Romance sem fronteiras

O namoro a distância pode, sim, sobreviver por longo tempo, apesar da saudade. Conheça histórias de casais que são exemplo de que vale a pena

por Daniela Costa 24/06/2014 14:34

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Christian Franz
A psicóloga Isabela Ribeiro e o marido, o holandês Ronald Santing: "Senti muita solidão na ausência dele. É muito frustrante ver a pessoa pela tela, sem poder tocá-la", diz Isabela (foto: Christian Franz)
Quatro anos atrás, a belo-horizontina Isabela Dias Ribeiro, de 25 anos, desembarcava na estação de trem da cidade de Leiden, na Holanda. A então estudante de psicologia carregava consigo muitas malas e planos em relação ao período que viveria ali. Também incertezas e dúvidas sobre uma cultura que em nada lhe era familiar. Em meio à confusão da chegada, eis que, surpreendentemente, um rapaz lhe oferece ajuda. Mal sabia que esbarrava com aquele que se tornaria o seu grande amor. "Era o meu primeiro dia na cidade e eu estava perdida, à procura de táxi", conta. Como o transporte demoraria a chegar e sua nova casa não ficava longe da estação, o rapaz sugeriu que fossem a pé. "Ele levou as minhas malas e até entrou para conhecer os moradores. Todos pensaram que nos conhecíamos há muito tempo", diz Isabela.
 
Dali em diante, ela e o jornalista holandês Ronald Santing, de 29 anos, não se separaram mais. Mesmo após o retorno dela para o Brasil, um ano depois, o namoro permaneceu firme. "A Isabela voltou à Holanda em julho de 2011 e em outubro vim para o Brasil, quando ficamos seis meses viajando", conta Ronald. Mas veio, novamente, a tão temida hora da despedida. Ronald voltou para a Holanda, e o casal passou a se comunicar via Skype e WhatsApp. "Senti muita solidão durante a ausência dele. É muito frustrante ver a pessoa em uma tela e não poder tocá-la. Por isso, precisávamos nos encontrar pelo menos a cada três meses, para não nos distanciarmos demais um do outro", diz Isabela. No ano passado, o jornalista voltou ao Brasil, para curtir o carnaval. Foi aí que o casal tomou uma importante decisão: ele se mudaria definitivamente para cá. "Eu morava em BH e depois fui para São Paulo, cidade onde moramos atualmente. Acabamos de completar cinco meses de casados", diz Isabela.

Arquivo pessoal
A médica Juliana Cançado e o suíço Marco Grillo se encontram, a cada três meses, em algum lugar do mundo: "Não temos rotina, vivemos um verdadeiro conto de fadas" (foto: Arquivo pessoal)
Mas, combinemos, nem tudo são flores nos relacionamentos a distância. Lidar com a insegurança sobre o futuro da relação, a ausência constante do parceiro e a solidão requer determinação e compromisso. "A grande vantagem desse tipo de relacionamento é que os desgastes do dia a dia são adiados para um segundo momento. Por outro lado, há o risco de se criar um amor muito idealizado, surreal", explica o psicólogo Luiz Cláudio de Araújo. Para ele, é preciso estar preparado para conviver com sentimentos contraditórios e vencer as tentações. "O que vai sustentar essa relação é o vínculo forte existente entre os parceiros", diz.
 
Comprovando que o amor realmente não tem fronteiras, a médica Juliana Barbosa Cançado, de 54 anos, namora há seis o engenheiro Marco Grillo, suíço de 56 anos, que conheceu pela internet. Mas o casal encontrou a solução para manter acesa a chama da paixão. "Como ele continua morando na Suíça e eu, em BH, a cada três meses sorteamos no mapa um lugar do mundo para nos encontrarmos. Nada poderia ser mais romântico", diz Juliana. Acostumados a fugir do convencional, o primeiro encontro do casal aconteceu em uma partida do Milan, em Milão (Itália). O detalhe é que ela estava com seu casal de filhos gêmeos e ele, com os três filhos. "Foi um verdadeiro encontro familiar", brinca.  Mesmo sem previsão para ficarem definitivamente juntos, Juliana não desanima. "Brincamos muito, rimos muito e aproveitamos todos os momentos como se fossem os únicos. Não temos rotina, vivemos um verdadeiro conto de fadas", diz.

Arquivo pessoal
A veterinária Mariana Wagner está de casamento marcado com o lutador de MMA Fernando Paulon: "Costumo dizer que já tivemos várias luas de mel", diz Mariana (foto: Arquivo pessoal)
A veterinária Mariana Wagner, de 31 anos, sabe a força que tem um verdadeiro amor. Há 12 anos juntos, ela e o namorado, Fernando Paulon, de 36 anos, lutador de MMA, estão acostumados a driblar a saudade. Eles se conheceram de maneira inusitada: "Fui comprar um lanche e um rapaz pediu meu telefone. Quando cheguei em casa, percebi que informei o número errado", relembra Mariana. Duas semanas depois, passando pela Savassi, parou para ver uma roda de capoeira e adivinhe quem estava lá? "Não acreditei que era ele. Foi obra do destino." A partir daí, namoraram por três anos, até que, por conta da profissão, ele se mudou para o Rio de Janeiro. Na época, o casal conseguia se ver apenas uma vez ao mês. "Senti muito, porque antes nos encontrávamos todos os dias, mas sabia que era o melhor para ele", diz Mariana.
 
O que ela não sabia é que a distância se tornaria ainda maior. Cinco anos depois, Fernando foi convidado a trabalhar em Viena, na Áustria, onde está há quatro anos. "A saudade é imensa, mas, como somos muito presentes na vida um do outro e fazemos questão de participar de tudo, conseguimos levar bem essa situação." Para ela, a distância torna cada encontro, cada momento juntos, ainda mais especial. "Costumo dizer que já tivemos várias luas de mel." Uma das maneiras que Fernando encontrou para lembrar à amada todo o seu amor é lhe enviando pelos correios os bombons de que ela tanto gosta. E a história promete ter final feliz. "Vamos nos casar no ano que vem, quando me mudarei para Viena. Olhando para trás, tenho a certeza de que faria tudo de novo", diz Mariana.

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