Hostels em alta

Esse tipo de hospedagem tem crescido em quantidade e qualidade em BH. Engana-se quem pensa que a procura é simplesmente em razão do preço: convivência e interação atraem turistas de vários estilos

por Marina Dias 04/08/2014 14:19

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Samuel Gê/Encontro
Salão de jogos e convivência do Unique Hostel, no Funcionários: possibilidade de conhecer pessoas e culturas diferentes (foto: Samuel Gê/Encontro)
Vai fazer 11 anos que o empresário paulista Erik Krominski, de 29 anos, se hospedou pela primeira vez em um hostel. Naquela época, em uma viagem a Recife (PE), a escolha foi pelo preço, já que esse tipo de local costumava custar bem menos que um hotel e oferecia condições menos sofisticadas: dormitórios e banheiro comunitários, quartos sem frigobar, sem televisão e sem roupa de cama ou de banho, pouco espaço para bagagens e equipe de funcionários reduzida. No entanto, isso não fez com que o publicitário de formação desistisse desse tipo de hospedagem, que, segundo ele, tem alguns pontos que se destacam positivamente em relação a outros. "O hotel é muito impessoal e tem horários inflexíveis (a cozinha não funciona durante a madrugada, por exemplo), ao contrário dos hostels. Além disso, a internet de alguns hotéis é cobrada, e eu nunca vi um hostel sem wi-fi gratuito", conta ele, que viaja pelo país dando palestras sobre estratégias em mídias sociais.

Erik percebeu, ao longo da última década, a evolução desses estabelecimentos, o que o transformou em cliente convicto. Hoje ele tem condições de ficar em hotéis, mas não o faz. Enquanto não aluga apartamento em Belo Horizonte, para onde está vindo morar devido ao trabalho, decidiu hospedar-se no Collaborate Hostel, no bairro São Pedro. O estabelecimento tem parceria com o programa de aceleração de startups de Minas Gerais, o Seed, onde vai trabalhar. "A convivência que se tem nesse tipo de espaço não acontece nos hotéis. Para quem viaja muito sozinho, como eu, é uma grande vantagem", compara.

Assim como outros hóspedes assíduos, Erik usa o termo "hostel" em vez de "albergue", que ganhou conotação negativa e passa a impressão de local com qualidade inferior de serviços e necessariamente com compartilhamento de todos os cômodos.

Eugênio Gurgel
De mudança para BH, o empresário paulista Erik Krominski escolheu ficar em um hostel até alugar um apartamento: "Hotéis são muito impessoais" (foto: Eugênio Gurgel)
A mudança do termo acompanhou o avanço na qualidade e na estrutura, algo observado no mundo inteiro e, no Brasil, especialmente nos últimos dez anos. Hoje, a maioria dos hostels já oferece suítes exclusivas para casal e para família e roupa de cama e banho próprias. Os mais sofisticados dispõem de área de lazer com piscina e quadra, salas com vários ambientes, serviço de agência de turismo e até traslado.
  
Segundo Ramis Bedran, vice-presidente da seção Brasil da maior rede de hostels do mundo, a Hostel International (HI), que conta com 4,5 mil estabelecimentos no mundo e 100 no Brasil), esse incremento na qualidade fez com que o público também se ampliasse. "Há dez anos, o maior público no Brasil eram estrangeiros, que já estavam mais acostumados com esse tipo de hospedagem. Brasileiros eram mais desconfiados e até ficavam em hostels no exterior, mas pouco aqui dentro. Hoje, brasileiros são maioria", afirma.

O resultado desse movimento foi o aumento na quantidade de hostels em todo o país - dados da HI apontam crescimento de 10% a 15% anualmente. Nessa esteira, BH não ficou de fora. Não há números oficiais para a capital mineira, pois nem todos os estabelecimentos são da rede HI e esse tipo de estadia não faz parte da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. Contudo, Ramis afirma que, dois anos atrás, eram cinco os hostels em BH, número que hoje estima aproximar-se de 20 (no site belohorizonte.mg.gov.br, estão listados 23). Isso significa aumento de mais de 300% de 2012 para cá. Segundo ele, boa parte dos investimentos teve a Copa como objetivo (assim como o que aconteceu com os hotéis), mas o aumento começou antes do anúncio de que o Mundial seria no Brasil. Ramis garante que, entre os recém-inaugurados, alguns vão se firmar de fato com o fim do evento. "A onda vai passar. Os bons ficarão e se consolidarão", diz.

