Mercado efervescente

Área ociosa no mercado do Cruzeiro transforma-se em opção de cultura e gastronomia. Moradores da região comemoram

por Rafael Campos - Encontro BH 17/07/2014 15:27

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Alexandre Rezende/Encontro
Público lota o bar Balaio de Gato, que agora está dentro do mercado: área de quase 600 m2 promete ser o mais novo ponto de encontro de Belo Horizonte (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Há três anos, os moradores do bairro Cruzeiro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, compartilhavam uma preocupação. Eles temiam que o imóvel localizado no número 452 da rua Ouro Fino, principal símbolo da região, fosse demolido para dar lugar a um megaempreendimento. Felizmente para eles, o pesadelo não tornou-se realidade e o tradicional Mercado Distrital do Cruzeiro foi reformado e acabou ganhando fôlego extra com um projeto que reúne cultura e gastronomia.

Idealizado por Kuru Lima, diretor da Cria! Cultura e um dos principais agitadores da cena cultural da capital, o projeto Distrital deve dar novo significado a um espaço de quase 600 m² que, durante anos, manteve-se ocioso no mercado do Cruzeiro. "A intenção é criar um ambiente múltiplo de convivência", explica. Novos empreendimentos e atrações vão fazer parte da rotina do centro de compras e em boa hora: neste ano ele completa quatro décadas de história.

O pontapé foi dado há um ano, quando Kuru Lima venceu a licitação para ocupar a área do antigo supermercado Bandeirantes, fechado há oito anos. O time gastronômico do Distrital até agora está sendo formado pelo Balaio de Gato, bar que funcionou por dez anos na rua Piauí, no Funcionários, a Cum Panio, padaria do bairro Serra, que terá ponto de distribuição no mercado, além da Academia do Café, cafeteria que oferece cafés especiais, com loja no Funcionários. Uma cachaçaria com os principais rótulos do estado também deve se instalar por lá. A previsão de lançamento oficial, com todas as atrações, é para este mês.

Além dos sabores e aromas diversos, o público poderá conhecer ainda o trabalho da Discoteca Pública, que sob a batuta de Eduardo Pampani, realiza a famosa Feira do Vinil. Kuru Lima explica que o Distrital segue uma tendência mundial dos mercados de oferecer muito mais que hortifruti. "O sentido original desses espaços era o de retirar os feirantes das ruas e colocá-los num ponto de distribuição, mas esse significado vem se modificando ao longo dos anos", afirma.

Alexandre Rezende/Encontro
Luciana e Valéria Alvim, sócias do Balaio de Gato: o bar e loja de artesanato foi o primeiro estabelecimento a se instalar no local (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
As irmãs Luciana e Valéria Alvim, sócias do Balaio de Gato, misto de bar e loja de artesanato, estão empolgadas com o novo endereço. "Vai ser uma fase maravilhosa. Nossos clientes reconheceram que conseguimos manter a alma do Balaio", diz Valéria, mais conhecida como Leca. O bar foi um dos primeiros estabelecimentos a ocupar a área. De acordo com as sócias, a ida para o local trará novidades para a clientela, com a possibilidade de funcionamento em período integral.

O sabor dos mais diferentes pães artesanais será oferecido pelos sócios Luciana Martins e Camilo Lima, donos da Cum Panio. "Fazemos uma pesquisa mundial sobre as tradições e histórias da panificação. A ideia também é levar essa cultura dos pães para o público", diz Luciana.

A música também vai ter lugar garantido no Distrital. Nada menos do que 12 mil discos, cuidadosamente guardados e catalogados por Eduardo Pampani, idealizador da Discoteca Pública, estarão à disposição do público. "Teremos duas vitrolas com fone de ouvido para as pessoas escutarem as músicas no local, já que o acervo é para audição, pesquisa e gravação", diz Pampani.

Os discos, somente de música brasileira, são de 1951 até os dias de hoje, em formatos de sete, dez e 12 polegadas. Pampani está entusiasmado com a nova casa. "A união de vários empreendedores é que fará a diferença na capital mineira", diz.

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Kuru Lima, diretor da Cria! Cultura, resposável pelo projeto Distrital: "A intenção é criar um espaço múltiplo de convivência" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Kuru Lima adianta que outras pessoas já demonstraram interesse em participar da ocupação. O chef Eduardo Maya, que hoje organiza o festival  gastronômico Aproxima, vai manter uma feirinha permanente no mercado, no primeiro sábado de cada mês, com os participantes do evento. "Produtores de várias partes do estado poderão continuar oferecendo seus produtos ao público", explica Eduardo Maya.

Quem está gostando dessa nova fase do mercado é Patrícia Caristo, presidente da Associação dos Cidadãos do Bairro Cruzeiro (Amoreiro). Ela atuou exaustivamente contra o projeto que colocaria o mercado no chão. "Uma de nossas lutas era para que espaços como esse fossem licitados para derrubar o discurso de que o mercado estava abandonado", lembra, enquanto comemora a conquista. "Sentíamos que a comunidade queria um lugar que agregasse valor a nossa vida, de lazer e cultura, um espaço de convivência, de troca."

O casal de namorados Camila Duarte, de 25 anos, e Mateus Araújo, de 34, frequentadores do local, também aprovou a iniciativa. "Já estive aqui diversas vezes, mas durante o dia. É a primeira vez que venho à noite e adorei o clima", diz Camila.

As irmãs Cynthia, de 25 anos, e Ana Paula Franco Andrade, de 32, consideram que o estereótipo de que o mercado é decadente caiu por terra, e de vez. "É um ótimo lugar para fazer um happy hour e reunir os amigos com traquilidade", diz Ana. É o que pensa também o empresário Daniel Vaz, de 35 anos: "Vai ser meu ponto de encontro agora".

Kuru Lima acredita que as possibilidades são imensas para utilização da área, mas todas as ações, daqui para frente, terão um único propósito. "Vamos reconstruir a história de brilho do mercado distrital do Cruzeiro." Que assim seja!

 

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