Retratos inquietos

Artista pinta retratos com técnica de veladura e cores neutras: emoção e beleza na mesma tela

por Marina Dias 25/06/2014 14:41

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Alexandre Rezende/Encontro
Mateus X. Henriques em seu ateliê: telas com efeitos de luz e técnica de veladura (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
O morro do Parque Ecológico do Areião, em João Monlevade, foi a primeira paisagem que inspirou Mateus X. Henriques. Aos 10 anos, sua mãe lhe deu cavalete, tela e tintas, para que não mais colorisse as paredes da casa, primeiro suporte de sua arte. De lá para cá, não parou mais. Apaixonado pelo desenho e pela tinta, formou-se em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com nova bagagem e inspirações, passou a produzir obras mais abstratas, minimalistas. A ideia era fazer arte sem cores fortes, de forma mais neutra, contida, mas com estilo contemporâneo. "Não queria ser datado, como aquelas obras em que se bate o olho e já se sabe de qual década é", afirma.
 
Sua primeira mostra de telas a óleo, Sobre Pedras e Tijolos, de 2006, rendeu elogios do crítico Walter Sebastião, do jornal Estado de Minas, em um texto cujo título era Emoção sob Controle. Para Mateus, essa é a melhor maneira de definir aquela época de seu trabalho: contenção nas emoções, expressão de forma comedida, sem exageros. As telas, com bordas brancas, camuflavam-se com a parede atrás, criando a atmosfera de arte total que procura sempre: a imersão completa do espectador na obra.
 
Nas exposições seguintes, o suporte evoluiu. Ao desenvolver a série Pedras e Varais, continuação da primeira mostra, passou a pendurar as telas em fios, como se fossem roupas secando no varal. A relação com o espaço em volta e o estilo minimalista persistiram. Pendurando seus quadros dessa forma, expôs, individualmente, na galeria do Banco Central, em BH, em 2008.

Alexandre Rezende/Encontro
Quadro O Pescador, um dos vários retratos pintados pelo artista: tema recorrente na fase atual (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Em 2009, Mateus teve a famosa crise da tela em branco. Passou o ano inteiro sem produzir, uma vez que não conseguia manter o padrão que tinha criado para si mesmo. Apesar de ter vindo do minimalismo, tinha vontade de colocar emoções mais fortes em sua obra. "Não sabia como sair das regras que eu mesmo tinha criado", conta.
 
A forma de se reinventar na arte foi desenvolver temas. A série seguinte foi Panorama, com telas redondas em que pintou o céu em 360 graus – exposta na Fundação Casa de Cultura de João Monlevade. A contenção das cores ainda se manteve – segundo Mateus, o mundo ao redor é predominantemente cinza, e sua arte faz isso transparecer –, mas pinceladas mais fortes demonstram finalmente a expressão que, por tanto tempo, ele conteve.
 
Mais livre de regras, decidiu voltar ao figurativismo, resgatando o sentido original da arte que começou aos 10 anos. Assim, passou a pintar retratos, tema mais recorrente hoje em seu trabalho. Como estudioso que é, fez um curso com o artista Domenic Cretara, professor na Universidade de Chicago, e começou a pesquisar a veladura, técnica para gerar efeitos e trabalhar a luz na tela. Hoje, aos 31 anos, faz retratos variados, além de um autorretrato por ano. Neles, procura o que é desconcertante, o que incomoda. Procura a beleza na estranheza. "A principal força no meu trabalho é a inquietude", afirma ele, que tem como inspirações o holandês Rembrandt e o brasileiro Cildo Meireles.

Projetos futuros do artista incluem a exposição de telas com tema da boemia, em uma boate que será inaugurada este ano em BH, e uma mostra relacionada à realidade virtual, ainda sem data. Além de voltar para a faculdade para estudar esculturas. Agora, sem regras, o céu é o limite.

Últimas notícias

Comentários