeia de valor para o país" (foto: Samuel Gê)
Imagine gerar energia elétrica em sua casa usando uma película plástica, fina e transparente. O produto, que mais parece saído de filmes de ficção, promete colocar o Brasil na vanguarda da geração de eletricidade por meio da energia solar. Trata-se da tecnologia fotovoltaica orgânica (OPV), sigla em inglês, que deve, já em 2015, tornar-se realidade no país, que, por outro lado, ainda tem 1 milhão de casas sem energia elétrica. A pesquisa começou a ser desenvolvida em 2007 pela empresa CSEM Brasil, instalada no parque tecnológico do Senai-Cetec, no bairro Cidade Nova, em Belo Horizonte.

Em breve, a tecnologia poderá ser vista em janelas de residências, revestimentos de prédios, automóveis, vestuário e celulares. Segundo o presidente da CSEM no Brasil, Tiago Maranhão Alves, a tecnologia vai mudar a mentalidade e o estigma do Brasil. "Somos pioneiros em um projeto que pode mudar o futuro de nossos filhos", diz o engenheiro pernambucano, que está há cinco anos na capital mineira e não esconde a satisfação com os resultados. "A tecnologia fotovoltaica orgânica de filmes finos coloca o Brasil em outro patamar."

Os investimentos no projeto, entre 2008 e 2012, chegam a R$ 50 milhões, com recursos do FIR Capital, Fapemig, BNDES e da própria CSEM, filial do Centre Suice d’Electronique et Microtechnique. Parte desse investimento está sendo gasto na construção e na adaptação das máquinas, que ainda não são fabricadas em larga escala. A previsão é de que, até 2023, OPV tenha mercado 50% maior que outras tecnologias e movimente cifras da ordem de R$ 20 bilhões no mundo (R$ 1 bilhão até 2019).
 
A impressão da película, que lembra um pouco a de uma off-set rotativa, é feita em rolos, o que torna mais fáceis seu transporte e armazenamento. Para levar a cabo o projeto, a empresa buscou parceria com universidades na Inglaterra e na Alemanha, além de diversas instituições brasileiras, como as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), de Ouro Preto (Ufop), de São Carlos (UFSCar), Universidade de São Paulo (USP). Ao todo, trabalham no projeto 21 pesquisadores de 11 nacionalidades. Além da tecnologia fotovoltaica, o centro de pesquisa desenvolve a impressão de circuitos cerâmicos para os setores aeroespacial, mineração, óleo e gás.
 
Para o engenheiro eletricista Alexandre Henriger, especialista e responsável pela instalação da energia solar no estádio do Mineirão, a produção terá alto impacto na economia de Minas Gerais. "Hoje, o preço ainda é muito alto, como em qualquer tecnologia, mas futuramente será possível ganhar em escala de produção", explica Henriger.

Já o diretor de ciência, tecnologia e inovação da Fapemig, Evaldo Ferreira Vilela, destaca a importância do projeto, mas faz um alerta quanto ao escoamento da produção, gargalo do Brasil. Isso pode tornar a indústria menos competitiva. "Falta velocidade nos processos. O Grupo CSEM quer buscar um modelo eficiente de produção e distribuição. Eles sabem que não basta produzir, precisa haver velocidade na entrega", completa Evaldo.

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