Ele também é doador

Em muitas situações, os animais de estimação precisam de transfusão de sangue para sobreviver. Cães e gatos podem se tornar doadores e ajudar a salvar outros da mesma espécie

por Daniela Costa 18/07/2014 15:36

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Samuel Gê
Resgatado das ruas ainda filhote, Netuno ficou curado graças à doação sanguínea que recebeu: "As chances de ele sobreviver eram mínimas", lembra o casal Ligia Auad e Bruno Correa (foto: Samuel Gê)
Caminhando por uma das ruas da capital mineira, a mestranda em ciências de alimento Ligia Auad deparou-se com um filhote de cão abandonado em uma lixeira. "Foi no final de 2013. Na época, o cãozinho tinha aproximadamente 3 meses de vida e estava muito debilitado", conta. A decisão de resgatá-lo foi imediata, mesmo sabendo que o diagnóstico médico não seria dos melhores. Era só o começo de uma grande batalha. "Os exames de sangue constataram raquitismo, anemia e babesiose (doença transmitida pelo carrapato). As chances de ele sobreviver eram mínimas", lembra Ligia. Com o apoio do noivo, o analista de sistemas Bruno Correa, a estudante decidiu ir até o fim. Após vários dias de internação, a última tentativa para salvar a vida de Netuno seria a transfusão de sangue. "Somente os medicamentos e a alimentação não seriam suficientes", diz Bruno. Hoje, aos 11 meses de idade, o cãozinho, batizado de Netuno, está totalmente recuperado e se tornou o grande companheiro do casal.

Samuel Gê
Liana de Carvalho Lott e a cadela Tera, Cane Corso de 5 anos, que é doadora: "Tive um cãozinho salvo pela transfusão de sangue" (foto: Samuel Gê)
Assim como os humanos, não raras vezes, os animais de estimação também necessitam de doação de sangue para serem salvos. Os casos mais graves são os de choque hipovolêmico – quando ocorre perda considerável de sangue – e doenças que levam à anemia profunda.  "As principais indicações para que a transfusão sanguínea seja realizada são em cirurgias de grande porte, enfermidades parasitárias severas, infecções, queimaduras e intoxicações", explica a veterinária Junia Menezes, do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

No entanto, uma das grandes preocupações dos especialistas é a falta de animais doadores. Em Belo Horizonte, o procedimento é realizado graças à solidariedade dos proprietários de animais, ou em parceira com ONGs e canis. Algumas clínicas chegam a adotar animais de rua que acabam se tornando doadores em situações de emergência. "Respeitando-se todos os critérios necessários para a doação, o procedimento não causa sofrimento nem prejuízo à saúde do animal doador, que obrigatoriamente deve estar saudável", destaca Junia.

Outra medida comum nas clínicas é a criação de um banco de sangue permanente. A Clínica Veterinária São Francisco de Assis, no Lourdes, lançou campanha a fim de coletar e armazenar sangue de cães. Para isso, conta com a conscientização dos proprietários. "O projeto só funciona se tivermos doadores voluntários. Em contrapartida, oferecemos checape gratuito dos animais", explica o veterinário Guilherme Brant.

A designer Liana de Carvalho Lott conheceu os dois lados da moeda. Há quatro anos, o cão Bruce Lee, Schnauzer que tinha 10 anos, acidentou-se e foi a transfusão de sangue que lhe garantiu mais alguns anos de vida. A partir daí, Liana entendeu a importância da doação de sangue para salvar a vida dos animais. "Hoje, minha outra cadelinha, a Tera, Cane Corso de 5 anos, é doadora", diz.

E não apenas os cães necessitam de transfusão sanguínea. As anemias também são comuns nos gatos e surgem em consequência de doenças como a leucemia felina, a doença renal crônica e a presença constante de ectoparasitas, como as pulgas. "Os principais sinais desse quadro clínico são letargia, diminuição do apetite, mucosas pálidas e aumento das frequências cardíacas e respiratórias", explica a veterinária Myrian Iser Teixeira, da clínica veterinária Gato Leão Dourado. A falta de banco de sangue felino em Belo Horizonte leva muitos animais à morte. "E ainda tem o agravante de os gatos não possuírem um doador universal, como ocorre com os cães. A chance de rejeição é muito grande", diz a veterinária Márcia Moller, da Clivet.

Segundo o professor do curso de veterinária da PUC Minas Alysson Rodrigo Lamounier, existem mais de 20 grupos sanguíneos caninos, mas apenas seis são importantes para a transfusão. Já os gatos possuem três grupos sanguíneos. Entre os cães, a doação pode ser feita independentemente de raça. Já nos gatos, o tipo sanguíneo deve ser compatível.

Últimas notícias

Comentários