Mesmo mais sofisticados – alguns recebem nomes como "hostel design" e "hostel boutique" –, os hostels ainda têm em comum a disponibilidade de quartos comunitários e de áreas de convivência. Segundo Patrícia Coutinho, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis - MG, as áreas de convívio incluem bares, salas de TV e jogos, ambientes que propiciam interação e diversão. Por isso, a maioria do público continua sendo jovem, em torno dos 30 anos, entre estudantes e profissionais liberais.

Patrícia lembra que o preço não tem sido o único fator na escolha dos hóspedes, pois estadias alternativas têm-se tornado mais comuns, o que significa que hostels nem são hoje a modalidade mais barata. "Existe, por exemplo, não hifeniza, em que a pessoa abre sua casa para a estadia do turista", explica.

A melhoria do serviço e a possibilidade de se socializar atraíram o aeroviário Josué de Oliveira e o supervisor do call center Marcelo da Silva. Eles, que vieram de São Paulo para conhecer BH, primeiro ficaram em um hotel em razão de uma promoção. Não gostaram muito de lá e procuraram outras opções pela internet. Escolheram o Samba Rooms, em Lourdes. "Lemos boas críticas na internet sobre ele e o preço era mais ou menos o mesmo que eu estava pagando", diz Marcelo. Para ele, a principal vantagem é a convivência, a troca de experiências. "Além disso, percebo que a recepção é mais amigável e informal", afirma.

Rogério Sol/Encontro
Os paulistas Josué de Oliveira e Marcelo da Silva, que trocaram um hotel pelo hostel: interação com outros hóspedes e atendimento mais informal (foto: Rogério Sol/Encontro)
Um dos mais antigos hostels da cidade, Sorriso do Lagarto é da época em que mochileiros estrangeiros eram maioria nesse tipo de hospedagem no Brasil e em BH. Hoje, segundo a proprietária, Tatiana de Oliveira, o público também é formado de turistas e famílias brasileiras, além de pessoas do interior que viajam para prestar concursos. "O público varia muito com a época do ano. Agora, por exemplo, devido à Copa, temos muitos estrangeiros", diz.

Durante o evento esportivo, os hostels da cidade ficaram cheios de gringos que vieram acompanhar as seleções de seus países. A colombiana Camila Iregui, de 26 anos, está dando a volta ao mundo e fez uma parada no Brasil para torcer pela seleção colombiana. Para ela, uma das características marcantes dos hostels é a possibilidade de fazer amigos, já que os hóspedes costumam estar abertos a novas experiências e a conhecer pessoas. "Na Rússia, fiz um grande amigo no hostel em que fiquei hospedada. Antes de vir para o Brasil, fomos até a casa dele no Chile para fazer uma visita", lembra ela, que ficou no Ginga Hostel, no bairro Serra. "Em minhas viagens, sempre que possível, escolho essas hospedagens. Aqui no Brasil, o staff é muito amável e nos sentimos em casa pela acomodação e proximidade das pessoas", diz.

À procura de um pouco de boemia, os estudantes Sanjeevan Alagaratnam, de 24 anos, do Sri Lanka, e Gabriel Gadala-Maria, de 21 anos, de El Salvador, escolheram o Allbags Hostel, em Santa Tereza. Intercambistas estagiando na Unicamp, em Limeira (SP), eles viajam todo fim de semana para uma cidade diferente – e o hostel é sempre a primeira opção. Para Sanveejan, o convívio facilita o turismo, já que consegue trocar ideias e ter dicas diferentes das que estão em guias com hóspedes e funcionários. "Existem hotéis com preços similares, mas costumam ser bem piores do que os hostels, além de não terem o mesmo clima, que é especial."

Clique para ampliar e conferir endereços de hostels em BH

 

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